segunda-feira, 1 de junho de 2026

 Tudo se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Na concepção espiritual, nada, absolutamente coisa alguma perece no Universo.

Alguém realmente acredita que, na condição de espíritos falhos que somos, teríamos condições de eliminar algo criado por Deus?

Um entendimento tacanho deste somente reflete a grandiosa ignorância a respeito de tudo que nos envolve e, principalmente, da própria compreensão sobre Deus.

Após o “ser” receber o sopro Divino, criatura alguma falece e nem mesmo um seu igual é capaz de tirar a vida dele.

O que conseguimos, na verdade, é restituir à natureza os elementos que compõem a criatura.

O que consideramos, equivocadamente, como morte, expressa, em minha opinião, a pobreza extrema da linguagem humana para tentar explicar o que ainda não compreendemos e a incapacidade evolutiva para entendermos a grandiosidade da Vida (com V maiúsculo).

Tudo, absolutamente tudo que seja considerado matéria, inclusive os corpos dos de todos os seres vivos, é restituído à natureza. Assim que está restituição ocorre, inicia-se prontamente, um processo de reutilização, em pequena ou em ampla escala, na formação e recomposição de novas estruturas materiais.

Kardec, se expressa assim na Revista Espírita de 1863, em refutação a um padre sobre a reencarnação:

“É verdade que a Química é uma ciência diabólica, como todas as que fazem ver claro onde queriam que se visse turvo, mas, seja qual for a sua origem, ela nos ensina uma coisa positiva, é que o corpo do homem, como todas as substâncias orgânicas animais e vegetais, é composto de elementos diversos, dos quais os principais são: o oxigênio, o hidrogênio, o azoto e o carbono. Ela ainda nos ensina ─ e notai que é um resultado da experiência ─ que com a morte, esses elementos se dispersam e entram na composição de outros corpos, de tal forma que, ao cabo de um certo tempo, o corpo inteiro é absorvido”.

E acrescenta:

“Suponhamos, então, senhor cura, que sejam plantadas batatas nas proximidades de um sepulcro. Essas batatas vão alimentar-se dos gases e dos sais provenientes da decomposição do corpo do morto; essas batatas vão engordar galinhas; vós comereis essas galinhas, as saboreareis, de tal sorte que o vosso próprio corpo será formado de moléculas do corpo do indivíduo morto, e que não deixarão de ser dele, posto tenham passado por intermediários. Então tereis em vós partes que pertenceram a outros. Ora, quando ressuscitardes ambos, no dia de juízo, cada um com seu corpo, como fareis? Guardareis o que tendes do outro ou o outro retomará o que lhe pertence, ou ainda tereis algo da batata e da galinha?”

Maravilha de argumentação do Codificador da Doutrina Espírita! Aplausos....

Se trouxermos à discussão o aspecto espiritual, aí então, somos mais incapazes de qualquer ameaça ao patrimônio vivo criado por Deus.  

O Espírito, desde sua criação, ainda como princípio espiritual, que por longos períodos de tempo guardaremos ignorância total de como isso se dá, passa a adquirir uma das características do Criador, que é a imortalidade. Ou seja, o processo de desenvolvimento da mônada espiritual passa então a ser ininterrupto por toda a eternidade. 

Neste infinito processo de crescimento, o ser espiritual obedecendo a leis filogenéticas, vai revestindo-se de corpos para possibilitar, no futuro, que é sempre o hoje que vivemos, a sua evolução. 

Os vários corpos então que revestem o espírito habitam diferentes dimensões estando e ao mesmo tempo não estando o espírito integrado em todas elas “habitando” nestes corpos.

Habitando em mundos grosseiros, como a Terra, este ser espiritual, revestido dos vários corpos, quando sofre o fenômeno que denominamos como morte, na verdade, é imediatamente restituído (nem esse me parece o termo adequado, talvez exista outro mais apropriado) passa a viver na dimensão imediata que o seu próximo corpo habita.

Construamos um simples modelo para facilitar o entendimento.

 



 

Conforme a figura acima, visualizamos 8 círculos concêntricos, onde o menor deles bem no centro, representa o Espírito. Os demais sete círculos representariam corpos materiais, de diferentes densidades. Cada um desses corpos, por sua vez, habita respectivamente, sete diferentes dimensões físicas.

Numeremos o Espírito com o número 0 e os demais corpos e respectivas dimensões, de 1 a 7.

Então teremos um conjunto formado por 0 a 8.  Eis aí a criatura humana, o espírito (representado pelo número zero) envolto por seus sete corpos, cada um habitando uma das diferentes dimensões, seguindo o estabelecido pela lei de Deus. Muito resumidamente, cada um desses corpos, de acordo com sua composição e constituição material, habitará uma diferente dimensão apropriada e adequada às suas características, para se desenvolver. 

Portanto aqui na Terra, o nosso corpo físico habita um mundo externo e grosseiro, e seguindo nosso raciocínio, seu corpo físico, considerado o de número 7, é o mais externo e grosseiro habitat do Espírito.

Quando, por alguma razão, este corpo mais externo (número 7) deixa de existir na dimensão que lhe é peculiar, em sua forma que conhecemos, o Espírito imortal, sem sofrer qualquer processo de interrupção, afinal a vida é imortal, passará a manifestar-se na dimensão imediatamente próxima (que pode ser abaixo, acima, ao lado, etc) em que habite o corpo mais externo e que passou a ser o de número 6. A manifestação lúcida e consciente do espírito passará a ser na dimensão 6 e não mais na 7. Denominemos este processo descrito como etapa 1.

Os compostos e os constituintes do corpo 7, no qual a vida orgânica exauriu-se, serão restituídos devidamente à natureza não se perdendo absolutamente coisa alguma. Tudo, exatamente tudo, terá uma sublime destinação.  

E assim, sucessivamente, na etapa 2,3,4,5,6 e 7 com os demais seis corpos, até que o Espírito, encontre-se plenamente iluminado e puro, para que não necessite mais, de corpos para revestir-se.

Como diz Irmão José, nobre benfeitor de esferas sublimes, o Espírito puro é Puro Espírito.

Claro, e talvez desnecessário mencionar, que para cumprir todas as etapas, até ser um Espírito puro, o ser necessitará repetir muitas vezes cada um desses processos (reencarnação), respectivamente em diferentes mundos, de diferentes composições materiais (pluralidade dos mundos habitados).

Entendo que, talvez, o grande objetivo da encarnação do Espírito em seu périplo evolutivo praticamente infinito, seja tornar-se capaz de, efetiva e simultaneamente, existir consciente e lúcido em todas as dimensões da vida (em nosso exemplo, do 1 ao 7), como já o fez Jesus, tornando-se onipresente e adquirindo, em uma escala menor, o que Deus, nosso Pai o é em escala infinitamente maior. Todos nós, como filhos de Deus, em um determinado e longínquo tempo e aos poucos, passaremos a adquirir suas características. Mas calma! Isso levará períodos de tempo, praticamente incontáveis, enquanto isso, perseveremos na luta que liberta e emancipa.  

Enquanto essa consciência e lucidez não é obtida, o Espírito ao deixar uma dimensão (7) e passar a viver em outra (6), experimentará naturais dificuldades, pois ainda não se apossou destas realidades, que de fato, sempre o envolveram, porém em sua ignorância evolutiva, não foi capaz ainda de apreender.

Neste e em tantas outras situações, o Espírito “retorna” a existir na dimensão (7) de sua familiaridade, para que ele possa melhor se desenvolver e tentar compreender toda a maravilha da vida. Ai o renascimento espiritual em corpos físicos. 

Há! Quanto às outras dimensões ou esferas físicas, mas ainda não espirituais (1 a 5) que não mencionei, por enquanto, pode esquecer. Se pouco conhecemos da esfera física que presentemente habitamos e praticamente nada da que iremos habitar, por que querer saber ou entender de outras moradas que não temos palavras, ideias e muito menos cérebro para assimilar. Por hora o bom senso aconselha deixar prá lá. Pode ser muito perturbador esse esforço.

Procuremos fazer a parte que nos toca para nossa evolução e entender melhor o que nos cerca, porém com a compreensão que coisa alguma deixa de existir. Morrer é pobreza de linguagem, seu uso deve ser deixado de lado, é um verbo que jamais o conjugaremos em plenitude e é melhor ir esquecendo dele.

Viver é o verbo! E este sim, é para sempre! 

Referência: 

(1) Kardec, Allan. Revista Espírita. Elias e João Batista. Refutação. Dezembro de 1863. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004. 519p.

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

  Tudo se cria, nada se perde, tudo se transforma. Na concepção espiritual, nada, absolutamente coisa alguma perece no Universo. Alguém ...