segunda-feira, 13 de abril de 2026

 

"As Trevas são organizadas"

Os espíritos inferiores, que muitas vezes são denominados espíritos das trevas, são almas que, criadas por Deus, em determinado momento de sua jornada evolutiva, encarnados ou desencarnados, deliberam conscientes e atendendo o próprio arbítrio, infringir a Lei Divina se comprazendo em praticar o mal.

Segundo Kardec no livro O Céu e o Inferno o Espiritismo, ao contrário de outras crenças não os reconhece como demônios por se prender à ideia de uma criação distinta do gênero humano, como seres de natureza essencialmente perversa, votados ao mal eternamente e incapazes de qualquer progresso para o bem.

Há Espíritos em todos os graus de adiantamento, moral e intelectual, e nestes diversos graus existe ignorância e saber, bondade e maldade.

Na questão 131 de O Livro dos Espíritos encontramos a lúcida palavra dos espíritos superiores sobre os seres imperfeitos:

“Os homens fizeram com os demônios o que fizeram com os anjos. Como acreditaram na existência de seres perfeitos desde toda a eternidade (anjos), tomaram os Espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. Por demônios se devem entender os Espíritos impuros, que muitas vezes não valem mais do que as entidades designadas por esse nome, mas com a diferença de ser transitório o estado deles.”

Lísias, no diálogo com André Luiz, no capítulo 44 de Nosso Lar, denominado As Trevas, traz luz sobre esta questão:

“Considere as criaturas como itinerantes da vida. Alguns poucos seguem resolutos, visando ao objetivo essencial da jornada. Outros, preferindo caminhar às escuras, pela preocupação egoística que os absorve, costumam cair em precipícios, estacionando no fundo do abismo por tempo indeterminado.

Curioso, André questiona sobre estas almas que caem:

Entretanto, que me diz dessas quedas? Verificam-se apenas na Terra? Somente os encarnados são suscetíveis de precipitação no despenhadeiro?

A que Lísias responde:

“Em qualquer lugar, o Espírito pode precipitar-se nas furnas do mal.”

Não somente os encarnados, mas também os desencarnados com os atos praticado na erraticidade se comprometem e podem arcar com suas irresponsabilidades em regiões mais profundas de dor e sofrimento.

Acrescenta o enfermeiro amigo:

“Há esferas de vida em toda parte. (...) Naturalmente, como aconteceu a nós outros, você situou como região de existência, além da morte do corpo, apenas os círculos a se iniciarem da superfície do globo para cima, esquecido do nível para baixo. A vida, contudo, palpita na profundeza dos mares e no âmago da terra.”

Compreendo que o entendimento sobre este tema, não seja assim tão simples. Espíritos existem em toda parte, inclusive no interior da terra (com letra minúscula, não nos referindo ao planeta Terra).

Como o Consolador prometido por Jesus, a doutrina espírita desde seu aparecimento, vem sofrendo constantes e fortes investidas destes nossos irmãos, temporariamente estacionados nas sombras. Exemplo desta investida que não poupa ninguém, em certo período, Allan Kardec chegou a afirmar que a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas havia se transformado num foco de intrigas contra ele.

O Espiritismo não é uma doutrina comum, mas o espírita sim e repleto de vícios e imperfeições nas quais os espíritos das trevas, nossos irmãos, se apoiam para agir. Precisamos estar atentos, pois não somos melhores que ninguém e sim, muito mais responsáveis e responsabilizados seremos pelo conhecimento que possuímos.

Chico Xavier, alertou em várias oportunidades, aos que tinham ouvidos de ouvir, que as trevas eram organizadas. Portanto, não desdenhemos desta capacidade, pois quando menos esperamos, podemos estar, por elas, envolvidos.

O irmão Alexandre, no livro Os Missionários, no capítulo 11 – Intercessão - explica a ação malfazeja dos espíritos que, em desencarnando, mantém no além a postura da maldade, dando formação a verdadeiros bandos de delinquentes dedicados à pratica do mal:

“Irmãos desencarnados, em vultuoso número revoltam-se nos círculos da ignorância que lhes é própria e constituem as chamadas legiões das trevas, que afrontaram o próprio Jesus, por intermédio de obsidia dos diversos. Organizam-se diabolicamente, formam cooperativas criminosas e ai daqueles que se transformam em seus companheiros! Os que caem na senda evolutiva, pelo descaso das oportunidades divinas, são escravos sofredores desses transitórios, mas terríveis poderes das sombras, em cativeiro que pode caracterizar se por longa duração.”

Além de confrontarem a Jesus, inutilmente, reconheçamos, fazem dos que desencarnam, que a eles se sintonizam, escravos sofredores e cativos por longo tempo.

A irmã Zenóbia em Obreiros da Vida Eterna, no capítulo 4 – A casa transitória – acrescenta para nosso saber, outra prisma da questão dos espíritos trevosos:

“A tragédia bíblica da queda dos anjos luminosos, em abismos de trevas, repete-se todos os dias, sem que o percebamos em sentido direto. Quantos gênios da Filosofia e da Ciência dedicados à opressão e à tirania! quantas almas de profundo valor intelectual se precipitam no despenhadeiro de forças cegas e fatais.”

Refere-se Zenóbia, a situações bem atuais, infelizmente, na sociedade que vivemos hoje. Autoridades políticas, juízes, grandes pensadores, cientistas, enfim, pessoas que se passam por modelos no grupo social, podem de fato, serem, verdadeiros gênios da maldade, revestidos em peles de cordeiro.

E acrescenta:

“Insurgem-se contra o próprio Criador, aviltando-se na guerra prolongada às suas divinas obras. Agrupam-se em sombrias e devastadoras legiões, operando movimentos perturbadores que desafiam a mais astuta imaginação humana e confirmam as velhas descrições mitológicas do inferno.”

Veja meus caros leitores, “aviltando-se na guerra prolongada às suas divinas obras”, guerra contra Deus, nosso Pai e Criador.

Na Terra, combatem e desafiam Jesus de todas as maneiras possíveis. Intentam de todas as formas, como revelou, certa feita Chico Xavier, tirar Jesus do Espiritismo. Sem Jesus e seu Evangelho, a Doutrina Espírita não faz sentido e não passará de uma religião comum como as demais que se perderam pelo caminho.

Por esta razão é que, sub-repticiamente, após o desencarne de Chico Xavier, aumentou o número de espíritos interessados em que o Espiritismo deixe de ser, como diz Emmanuel “o processo libertador de consciências”, e agem influenciando espíritas invigilantes, combatem a ideia de que Chico Xavier foi Kardec reencarnado.

Como a obra mediúnica de Chico Xavier é toda voltada para Jesus, ao combater está lúcida e verdadeira ideia, no fundo o que se deseja é combater o Cristo. Dizendo que Chico não estava à altura de Kardec o intuito é o de impedir a maior aproximação do Espiritismo ao Evangelho.

É necessário estudar as obras de Kardec e de Chico Xavier, e em paralelo trabalhar nossos sentimentos, não perdendo de vista a proposta principal do Espiritismo que é a renovação íntima da criatura, auxiliando assim, Jesus a estabelecer o Reino Divino em nossos corações e onde estivermos e para onde formos não haverá trevas, e a luz prevalecerá. 

 

(*) Todos os grifos são nossos

 

Referências

1) Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manoel Justiniano Quintão, 35ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 425p.

2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

3) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

4) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

5) Luiz, André. Obreiros da vida eterna. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília. Editora FEB, 1946. 304p.


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