segunda-feira, 20 de abril de 2026

 

Tríade do barulho.

Uma tríade há, que cada vez mais amplia sua frequência aumentando uma triste estatística nos programas de saúde, e por esta razão deve merecer sempre muito cuidado e atenção por parte dos que com ela convivem.

Trata-se da depressão-obsessão-suicídio.

Embora nem sempre ocorra nesta sequência necessariamente, certo é que se encontram, normalmente, entrelaçadas.

A depressão, segundo a medicina terrestre, resulta de uma interação complexa de fatores sociais, psicológicos e biológicos, sendo que pessoas que passaram por eventos adversos na vida (desemprego, luto, eventos traumáticos) têm maior probabilidade de desenvolvê-la.

Estima-se que 4% da população mundial, aproximadamente 350 milhões de pessoas no mundo sofrem depressão, de acordo com dados do ano de 2021.

Conhecida como uma doença de origem milenar, já na Grécia Antiga, Hipócrates, há mais de 400 anos antes de Cristo, dizia:

"Se o medo e a tristeza duram muito tempo, esse estado é melancolia"

Considerado o pai da Medicina, Hipócrates, desenvolveu a teoria dos humores, descrevendo como "melancolia", uma doença decorrente de um desequilíbrio dos humores corporais, especificamente o excesso de "bile negra".  

Freud, em 1917, descreveu-a em sua obra "Luto e Melancolia" como uma perda de um objeto (pessoa ou ideal) que o indivíduo não consegue superar.

No início do século XIX com o surgimento da psiquiatria como disciplina médica, o termo depressão, do latim "depressio", que significa depressão, passou a fazer sentido e foi incluída na classificação dos transtornos mentais.

Infelizmente, por não reconhecer a existência do Espírito, a nossa medicina tradicional, mais terapêutica do que preventiva, abre mão de conhecer uma das mais fortes origens deste transtorno. Porém, aos poucos, este quadro tem se alterado para melhor.

Allan Kardec no livro A Obsessão (1950) esclarece, a respeito da importância do Espiritismo para lidar com estas alterações:

“Abrindo novos horizontes a todas as ciências, o Espiritismo vem, também, esclarecer a questão muito obscura das doenças mentais, assinalando uma causa que, até agora, não era levada em conta: causa real, evidente, provada pela experiência e cuja verdade mais tarde será reconhecida. Mas como levar a admitir-se tal causa pelos que estão sempre dispostos a mandar para o hospício quem quer que tenha a fraqueza de acreditar que temos alma e que está representa um papel nas funções vitais, sobrevive ao corpo e pode atuar sobre os vivos?  

E acrescenta vaticinando para a medicina no futuro:

“Graças a Deus, e para o bem da Humanidade, as ideias espíritas fazem maior progresso entre os médicos do que era dado esperar e tudo leva a crer que, em futuro não muito remoto, a medicina sairá enfim da rotina materialista.”

          Considerando o assunto em pauta neste artigo, destaco de capital importância a resposta dada pelos espíritos superiores a Allan Kardec à questão 459 de O Livro dos Espíritos, à qual pode até causar muita estranheza para os neófitos:

“Influem os Espíritos em nossos pensamentos e atos?

R. Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que de ordinário, são eles que vos dirigem”

A estes que são “dirigidos”, Kardec se referia, principalmente, aos encarnados totalmente ignorantes das realidades espirituais e da continuidade da vida após a desencarnação. E representam enorme massa da população mundial. 

Em número muito maior que os habitantes da Terra, os que habitam sua dimensão espiritual adjacente, formam uma imensa população invisível que nos acompanha e influencia. Sabedor desta verdade, Paulo, o apóstolo, na Epístola aos Hebreus afirma que: “estamos rodeados dessa grande nuvem de testemunhas.”

Vamos tentar entender melhor, aprofundando um pouco no tema.

No livro Os mensageiros, o instrutor Telésforo afirma que:

“a maioria dos homens na Terra encontram-se absolutamente distraídos das realidades eternas. A mente humana abre-se, cada vez mais, para o contato com as expressões invisíveis, dentro das quais funciona e se movimenta. Isto é uma fatalidade evolutiva.”

Quer dizer que, cada vez mais, a mediunidade irá se ampliar, generalizando-se, como se espera, por ser uma das faculdades do espírito em desenvolvimento. Como ele disse, e repito, faz parte da evolução do espírito imortal. E não tem volta! O que é fundamental é que o homem se informe a respeito.

O instrutor Telésforo prossegue:

“Atendido, porém, o corpo revelará as necessidades da alma e vemos agora a criatura terrestre assoberbada de problemas graves, não só pelas deficiências de si própria, senão também pela espontânea aproximação psíquica com a esfera vibratória de milhões de desencarnados, que se agarram à Crosta planetária.”

A OMS (Organização Mundial de Saúde) aposta que em 2030 a depressão já será a doença mais comum do mundo, à frente de problemas cardíacos e cânceres. E o que é mais preocupante é que ao redor de 15% das pessoas com depressão grave cometem suicídio.

Esmagadora percentagem de habitantes da Terra não se preparou para os atuais acontecimentos evolutivos. Dessa aproximação das vibrações dos espíritos desencarnados de condição inferior aos homens da Terra, resultarão angustiosos conflitos ao espírito humano.

Embora a depressão seja um fator de indução ao suicídio, não é determinante. O suicida não estará isento de responsabilidade por seu ato, porquanto, em última instância, foi ele quem optou pela comprometedora fuga.

Pode alguém ser levado ao suicídio por influência de Espíritos obsessores? Respondemos que sim e que acontece com frequência. O espírito obsessor infiltrado nos pensamentos do obsidiado, insiste na ideia do suicídio, que repercute, incessantemente, em sua tela mental, podendo induzi-lo à iniciativa.

Como se vê, temos muito trabalho pela frente!

Um expressivo número dos transtornos mentais, embora não exclusivamente, origina-se de conflitos espirituais, relacionados com desajustes de vidas passadas, assim como pressões obsessivas da vida presente.

Só não percebe quem não quer, a incidência cada vez mais vertiginosa dos casos de sofrimento mental entre os encarnados lotando os consultórios dos médicos especialistas e dos sanatórios, sendo tratados com técnicas e medicações muito respeitáveis, que auxiliam em muito a remissão das alterações, porém, permanecem ignorando um dos fatores essenciais e fortemente envolvidos na gênese destas mesmas alterações: a sobrevivência e continuidade da vida do espírito imortal. Já vivíamos antes do berço e continuaremos a viver depois do túmulo, onde colheremos as consequências do que fizemos de nossa vida e de nosso corpo.

Jesus, em uma de suas mais marcantes expressões, afirma no Evangelho de João (8;32):

"E conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres.”

Muitos enganos e desatinos, vícios e maldades da criatura humana sustentam-se, quase sempre, na ignorância.

Muitos de nossos desajustes e enfermidades estão estreitamente relacionados com influências espirituais. Nada, porém, passível de sustos, desde que nos esclareçamos sobre o assunto, buscando a verdade, dispostos a seguir os caminhos de libertação sinalizados pela Doutrina Espírita.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. A Obsessão. Origens, sintomas e cura. Tradução de Wallace Leal V. Rodrigues. 8ª ed.  Brasília. Editora O CLARIM, 2022. 288p.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) 2021 Global Burden of Disease (GBD) [base de dados online]. Seattle: Institute for Health Metrics and Evaluation; 2024 ( https://vizhub.healthdata.org/gbd-results/ , acessado em 17 de Abril de 2026).

(4) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

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