Formação
da alma coletiva do Brasil.
Com
rara felicidade, o espírito Humberto de Campos, na monumental obra Brasil,
coração do mundo, pátria do Evangelho, psicografado por Francisco Cândido
Xavier, descreve os bastidores espirituais da formação da alma coletiva do
nosso querido país.
Em
primeiro lugar, para formar a base da sociedade fraterna da pátria brasileira
de glorioso porvir, surgiram os índios, que eram os simples de coração
aguardando uma era nova, com o seu largo potencial de energia e bondade. Em segundo
lugar, viriam os escravos, como a expressão dos humildes e dos aflitos,
para a formação da alma coletiva de um povo bem-aventurado.
Jesus,
assim se refere a Ismael na explicação das características dos espíritos que
viriam para a da terra do Cruzeiro:
“Abriga aí, na sagrada
extensão dos territórios do país do Evangelho, todos os infortunados e todos
os infelizes. No meu coração ecoam as súplicas dolorosas de todos os seres
sofredores, que se agrupam nas regiões inferiores dos espaços próximos da Terra.
Agasalha-os no solo bendito que recebe as irradiações do símbolo estrelado,
alimentando-os com o pão substancioso dos sofrimentos depuradores e das
lágrimas que lavam todas as manchas da alma.”
Esses
infortunados e sofredores eram antigos batalhadores das cruzadas, senhores
feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados,
perdidos nos caminhos cheios da treva das suas consciências sombrias. Como se
vê, as almas que por aqui aportariam estavam recebendo sublime oportunidade de
expiação de seus erros transatos.
Grande
maioria destas almas pelas suas renúncias, reencarnaram primeiramente nas
costas da África e juntas a outros Espíritos em prova, formaram a falange
abnegada que viria para o Brasil como escravos. Chegavam ao Brasil, miseráveis
e desditosos, como se fossem animais bravios sem consciência. Basta recordar
que o Brasil recebeu, aproximadamente, 4,8 milhões de africanos escravizados
durante trezentos anos de tráfico.
Foi
o próprio Cristo que explicou para Ismael como deveria ser a participação dos
negros como povo formador da alma brasileira:
“Havia eu determinado que a
Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do planeta, buscando-se a
colaboração dos povos sofredores das regiões africanas; todavia, para que
essa cooperação fosse efetivada sem o atrito das armas, aproximei Portugal
daquelas raças sofredoras, sem violências de qualquer natureza. A colaboração
africana deveria, pois, verificar-se sem abalos perniciosos, no capítulo
das minhas amorosas determinações.”
Jesus,
o Divino Pastor, atendendo o comando do Pai Celestial, tinha tudo planejado
desde há muito, preparando a reencarnação de espíritos evoluídos em uma
miscigenação que só o princípio da reencarnação nos faz entender:
“(...) mais tarde, ordenarei
a reencarnação de muitos Espíritos já purificados no sentimento da humildade e
da mansidão, entre as raças oprimidas e sofredoras das regiões africanas,
para formarmos o pedestal de solidariedade do povo fraterno que aqui florescerá
(Brasil), no futuro, a fim de exaltar o meu Evangelho, nos séculos gloriosos do
porvir.”
Milhões
de almas para aportarem no Brasil, a fim de cumprirem a determinação superior,
reencarnaram no continente Africano para alcançar a pátria do Evangelho por
vias marítimas.
Pensando
também no aspecto da formação religiosa, é digno de destaque o fato de Portugal
ser uma nação eminentemente católica à época do descobrimento do Brasil. Apesar
dos desvios seculares patrocinados pela Igreja Católica ao longo dos séculos,
era ela, sem dúvida, o maior reduto do Cristianismo do mundo a quem fora
conferido a condição de depositária dos princípios cristãos.
Embora
Portugal, como todas as demais nações, possuíam elementos da cobiça, da inveja
e da ambição nos tempos das conquistas marítimas, o povo lusitano era portador
de honradez aliada a grandes qualidades de valor e de sentimento, que a
habilitaram colonizar o Brasil.
Tal
condição, somada à miscigenação das raças que deu lugar nas terras do Cruzeiro,
propiciou clima extremamente propício para que o Espiritismo, mais tarde,
pudesse germinar. Essa situação deve ser especialmente considerada, pois outras
nações americanas foram colonizadas por nações europeias com diferente formação
religiosa, como por exemplo os Estados Unidos, colonizados pela Inglaterra,
onde difundiu-se o Protestantismo. Isso nos leva a pensar que se outra nação,
que não a Portuguesa, houvesse colonizado o Brasil, talvez o Espiritismo não
tivesse encontrado espaço para sua propagação.
Dessa
forma, a Doutrina Espírita encontrou no Brasil acolhimento religioso e cultural
para a revivescência do Cristianismo. Na esteira destas condições, é razoável
entender o porquê a nação portuguesa é, hoje, na Europa, o país que mais acolhe
os ventos sublimes e renovadores da Doutrina Espírita.
Notemos
que desde sua origem espiritual a alma coletiva do Brasil já era de formação
heterogênea prenunciando a grande confraternização do porvir, caracterizando o
coração do mundo que a todos irá acolher modelando a obra imortal do Evangelho
de Jesus.
(*) Todos os grifos são nossos
Referência
(1) Humberto de Campos. Brasil,
coração do mundo, pátria do Evangelho. Psicografado por Francisco
Cândido Xavier. 38ª ed. São Paulo. Editora FEB, 1938. 238p.
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