segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 

Contrabandistas na vida eterna

 

O Espiritismo sendo uma doutrina consoladora como uma das suas principais características, assim o é, por seu aspecto, fundamentalmente, esclarecedor.

Acontece que, na maioria das vezes, para nós encarnados, passarmos a ser detentores de determinado conhecimento, pode ser custoso. Não no sentido de sua obtenção, já que a doutrina está às mãos de qualquer um que a queira conhecer.

Custoso no sentido de ao nos ilustramos sobre determinado tema, ele venha a mexer com a gente. Mexer lá na profundidade onde normalmente não gostaríamos de ser incomodados.

Figuradamente, seria como adentrar em um cômodo, há muito, por nós abandonado, que acumulou muito sujeira, objetos velhos e insetos próprios destes ambientes insalubres. Quando decidimos por adentrá-lo e limpá-lo, muitas vezes hesitamos, somos tomados pela preguiça milenar e pela falta de “coragem” mantida pela sombra dos hábitos que imperam em nosso íntimo, desistimos, quando não, blasfemamos.

Por séculos, as várias religiões que deveriam preparar os fiéis para a vida, conscientizando-os da sobrevivência da alma, com suas naturais consequências, pouco fizeram e fazem neste sentido, criando cada vez mais “crianças espirituais” no dizer de Zenóbia no livro Obreiros da vida eterna.

O Espiritismo, como verdadeira luz a iluminar os caminhos que necessitamos trilhar, nos convida a mais íntima reflexão, induzindo-nos na coragem de facear nossas próprias imperfeições como caminho único da melhora espiritual.

Assim, remetemos o leitor amigo deste Blog, ao livro Nosso Lar, o qual, magistralmente registrado pelo médium mineiro Chico Xavier, é inigualável demonstração de que o homem encontrará na vida espiritual o que amontoou para si mesmo na Terra.

Ao lado de Tobias, o tarefeiro que o acompanha em toda a jornada descrita na obra, André Luiz inicia-se no trabalho, ainda como observador, nas Câmaras de Retificação. Estas câmaras acolhem irmãos desencarnados desequilibrados, muitos desconhecendo sua situação de “mortos” da Terra, que André Luiz os compara a verdadeiros despojos humanos.

Muito triste a situação destes irmãos!

Tobias os denomina de “contrabandistas na vida eterna”. Segundo ele:

 

“Acreditavam que as mercadorias propriamente terrestres teriam o mesmo valor nos planos do Espírito. Supunham que o prazer criminoso, o poder do dinheiro, a revolta contra a lei e a imposição dos caprichos atravessariam as fronteiras do túmulo e vigorariam aqui também, oferecendo lhes ensejos a disparates novos. Foram negociantes imprevidentes. Esqueceram de cambiar as posses materiais em créditos espirituais.”

 

Na minha modesta opinião, esta descrição feita por Tobias, caracteriza a imensa maioria das pessoas encarnadas hoje na Terra. Principalmente por muitas autoridades constituídas, não todas é claro, que deveriam zelar pelo povo e não o fazem. Acumulam tanta riqueza material como se fossem poder levar consigo após a grande transformação. Isso me faz recordar a lição de Jesus se dirigindo ao povo da época e para todos nós hoje para que:

 

“...ficássemos de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens”; e lhes contou a Parábola do Rico insensato (Lucas 12:13-21):

 

“A terra de certo homem rico produziu muito. Ele pensou consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde armazenar minha colheita. Então disse: Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se. Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?’ Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus”.

 

No Evangelho segundo o Espiritismo, Pascal no capítulo XVI, Não se pode servir a Deus e a Mamon, escreve sobre a Verdadeira Propriedade:

 

“O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. (...) Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais.”

 

Creio que, do lado de lá da vida, muita gente irá se decepcionar por estar acostumada a ser tratada baseada na sua fortuna, posição social e posses. Triste ilusão que lhes arremeterá ao sofrimento e muitas lágrimas, cuja causa a não ser aos próprios desatinos, deverão atribuir. A Vida do homem onde estiver. estará centralizada onde centralize ele o próprio coração.

Para encerrar, apenas gostaria de lembrar que André Luiz, célebre autor espiritual do best-seller Nosso Lar, como a reencarnação do eminente médico Carlos Chagas, possuidor de muitos méritos na Terra, retomou o trabalho no Mundo Espiritual, limpando vômitos de pessoas doentes nas Câmaras de Retificação. Pergunto o que sobra pra nós?

Até a próxima semana!

  

(*) Todos os grifos são meus

 

(1) Luiz, André. Obreiros da vida eterna. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília. Editora FEB, 1946. 304p.

(2) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(3) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.


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