segunda-feira, 29 de junho de 2026

 

Por que Jesus pouco falou sobre reencarnação?

Creio, sem sombra de dúvida, que o principal motivo de Jesus não se referir tão claramente à reencarnação, tenha sido a nossa ignorância, considerando que Ele falava aos espíritos que, encarnados, o ouviam e também para os que, como nós, após passados dois mil anos, ainda não o compreendemos. Palavras de Vida Eterna.

Atualmente, pelas mais diversas razões, milhares de espíritos, na carne ou fora dela, ainda não compreenderam o princípio da reencarnação.

Sabemos que a certeza da reencarnação é apanágio de poucas almas na Terra a tal ponto de Chico Xavier certa vez afirmar que os espíritos que guardam a certeza deste princípio em seus corações não são almas originárias da Terra.    

Como princípio universal, a reencarnação é um tema que concerne à verdade e a verdade, a pouco e pouco, se revela de modo irreversível.

Jesus, portanto, não poderia, como não o fez, falar de um aspecto que, para ser entendido, exigiria da parte dos que o ouviam a compreensão mais bem delineada sobre a vida futura.

Compreensão sobre a Vida Futura! Entender esta razão torna-se fundamental para entender porque Jesus assim agiu.

O Mestre, mais que qualquer um, sabia que todos os dogmas das religiões se alicerçam, necessariamente, na vida futura; ela representa a pedra angular de toda crença. Entretanto, a ideia que muitos faziam da vida futura era muito vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Isso em razão das religiões não serem claras e nem apresentarem tal como ela, vida futura, se apresenta, de onde resulta muitas dúvidas e até a incredulidade.

Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo acrescenta que Jesus julgou conveniente não apresentar, aos homens de sua época, a luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam. Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir.

Dezoito séculos depois, estando o homem mais maduro para apreender certas facetas da verdade, surge o Espiritismo que completa o ensino do Cristo dando materialidade às dúvidas da existência da vida futura, pois os próprios espíritos desencarnados que lá se encontram, vem descrevê-la sob seus diversos aspectos.

Na maneira pela qual nos apresenta o futuro reside o triunfo do Espiritismo. O quadro que apresenta é tão claro, tão simples, tão lógico, tão conforme à justiça e à bondade de Deus, que involuntariamente dizemos: Sim, é bem assim que deve ser; é assim que eu imaginava; e, se não havia acreditado, é porque outrora me tinham mostrado a vida futura de outro modo.

Muito mais que os de antigamente, os homens do presente querem compreender, pois só se duvida daquilo que não se compreende.

Ademais, Jesus sempre pregou e prega ao espírito imortal e não somente o homem como ser encarnado. O espírito não tem muitas vidas; o espírito vivencia múltiplas experiências dentro da Vida que é única. Neste contexto, a reencarnação se configura como etapas que o espírito cumpre em sua infinita caminhada.

Portanto, queridos leitores, tendo seu apogeu no diálogo que manteve com Nicodemos, o assunto Reencarnação, se não foi mais claramente exposto por Jesus, é porque Ele teve seus motivos, os quais devemos procurar melhor compreender! 

 

Referência

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

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