Nos grandes
testemunhos da vida
“E todos os seus conhecidos e as
mulheres que juntamente O haviam seguido desde a Galiléia, estavam de longe,
vendo estas cousas.” Lucas, 23: 49.
A
solidão de Jesus no Calvário é uma lição viva aos discípulos do Evangelho, em
todos os tempos. Na prisão, na aplicação dos açoites, na via crucis e na
própria Cruz, todos que foram beneficiários se mantiveram de longe.
Tal situação guarda uma
valiosa mensagem, uma profunda lição.
A esse
respeito, o amorável benfeitor Emmanuel, em emocionante página registrada pelo
médium Chico Xavier nos ilumina dizendo:
“Volteavam-Lhe em torno dos
passos, não só os admiradores, os aprendizes, os curiosos, mas também os
doentes da véspera, reintegrados no tesouro da saúde, à força de Sua Dedicação
Divina. Mas no grande momento, quando as sombras do martírio Lhe amortalhavam o
coração, todos os participantes de Suas caminhadas se recolheram à distância da
Cruz, contemplando de longe. Não se ouviu a voz de nenhum beneficiado, ao pé do
Calvário. Ninguém Lhe recordou, no extremo instante, as Obras Generosas,
perante os algozes que O acompanhavam. E o ensinamento ficou para que cada
aprendiz, no decurso do tempo, não esquecesse a necessidade do próprio valor.”
Nos
grandes testemunhos da vida, ainda que tenhamos alguém pegando em nossa mão, o
aprendizado, a aquisição da lição é individual. A decisão de aprender é
individual. Os patrimônios espirituais de cada um de nós, até por esta razão,
são intransferíveis.
Se
impõe refletir, quais potencialidades do espírito imortal precisamos
desenvolver.
Ninguém
nunca estará abandonado, sozinhos por completo. O Cristo jamais esteve
abandonado. Imagine a plêiade de espíritos superiores que o acompanhou no drama
do Calvário.
E a
lição deve ressoar por muito tempo “...não esquecesse a necessidade do
próprio valor.”
Assim
também nós, nunca estaremos sozinhos, mas na sensação de experiência,
fisicamente estaremos sozinhos, para aferirmos nossos valores. Como nos
alimenta o espírito esse divino conhecimento.
Conscientizar
que não viveremos à sombra de um Mestre sem desenvolver nossas qualidades.
Ninguém é e nem será, completamente dependente do outro para sempre.
Aprender
a equilibrar nossas energias conosco mesmo. Para o Espiritismo os nossos amores
nos acompanham, nos sustentam, nos complementam a jornada, mas nós não podemos
caminhar dependentes deles para sempre.
Às
vezes a vida nos “prega peças” nos privando da convivência de quem amamos. Um
filho, o companheiro afetivo, o amigo de lide espírita, aquela pessoa que por
longo tempo foi o esteio. Ausências que nos abalam os recessos da alma.
Compreendamos que, assim como nós próprios, todos eles, buscam por novas
posições e experiências que enriqueçam seus talentos.
Nos
grandes desafios da jornada terrena, portanto, sem hesitar, entreguemo-nos à
fé, refugiemo-nos em Deus, confiemos em Deus e esperemos por Deus, porque,
acima de todas as tempestades e quedas, tribulações e desenganos, Deus nos
sustentará.
E porque desenvolvemos essa confiança raciocinada que nos faz acalmar nas turbulências da vida, é que o espírito imortal, segue em frente.
Referência:
(1) Emmanuel. Alma e Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 7ª
ed. Araras. Editora IDE, 2018. 137p.