Tudo se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Na
concepção espiritual, nada, absolutamente coisa alguma perece no Universo.
Alguém
realmente acredita que, na condição de espíritos falhos que somos, teríamos
condições de eliminar algo criado por Deus?
Um
entendimento tacanho deste somente reflete a grandiosa ignorância a respeito de
tudo que nos envolve e, principalmente, da própria compreensão sobre Deus.
Após o
“ser” receber o sopro Divino, criatura alguma falece e nem mesmo um seu igual é
capaz de tirar a vida dele.
O que
conseguimos, na verdade, é restituir à natureza os elementos que compõem a
criatura.
O que
consideramos, equivocadamente, como morte, expressa, em minha opinião, a pobreza
extrema da linguagem humana para tentar explicar o que ainda não compreendemos
e a incapacidade evolutiva para entendermos a grandiosidade da Vida (com V
maiúsculo).
Tudo,
absolutamente tudo que seja considerado matéria, inclusive os corpos dos de
todos os seres vivos, é restituído à natureza. Assim que está restituição
ocorre, inicia-se prontamente, um processo de reutilização, em pequena ou em
ampla escala, na formação e recomposição de novas estruturas materiais.
Kardec,
se expressa assim na Revista Espírita de 1863, em refutação a um padre sobre a
reencarnação:
“É verdade que a Química é uma
ciência diabólica, como todas as que fazem ver claro onde queriam que se visse
turvo, mas, seja qual for a sua origem, ela nos ensina uma coisa positiva, é
que o corpo do homem, como todas as substâncias orgânicas animais e vegetais, é
composto de elementos diversos, dos quais os principais são: o oxigênio, o
hidrogênio, o azoto e o carbono. Ela ainda nos ensina ─ e notai que é um
resultado da experiência ─ que com a morte, esses elementos se dispersam e
entram na composição de outros corpos, de tal forma que, ao cabo de um certo
tempo, o corpo inteiro é absorvido”.
E
acrescenta:
“Suponhamos, então, senhor
cura, que sejam plantadas batatas nas proximidades de um sepulcro. Essas
batatas vão alimentar-se dos gases e dos sais provenientes da decomposição do
corpo do morto; essas batatas vão engordar galinhas; vós comereis essas
galinhas, as saboreareis, de tal sorte que o vosso próprio corpo será formado
de moléculas do corpo do indivíduo morto, e que não deixarão de ser dele, posto
tenham passado por intermediários. Então tereis em vós partes que pertenceram a
outros. Ora, quando ressuscitardes ambos, no dia de juízo, cada um com seu
corpo, como fareis? Guardareis o que tendes do outro ou o outro retomará o que
lhe pertence, ou ainda tereis algo da batata e da galinha?”
Maravilha
de argumentação do Codificador da Doutrina Espírita! Aplausos....
Se trouxermos
à discussão o aspecto espiritual, aí então, somos mais incapazes de qualquer
ameaça ao patrimônio vivo criado por Deus.
O
Espírito, desde sua criação, ainda como princípio espiritual, que por longos
períodos de tempo guardaremos ignorância total de como isso se dá, passa a
adquirir uma das características do Criador, que é a imortalidade. Ou seja,
o processo de desenvolvimento da mônada espiritual passa então a ser
ininterrupto por toda a eternidade.
Neste
infinito processo de crescimento, o ser espiritual obedecendo a leis
filogenéticas, vai revestindo-se de corpos para possibilitar, no futuro, que é
sempre o hoje que vivemos, a sua evolução.
Os
vários corpos então que revestem o espírito habitam diferentes dimensões
estando e ao mesmo tempo não estando o espírito integrado em todas elas
“habitando” nestes corpos.
Habitando
em mundos grosseiros, como a Terra, este ser espiritual, revestido dos vários
corpos, quando sofre o fenômeno que denominamos como morte, na verdade, é
imediatamente restituído (nem esse me parece o termo adequado, talvez exista
outro mais apropriado) passa a viver na dimensão imediata que o seu próximo
corpo habita.
Construamos um simples modelo
para facilitar o entendimento.
Conforme
a figura acima, visualizamos 8 círculos concêntricos, onde o menor deles bem no
centro, representa o Espírito. Os demais sete círculos representariam corpos
materiais, de diferentes densidades. Cada um desses corpos, por sua vez, habita
respectivamente, sete diferentes dimensões físicas.
Numeremos
o Espírito com o número 0 e os demais corpos e respectivas dimensões, de 1 a 7.
Então
teremos um conjunto formado por 0 a 8. Eis aí a criatura humana, o
espírito (representado pelo número zero) envolto por seus sete corpos, cada um
habitando uma das diferentes dimensões, seguindo o estabelecido pela lei de
Deus. Muito resumidamente, cada um desses corpos, de acordo com sua composição
e constituição material, habitará uma diferente dimensão apropriada e adequada às
suas características, para se desenvolver.
Portanto
aqui na Terra, o nosso corpo físico habita um mundo externo e grosseiro, e seguindo nosso
raciocínio, seu corpo físico, considerado o de número 7, é o mais externo e grosseiro habitat
do Espírito.
Quando,
por alguma razão, este corpo mais externo (número 7) deixa de existir na
dimensão que lhe é peculiar, em sua forma que conhecemos, o Espírito imortal,
sem sofrer qualquer processo de interrupção, afinal a vida é imortal, passará a
manifestar-se na dimensão imediatamente próxima (que pode ser abaixo, acima, ao
lado, etc) em que habite o corpo mais externo e que passou a ser o de número 6. A manifestação lúcida e
consciente do espírito passará a ser na dimensão 6 e não mais na 7. Denominemos
este processo descrito como etapa 1.
Os
compostos e os constituintes do corpo 7, no qual a vida orgânica exauriu-se,
serão restituídos devidamente à natureza não se perdendo absolutamente coisa
alguma. Tudo, exatamente tudo, terá uma sublime destinação.
E
assim, sucessivamente, na etapa 2,3,4,5,6 e 7 com os demais seis corpos, até
que o Espírito, encontre-se plenamente iluminado e puro, para que não necessite
mais, de corpos para revestir-se.
Como
diz Irmão José, nobre benfeitor de esferas sublimes, o Espírito puro é Puro
Espírito.
Claro,
e talvez desnecessário mencionar, que para cumprir todas as etapas, até ser um
Espírito puro, o ser necessitará repetir muitas vezes cada um desses
processos (reencarnação), respectivamente em diferentes mundos, de
diferentes composições materiais (pluralidade dos mundos habitados).
Entendo
que, talvez, o grande objetivo da encarnação do Espírito em seu périplo
evolutivo praticamente infinito, seja tornar-se capaz de, efetiva e
simultaneamente, existir consciente e lúcido em todas as dimensões da vida
(em nosso exemplo, do 1 ao 7), como já o fez Jesus, tornando-se onipresente e
adquirindo, em uma escala menor, o que Deus, nosso Pai o é em escala infinitamente
maior. Todos nós, como filhos de Deus, em um determinado e longínquo tempo e
aos poucos, passaremos a adquirir suas características. Mas calma! Isso levará
períodos de tempo, praticamente incontáveis, enquanto isso, perseveremos na
luta que liberta e emancipa.
Enquanto
essa consciência e lucidez não é obtida, o Espírito ao deixar uma dimensão (7) e
passar a viver em outra (6), experimentará naturais dificuldades, pois ainda
não se apossou destas realidades, que de fato, sempre o envolveram, porém em
sua ignorância evolutiva, não foi capaz ainda de apreender.
Neste
e em tantas outras situações, o Espírito “retorna” a existir na dimensão (7) de
sua familiaridade, para que ele possa melhor se desenvolver e tentar
compreender toda a maravilha da vida. Ai o renascimento espiritual em corpos
físicos.
Há!
Quanto às outras dimensões ou esferas físicas, mas ainda não espirituais (1 a
5) que não mencionei, por enquanto, pode esquecer. Se pouco conhecemos da
esfera física que presentemente habitamos e praticamente nada da que iremos
habitar, por que querer saber ou entender de outras moradas que não temos
palavras, ideias e muito menos cérebro para assimilar. Por hora o bom senso
aconselha deixar prá lá. Pode ser muito perturbador esse esforço.
Procuremos
fazer a parte que nos toca para nossa evolução e entender melhor o que nos
cerca, porém com a compreensão que coisa alguma deixa de existir. Morrer é
pobreza de linguagem, seu uso deve ser deixado de lado, é um verbo que jamais o
conjugaremos em plenitude e é melhor ir esquecendo dele.
Viver é o verbo! E este sim, é
para sempre!
Referência:
(1) Kardec, Allan. Revista Espírita.
Elias e João Batista. Refutação. Dezembro de 1863. 4ª ed. Brasília. Editora FEB, 2004. 519p.
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