Por
que Jesus pouco falou sobre reencarnação?
Creio,
sem sombra de dúvida, que o principal motivo de Jesus não se referir tão
claramente à reencarnação, tenha sido a nossa ignorância, considerando que Ele
falava aos espíritos que, encarnados, o ouviam e também para os que, como nós,
após passados dois mil anos, ainda não o compreendemos. Palavras de Vida
Eterna.
Atualmente,
pelas mais diversas razões, milhares de espíritos, na carne ou fora dela, ainda
não compreenderam o princípio da reencarnação.
Sabemos
que a certeza da reencarnação é apanágio de poucas almas na Terra a tal ponto
de Chico Xavier certa vez afirmar que os espíritos que guardam a certeza deste
princípio em seus corações não são almas originárias da Terra.
Como
princípio universal, a reencarnação é um tema que concerne à verdade e a
verdade, a pouco e pouco, se revela de modo irreversível.
Jesus,
portanto, não poderia, como não o fez, falar de um aspecto que, para ser
entendido, exigiria da parte dos que o ouviam a compreensão mais bem delineada
sobre a vida futura.
Compreensão
sobre a Vida Futura! Entender esta razão torna-se fundamental para entender
porque Jesus assim agiu.
O
Mestre, mais que qualquer um, sabia que todos os dogmas das religiões se
alicerçam, necessariamente, na vida futura; ela representa a pedra angular de
toda crença. Entretanto, a ideia que muitos faziam da vida futura era muito
vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Isso em razão das
religiões não serem claras e nem apresentarem tal como ela, vida futura, se
apresenta, de onde resulta muitas dúvidas e até a incredulidade.
Allan
Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo acrescenta que Jesus julgou
conveniente não apresentar, aos homens de sua época, a luz completa, percebendo
que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam. Limitou-se a,
de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei
da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir.
Dezoito
séculos depois, estando o homem mais maduro para apreender certas facetas da
verdade, surge o Espiritismo que completa o ensino do Cristo dando
materialidade às dúvidas da existência da vida futura, pois os próprios
espíritos desencarnados que lá se encontram, vem descrevê-la sob seus diversos
aspectos.
Na
maneira pela qual nos apresenta o futuro reside o triunfo do Espiritismo. O
quadro que apresenta é tão claro, tão simples, tão lógico, tão conforme à
justiça e à bondade de Deus, que involuntariamente dizemos: Sim, é bem assim
que deve ser; é assim que eu imaginava; e, se não havia acreditado, é porque outrora
me tinham mostrado a vida futura de outro modo.
Muito
mais que os de antigamente, os homens do presente querem compreender, pois só
se duvida daquilo que não se compreende.
Ademais,
Jesus sempre pregou e prega ao espírito imortal e não somente o homem como ser
encarnado. O espírito não tem muitas vidas; o espírito vivencia múltiplas
experiências dentro da Vida que é única. Neste contexto, a reencarnação se configura
como etapas que o espírito cumpre em sua infinita caminhada.
Portanto,
queridos leitores, tendo seu apogeu no diálogo que manteve com Nicodemos, o
assunto Reencarnação, se não foi mais claramente exposto por Jesus, é porque Ele
teve seus motivos, os quais devemos procurar melhor compreender!
Referência
(1) Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 410p.
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