segunda-feira, 6 de julho de 2026

 

A virtude como esporte da alma

O Espiritismo nos ensina que a virtude não é uma graça e nem um dom de Deus oferecido aos homens.

Aquele que a possui, adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. Isso porque todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?

Discorrendo sobre a virtude, Emmanuel em O Consolador, na questão 253, afirma que não é uma concessão da Divindade e sim:

“(...) sublime e imorredoura aquisição do espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio”.

Nessa linha da aquisição pelo esforço, Alexandre, o mentor de André Luiz na obra Missionários da Luz, compara a ginástica e os exercícios cotidianos que o homem executa como fatores valiosos à saúde, com a necessidade de compreender a virtude como esporte da alma, como ensinou Jesus. Se é louvável dedicarmos horas do dia à saúde do corpo físico, que mais cedo ou tarde há de degenerar, o que não dizer do empenho que deve existir com a saúde da alma imortal. São muito raros ainda, na Terra, os homens que reconhecem essa necessidade.

Significa então, caro leitor, que os germes das virtudes celestes dormitam em nossos corações e cabe a cada um, sua exteriorização. Durante a vida na Terra florescerão somente as que houvermos cultivado.

Em Provérbios a exaltação à mulher virtuosa era ressaltada séculos antes da vinda de Jesus Cristo à Terra:

“Suas grandes virtudes são a energia e a honra. Ela não se preocupa com o futuro. Fala com sabedoria e ensina e corrige com amor. Ela cuida muito bem da sua casa e nunca dá lugar à preguiça. Seus filhos a respeitam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Pode haver muitas esposas exemplares neste mundo, mas eu tenho certeza que nenhuma delas é melhor que você”

Buscar em Maria, a piedosa Mãe de Jesus, o símbolo das virtudes cristãs, tendo a humildade como das mais sublimes. Assim como, na resignação profunda e sincera dos pais de família, em favor do cuidado dos filhos ou no trabalhador que passa a vida inteira trabalhando ao Sol no preparo da terra, para o fabrico do pão. Ai, localizaremos muito maior grandeza, comparados a espíritos de elevada inteligência, às vezes perturbada, que outra coisa não fazem senão conturbar a marcha das criaturas.

Recordando o prefácio de o Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos:

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.”

Entendemos que os espíritos altamente elevados, as grandes vozes do Céu, são a representação da própria virtude.

Se estudarmos, detidamente, a vida de Jesus, encontraremos que Ele nos legou em suas lições o exemplo de todas as virtudes; por isso é considerado modelo e guia para a Humanidade.

Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam o homem de Deus e a paciência com a mais difícil de ser conquistada por nós, os espíritos da Terra.

Lázaro, estudando no Evangelho as virtudes da obediência e da resignação, as consideram irmãs e companheiras da doçura, tendo Jesus como a encarnação das mesmas. Nesse estudo, revela ainda Lázaro que a virtude da nossa geração é a atividade intelectual; sendo a indiferença moral, seu vício.

O espírito François-Nicolas-Madelaine, que foi na Terra o Cardeal Morlot e demonstrou porque na Terra não é possível a felicidade plena, afirmou no Evangelho que:

“... a virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.”

Acrescentou ainda:

“Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho”.

Fénelon designa como virtudes filhas do amor, a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício. Delas, a Terra se repletará quando purificada.

Vicente de Paulo destaca a caridade, a mais pura emanação do Criador, como a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras.

O espírito Miguel atribui à piedade, celeste precursora da caridade, como a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a piedade, bem vivenciada, que nos comove à vista dos sofrimentos de nossos irmãos e nos impele a estender a mão para socorrê-los.

Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios, (13:1 a 7 e 13) destacando três virtudes: a Fé, a Esperança e a Caridade, coloca esta última acima da Fé e da Esperança.

O iluminado espírito de Chico Xavier, considerava o perdão a virtude mais difícil de ser posta em prática e explicava:

“Considero a virtude mais difícil de ser posta em prática, a do perdão, pois perdoar exige um esforço de autossuperação muito grande… Emmanuel me diz que quem aprende a perdoar tem caminho livre pela frente. Creio que, por este motivo, a derradeira lição de Jesus para a Humanidade foi a do perdão!…Ele a deixou por último, esperando o momento em que pudesse exemplificá-la… É claro que Ele se referira ao perdão em diversas oportunidades, mas, na hora da cruz, padecendo toda espécie de humilhação, o ensinamento do perdão foi gravado a fogo na consciência da Humanidade… Ninguém sofreu e perdoou como Ele!…O Espírito que adquirir a virtude do perdão não achará dificuldade em mais nada; haja o que houver, aconteça o que acontecer, ele saberá administrar a sua vida…”

De tudo, alcancemos as virtudes com nossos esforços, cumprindo nossos deveres para com Deus e o próximo, pois do contrário a virtude solitária se transforma em pão na vitrine ou como diz Emmanuel, virtude sem proveito é brilhante no deserto.

(*) Todos os grifos são meus.

 

Referências

(1) Emmanuel. O Consolador. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 11ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 233p.

(2) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(4) Baccelli, Carlos A. O Evangelho de Chico Xavier. 1ª ed. Casa Editora Espírita Pierre Paul Didier, 2000. 171p.

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