segunda-feira, 27 de abril de 2026

 

Encarnar na Terra não é para amador!

Em que pese a reconhecida importância que representa uma reencarnação na Terra, nos é perfeitamente lícito afirmar que, encarnar neste planeta não é para amador não!

Das observações que faço dos fatos rotineiros do dia-a-dia, assim como das leituras atentas das obras espíritas, enfatizando as  de Chico Xavier, descrevendo o martírio de irmãos que aqui erraram; das notícias veiculadas pelos órgãos de comunicação, que normalmente enfatizam as tragédias de toda ordem; a corrupção quase generalizada entre aqueles que deviam bem nos representar; a violência de todos os matizes contra os outros e a si mesmo; a imoralidade a campear em chiques gabinetes e tantos outras, posso repetir tranquilamente: encarnar na terra não é para espírito amador.

Entretanto, não nos iludamos, pois se a humanidade como um ser coletivo manifesta desordem, as leis que presidem aos destinos do planeta se expressam com absoluta harmonia. 

Como vai afirmar Emmanuel, no livro Roteiro, psicografado por Chico Xavier,

“(...)ante a grandeza infinita da vida que nos cerca (na Terra), não passamos de crianças no conhecimento superior.”

Crianças aliás, muito indisciplinadas que, vire e mexe, precisam da antiga (creio eu, tem feito falta) “energia” com que os antigos professores (saudades) lidavam com estas situações em sala de aula.

Mas o assunto que pretendo desenvolver neste artigo, com todos estes considerandos acima em mente, trata-se da real dificuldade que é encarnar na Terra, como bem se expressa Dona Laura no capítulo 47 – A volta de Laura - no livro Nosso Lar, como sendo a “...reencarnação sempre uma tentativa de magna importância”.

O verbo usado na frase destacada “tentar” já diz tudo.  

Será que conseguiremos?

Cumpriremos algo dos nossos deveres?

Nossa realização, enquanto espíritos profundamente necessitados será nula, parcial ou avançada?

Temos de nos compenetrar que habitamos transitoriamente este maravilhoso educandário, limitado pelas nossas imperfeições. E é provável ser este o motivo da incapacidade de nossa mais ampla realização no bem. Algo como querer, mas não poder; ansiar, mas não conseguir...

Cabe aqui belo e interessante ensino do Dr. Inácio Ferreira em obra psicografada por Carlos Baccelli – Cartas do Dr. Inácio aos espíritas – que diz:

“É como se, interiormente, ainda não fossemos fortes o bastante. Temos caminhado, mas nos falta maior determinação para que possamos vencer a enorme distância entre o que somos e o que precisamos ser.”

Partamos então, a meu ver, para o ponto principal deste emaranhado de pensamentos que gostaria pudesse ser útil a alguém que lhe passar os olhos.

Para nossa reflexão e aprendizado desejo citar, em síntese, a experiência do irmão Otávio que se encontra registrada na obra Os Mensageiros, transmitido por André Luiz e psicografado pelo apóstolo Chico Xavier.

Em sua narrativa, Otávio possuía consciência de si mesmo e era superiormente informado sobre as leis da vida.

Permita-me transcrever importante trecho que nos esclarece sobre a situação de Otávio:

“Não desconhecia o roteiro certo, que o Pai me designava para as lutas na Terra. Não possuía títulos oficializados de competência; entretanto, dispunha de considerável cultura evangélica, coisa que, para a vida eterna, é de maior importância que a cultura intelectual, simplesmente considerada. Tive amigos generosos do plano superior, que se faziam visíveis aos meus olhos, recebi mensagens repletas de amor e sabedoria e, no entanto, cai mesmo assim, obedecendo à imprevidência e à vaidade.”

Referindo-se a estas condições acima apresentadas, que, a princípio, tornava-lhe extremamente favorável sua trajetória sobre a Terra, Otávio, aflito, lamenta-se constatando:

“Os mordomos de bens da alma estão investidos de responsabilidades pesadíssimas.”

E pesaroso nos informa:

“O missionário é obrigado a caminhar com um patrimônio de certezas tais, que coisa alguma o exonera das culpas adquiridas.”

Sugiro fortemente a leitura de todo o capítulo 7 desta obra que descreve a queda de Otávio que retornou à pátria espiritual antes de completar 40 anos de idade em situação deplorável.

Veja que estamos falando de um irmão que, segundo é revelado na obra, se preparou por 30 anos consecutivos para encarnar na Terra, desejoso de saldar contas e elevar-se alguma coisa.

Verifique que o tempo de preparação no mundo espiritual, proporcionalmente, foi maior que o tempo que permaneceu encarnado, se considerarmos, como nos elucida o próprio André Luiz, que o espírito readquire sua autonomia, despertando para a existência física, no período da adolescência. Ainda assim, merecedor de toda esta preparação, encarnado, Otávio ignorou estas verdades eternas.

Recordo as palavras de Jesus, em Lucas 23:31, sendo levado à crucificação, alertando:

“Pois, se fazem isto com a tronco verde, o que acontecerá com o lenho seco?"

Para finalizar, deixo um questionamento, que normalmente dirijo aos companheiros que frequentam nossas reuniões de estudo no Grupo Espírita da Fraternidade: Caso não fossemos abençoados pelo conhecimento do Espiritismo que tanto nos tem felicitado, o que estaríamos fazendo agora? Como estariam nossos caminhos? E nossas escolhas? Teriam sido as mesmas?

Bem, de posse destas reflexões, procuremos avançar, sem a ilusão que estejamos imunes às circunstâncias difíceis e desafiadoras que sempre estaremos sujeitos enquanto necessitarmos encarnar na Terra.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Emmanuel. Roteiro. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro. Editora FEB, 9ª Edição,1994. 170p.

(2) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

(3) Ferreira, Inácio. Cartas do Dr. Inácio aos Espíritas. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2008. 240p

(4) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

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