Encarnar na Terra não é para amador!
Em que
pese a reconhecida importância que representa uma reencarnação na Terra, nos é
perfeitamente lícito afirmar que, encarnar neste planeta não é para amador não!
Das
observações que faço dos fatos rotineiros do dia-a-dia, assim como das leituras
atentas das obras espíritas, enfatizando as
de Chico Xavier, descrevendo o martírio de irmãos que aqui erraram; das
notícias veiculadas pelos órgãos de comunicação, que normalmente enfatizam as
tragédias de toda ordem; a corrupção quase generalizada entre aqueles que deviam
bem nos representar; a violência de todos os matizes contra os outros e a si
mesmo; a imoralidade a campear em chiques gabinetes e tantos outras, posso repetir
tranquilamente: encarnar na terra não é para espírito amador.
Entretanto,
não nos iludamos, pois se a humanidade como um ser coletivo manifesta desordem,
as leis que presidem aos destinos do planeta se expressam com absoluta
harmonia.
Como
vai afirmar Emmanuel, no livro Roteiro, psicografado por Chico Xavier,
“(...)ante a grandeza infinita
da vida que nos cerca (na Terra), não passamos de crianças no conhecimento
superior.”
Crianças
aliás, muito indisciplinadas que, vire e mexe, precisam da antiga (creio eu, tem
feito falta) “energia” com que os antigos professores (saudades) lidavam com
estas situações em sala de aula.
Mas
o assunto que pretendo desenvolver neste artigo, com todos estes considerandos
acima em mente, trata-se da real dificuldade que é encarnar na Terra, como bem
se expressa Dona Laura no capítulo 47 – A volta de Laura - no livro Nosso Lar,
como sendo a “...reencarnação sempre uma tentativa de magna importância”.
O
verbo usado na frase destacada “tentar” já diz tudo.
Será
que conseguiremos?
Cumpriremos
algo dos nossos deveres?
Nossa
realização, enquanto espíritos profundamente necessitados será nula, parcial ou
avançada?
Temos
de nos compenetrar que habitamos transitoriamente este maravilhoso educandário,
limitado pelas nossas imperfeições. E é provável ser este o motivo da
incapacidade de nossa mais ampla realização no bem. Algo como querer, mas não
poder; ansiar, mas não conseguir...
Cabe
aqui belo e interessante ensino do Dr. Inácio Ferreira em obra psicografada por
Carlos Baccelli – Cartas do Dr. Inácio aos espíritas – que diz:
“É como se, interiormente, ainda
não fossemos fortes o bastante. Temos caminhado, mas nos falta maior
determinação para que possamos vencer a enorme distância entre o que somos e o
que precisamos ser.”
Partamos
então, a meu ver, para o ponto principal deste emaranhado de pensamentos que
gostaria pudesse ser útil a alguém que lhe passar os olhos.
Para
nossa reflexão e aprendizado desejo citar, em síntese, a experiência do irmão Otávio
que se encontra registrada na obra Os Mensageiros, transmitido por André
Luiz e psicografado pelo apóstolo Chico Xavier.
Em
sua narrativa, Otávio possuía consciência de si mesmo e era superiormente informado
sobre as leis da vida.
Permita-me
transcrever importante trecho que nos esclarece sobre a situação de Otávio:
“Não desconhecia o roteiro
certo, que o Pai me designava para as lutas na Terra. Não possuía títulos
oficializados de competência; entretanto, dispunha de considerável cultura
evangélica, coisa que, para a vida eterna, é de maior importância que a cultura
intelectual, simplesmente considerada. Tive amigos generosos do plano
superior, que se faziam visíveis aos meus olhos, recebi mensagens repletas de
amor e sabedoria e, no entanto, cai mesmo assim, obedecendo à imprevidência e à
vaidade.”
Referindo-se
a estas condições acima apresentadas, que, a princípio, tornava-lhe
extremamente favorável sua trajetória sobre a Terra, Otávio, aflito, lamenta-se
constatando:
“Os mordomos de bens da
alma estão investidos de responsabilidades pesadíssimas.”
E
pesaroso nos informa:
“O missionário é obrigado a
caminhar com um patrimônio de certezas tais, que coisa alguma o exonera
das culpas adquiridas.”
Sugiro
fortemente a leitura de todo o capítulo 7 desta obra que descreve a queda de
Otávio que retornou à pátria espiritual antes de completar 40 anos de idade
em situação deplorável.
Veja
que estamos falando de um irmão que, segundo é revelado na obra, se preparou
por 30 anos consecutivos para encarnar na Terra, desejoso de saldar contas
e elevar-se alguma coisa.
Verifique
que o tempo de preparação no mundo espiritual, proporcionalmente, foi maior que
o tempo que permaneceu encarnado, se considerarmos, como nos elucida o próprio
André Luiz, que o espírito readquire sua autonomia, despertando para a
existência física, no período da adolescência. Ainda assim, merecedor de toda
esta preparação, encarnado, Otávio ignorou estas verdades eternas.
Recordo
as palavras de Jesus, em Lucas 23:31, sendo levado à crucificação, alertando:
“Pois, se fazem isto com a tronco
verde, o que acontecerá com o lenho seco?"
Para
finalizar, deixo um questionamento, que normalmente dirijo aos companheiros que
frequentam nossas reuniões de estudo no Grupo Espírita da Fraternidade: Caso
não fossemos abençoados pelo conhecimento do Espiritismo que tanto nos tem
felicitado, o que estaríamos fazendo agora? Como estariam nossos caminhos? E nossas
escolhas? Teriam sido as mesmas?
Bem,
de posse destas reflexões, procuremos avançar, sem a ilusão que estejamos
imunes às circunstâncias difíceis e desafiadoras que sempre estaremos sujeitos
enquanto necessitarmos encarnar na Terra.
(*) Todos os grifos são meus.
Referências
(2) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.
(3) Ferreira, Inácio. Cartas do
Dr. Inácio aos Espíritas. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª
ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2008. 240p
(4) Luiz, André. Os
Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.
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