Anda faltando estudo, cérebro ou intenção desinteressada.
No prefácio do segundo livro da série A Vida no Mundo Espiritual, - Os Mensageiros (*) - o preclaro mentor que supervisiona a série, Emmanuel, faz referência ao aspecto da materialidade no mundo espiritual que causou e ainda continua causando espécie em inúmeros espíritas e demais leitores, quando da leitura de Nosso Lar, primeira obra do espírito André Luiz, pela mediunidade de Chico Xavier da referida série.
O registro do benfeitor realizado
logo no primeiro parágrafo do prefácio, percebe-se de imediato, a preocupação
do mentor em estabelecer clareza sobre o tema. Afirma Emmanuel:
“Lendo este livro, que relaciona algumas
experiências de mensageiros espirituais, certamente muitos leitores concluirão,
com os velhos conceitos da Filosofia, que “tudo está no cérebro do homem”, em
virtude da materialidade relativa das paisagens, observações, serviços e
acontecimentos.”
Procurando
entender o desafiador parágrafo acima, nos é lícito deduzir que muitos que
lerem esta obra, assim como a anterior, Nosso Lar, se espantem e se surpreendam
com os aspectos materiais muito bem registrados. Casas, móveis, instrumentos
musicais, paisagens, presença de animais, serviços (lembram-se, dentre muitos
outros informes, das fábricas de sucos, tecidos e artefatos em geral que
empregam mais de 100 mil habitantes em Nosso Lar???).
Os críticos
contumazes e mesmos os que não conseguem entender o recado de Emmanuel,
certamente questionarão assombrados, se os espíritos também trabalham? Se os
espíritos para se deslocarem necessitam tomar veículos que os transportem? Eles,
os espíritos desenarnados, também se alimentam? Estudam? Os espíritos tem e
realizam necessidades fisiológicas? E se as possuem, onde é que as realizam? Em
qualquer lugar ou em lugar apropriado como temos em nossas residências aqui na
Terra?
Afirmarão,
categoricamente, os contraditores e os críticos da análise superficial, que
tudo está na cabeça do homem e que não existe o mundo espiritual. Que as obras
que trazem estas informações não passam de projeções da mente criativa do autor
encarnado, Chico Xavier. São, portanto, obras de ficção e como tal devem ser
consideradas. Defende a Filosofia, que se morre e tudo se aniquila no túmulo.
Imaginemos nas
décadas de 1940 e 1950, quando a maior parte das obras de André Luiz foi
psicografada, a grandeza e superioridade do médium Chico Xavier que tendo
sofrido duras críticas e perseguições, principalmente de espíritas, permaneceu
perseverante em seu trabalho para dar continuidade, como Allan Kardec
reencarnado, à obra que iniciara em meados do século dezenove.
O trecho do prefácio de Emmanuel
destacado, trata-se de um verdadeiro alerta para que cuidemos e pensemos mais
apropriadamente, sobre este e outros temas, baseados nos próprios conceitos que
a Doutrina Espírita apresenta.
Abrindo um parêntese, oportuníssimo
trazermos a este nosso estudo o texto contido no Evangelho Segundo o
Espiritismo no capítulo dezessete – Sede Perfeitos – no item 4, Os Bons
espíritas. Diz assim:
A doutrina não contém alegorias nem figuras que
possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma
e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência.
Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer
segredo, oculto ao vulgo. Será então necessária, para compreendê-la, uma
inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade
que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas
saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais
delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da
ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um
certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral,
maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao
desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.
Da oportunidade e clareza deste texto, no que
se refere aos ensinos espíritas, acreditamos que tem faltado estudo, detida
reflexão e, além da certa maturidade do senso moral, infelizmente
podemos suspeitar daqueles que, interessada e deliberadamente desejam se opor
às obras e informações contidas em André Luiz.
Fechando o parêntese, na
continuidade, mas ainda dentro desta temática, vai dizer Emmanuel - sugiro a
leitura de todo o prefácio – que a simples circunstância da morte física
somente guinda o homem a outro campo vibratório, não lhe conferindo, a menos
que para isto tenha feito por onde, o ingresso nos domínios angélicos.
Ninguém se tornará anjo somente
porque morreu. Sabiamente, diz o Dr. Inácio em obra de sua lavra, que “o mundo
espiritual que rodeia o orbe terrestre é habitado por homens e não por anjos.”
Raciocinemos, portanto, em torno
do porquê Emmanuel faz este alerta no início da obra Os Mensageiros. Essa
advertência do mentor não foi por acaso. Suas escolhas, para comporem os
prefácios de todos os livros desta série, ditadas por André Luiz, foram
escolhidas a dedo. Tudo que ali se encontra registrado tem um profundo
ensinamento e lúcida explicação que somente aguarda nossa capacidade de extrair
da letra a lição, o esclarecimento.
Este assunto, referente à materialidade que ainda encontraremos no mundo
espiritual adjacente à dimensão que habitamos, é muito claro e profundamente
lógico. Consultem a obra Nosso Lar, no capítulo 37 - A Preleção da Ministra –
que elucida sublimemente:
“Será crível que, somente por admitir o poder do
pensamento, ficasse o homem liberto de toda a condição inferior?
Impossível! Uma existência secular, na carne terrestre, representa período
demasiadamente curto para aspirarmos à posição de cooperadores
essencialmente divinos. Informamo-nos a respeito da força mental no aprendizado
mundano, mas esquecemos que toda a nossa energia, nesse particular, tem sido
empregada por nós, em milênios sucessivos, nas criações mentais destrutivas ou
prejudiciais a nós mesmos.”
O poder mental, nas almas
sublimes e purificadas sim, pode plasmar e construir projetos também superiores.
Em A Caminho da Luz, Emmanuel, autor espiritual, designa Jesus como o Escultor
Divino “operando a escultura geológica do orbe terreno.” No âmbito
espiritual, o Evangelho é a ação plasmadora do pensamento de Jesus sobre o
psiquismo dos homens.
Sobra para nós o que afirma o
Ministro Flácus no livro Libertação: “não passamos, por enquanto, de
bactérias, controladas pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor.”
Para aqueles irmãos que gostariam
de viver em mundos mais sutis e diáfanos, se assim podemos nos expressar, onde
a força mental é capaz de operar maravilhas, que ao desencarnar, peguem um
elevador que os conduzam para mundos espirituais mais elevados. Mas cuidado!!!
Cuidado para não serem pegos pelo
Rei que, vigilante e que a tudo vê, o surpreenderá sem trajar a túnica nupcial
e, no cumprimento da soberana justiça, ordenará aos seus humildes servos “Amarrai-o
de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá
pranto e ranger de dentes.”
(*) O estudo
sistematizado das obras de André Luiz conhecida como “A vida no Mundo
Espiritual”, é realizado às quintas-feiras na sede do Grupo Espírita da Fraternidade
na cidade de Araçatuba – SP
(**) Todos os grifos são nossos
Referências
1) Luiz, André. Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.
2) Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 410p.
3) Ferreira, Inácio. Dr.
Inácio, ele mesmo! Psicografado por Carlos A.
Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2016. 374p.
4) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p
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