segunda-feira, 22 de junho de 2026

 

Formação da alma coletiva do Brasil.

Com rara felicidade, o espírito Humberto de Campos, na monumental obra Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, psicografado por Francisco Cândido Xavier, descreve os bastidores espirituais da formação da alma coletiva do nosso querido país.

Em primeiro lugar, para formar a base da sociedade fraterna da pátria brasileira de glorioso porvir, surgiram os índios, que eram os simples de coração aguardando uma era nova, com o seu largo potencial de energia e bondade. Em segundo lugar,  viriam os escravos, como a expressão dos humildes e dos aflitos, para a formação da alma coletiva de um povo bem-aventurado.

Jesus, assim se refere a Ismael na explicação das características dos espíritos que viriam para a da terra do Cruzeiro:

“Abriga aí, na sagrada extensão dos territórios do país do Evangelho, todos os infortunados e todos os infelizes. No meu coração ecoam as súplicas dolorosas de todos os seres sofredores, que se agrupam nas regiões inferiores dos espaços próximos da Terra. Agasalha-os no solo bendito que recebe as irradiações do símbolo estrelado, alimentando-os com o pão substancioso dos sofrimentos depuradores e das lágrimas que lavam todas as manchas da alma.”

Esses infortunados e sofredores eram antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados, perdidos nos caminhos cheios da treva das suas consciências sombrias. Como se vê, as almas que por aqui aportariam estavam recebendo sublime oportunidade de expiação de seus erros transatos.

Grande maioria destas almas pelas suas renúncias, reencarnaram primeiramente nas costas da África e juntas a outros Espíritos em prova, formaram a falange abnegada que viria para o Brasil como escravos. Chegavam ao Brasil, miseráveis e desditosos, como se fossem animais bravios sem consciência. Basta recordar que o Brasil recebeu, aproximadamente, 4,8 milhões de africanos escravizados durante trezentos anos de tráfico.

 

Foi o próprio Cristo que explicou para Ismael como deveria ser a participação dos negros como povo formador da alma brasileira:

“Havia eu determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do planeta, buscando-se a colaboração dos povos sofredores das regiões africanas; todavia, para que essa cooperação fosse efetivada sem o atrito das armas, aproximei Portugal daquelas raças sofredoras, sem violências de qualquer natureza. A colaboração africana deveria, pois, verificar-se sem abalos perniciosos, no capítulo das minhas amorosas determinações.”

Jesus, o Divino Pastor, atendendo o comando do Pai Celestial, tinha tudo planejado desde há muito, preparando a reencarnação de espíritos evoluídos em uma miscigenação que só o princípio da reencarnação nos faz entender:

“(...) mais tarde, ordenarei a reencarnação de muitos Espíritos já purificados no sentimento da humildade e da mansidão, entre as raças oprimidas e sofredoras das regiões africanas, para formarmos o pedestal de solidariedade do povo fraterno que aqui florescerá (Brasil), no futuro, a fim de exaltar o meu Evangelho, nos séculos gloriosos do porvir.”

Milhões de almas para aportarem no Brasil, a fim de cumprirem a determinação superior, reencarnaram no continente Africano para alcançar a pátria do Evangelho por vias marítimas.

Pensando também no aspecto da formação religiosa, é digno de destaque o fato de Portugal ser uma nação eminentemente católica à época do descobrimento do Brasil. Apesar dos desvios seculares patrocinados pela Igreja Católica ao longo dos séculos, era ela, sem dúvida, o maior reduto do Cristianismo do mundo a quem fora conferido a condição de depositária dos princípios cristãos. 

Embora Portugal, como todas as demais nações, possuíam elementos da cobiça, da inveja e da ambição nos tempos das conquistas marítimas, o povo lusitano era portador de honradez aliada a grandes qualidades de valor e de sentimento, que a habilitaram colonizar o Brasil.

Tal condição, somada à miscigenação das raças que deu lugar nas terras do Cruzeiro, propiciou clima extremamente propício para que o Espiritismo, mais tarde, pudesse germinar. Essa situação deve ser especialmente considerada, pois outras nações americanas foram colonizadas por nações europeias com diferente formação religiosa, como por exemplo os Estados Unidos, colonizados pela Inglaterra, onde difundiu-se o Protestantismo. Isso nos leva a pensar que se outra nação, que não a Portuguesa, houvesse colonizado o Brasil, talvez o Espiritismo não tivesse encontrado espaço para sua propagação.

Dessa forma, a Doutrina Espírita encontrou no Brasil acolhimento religioso e cultural para a revivescência do Cristianismo. Na esteira destas condições, é razoável entender o porquê a nação portuguesa é, hoje, na Europa, o país que mais acolhe os ventos sublimes e renovadores da Doutrina Espírita.

Notemos que desde sua origem espiritual a alma coletiva do Brasil já era de formação heterogênea prenunciando a grande confraternização do porvir, caracterizando o coração do mundo que a todos irá acolher modelando a obra imortal do Evangelho de Jesus.

 

(*) Todos os grifos são nossos

 

Referência

(1) Humberto de Campos. Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 38ª ed. São Paulo. Editora FEB, 1938. 238p.

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