Afetos que vem e que vão
Conhecer-se é o grande desafio
do ser humano. Sair de si mesmo deve ser o primeiro passo.
Fruto de um longo
amadurecimento, o ser reconhece que tudo o que viveu até então foi importante,
não renega as etapas que auxiliaram na sua formação, mas sabe que não deve
parar por aí.
A hora é de seguir adiante.
E seguir adiante é custoso, às
vezes.
As etapas vencidas ficam pra
trás e levam consigo anteriores companhias. A família espiritual cresce e de
acordo com os caminhos que escolhemos, muitos vão ficando pelo caminho para
também viverem suas experiências adquirindo discernimento e maturando-se
interiormente.
Nos preparar para viver este difícil
movimento de separação das almas afetas a nós que também lutam pelo próprio
crescimento, ainda que de forma transitória, trata-se de tarefa intransferível.
Mudanças necessárias! Tão
necessárias que ninguém evolui sem elas, pois ensejam atritos, desajustes e
afastamentos, que no lúcido dizer de Emmanuel é “o clima da adversidade
educativa” que nos obriga a revisar e recomeçar, nos tentames da elevação
própria.
São mudanças internas que nos
conduzem, invariavelmente, às mudanças externas.
Afinal, aquele que corrige a
vida por dentro manifesta, cedo ou tarde, a luz que já
conseguiu acender.
Ao nos elevarmos, no sentido
espiritual, nosso campo vibratório naturalmente tende a mudar. Respiramos novas
dimensões em que o espírito pode habitar, passando a compartilhar novos afetos
que compartilhem do mesmo ideal, novos ambientes com renovados e saudáveis
hábitos, incorporados à custa de esforço ao longo do tempo. Sem que isso
signifique sermos frios e indiferentes a todos os laços que construímos ao
longo de nossa trajetória evolutiva. Pelo contrário, devem ser motivo de eterna
gratidão.
Sejamos gratos, da mesma
forma, ao carinho dos Espíritos generosos, encarnados ou desencarnados anônimos,
que sempre nos amparam nas dificuldades, como verdadeiros anjos tutelares vindos do
sublime espaço.
O Espiritismo nos esclarece sobre a grande família universal a que todos fazemos parte, mas que muito pouco ainda conseguimos entender, principalmente em nossa vivência diária. Jesus, ao se referir a este assunto, provocou indignação e desentendimento ao falar: - "Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?" - em Mateus 12:48.
Infelizmente, ainda não cultivamos espaço mental para esta compreensão. Quando muito, a família consanguínea nos toma todo o tempo na vida na Terra. Muito pouco ou quase nada, de sentido transcendente, permitimo-nos vivenciar. O outro é tão somente o outro.
No clima do egoísmo será muito
difícil, para qualquer um, estabelecer metas para o autoconhecimento. Espírito
algum se burilará fechando os olhos para os que lhes rodeiam.
Mesmo como espírito puro, não esqueçamos que o próprio
Jesus, governador espiritual do planeta Terra, desceu par auxiliar e servir e
mesmo quando encarnado, não dispensou o auxílio dos companheiros de apostolado.
E Jesus, consoante ensino
espírita, é nosso modelo e guia.
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