Planejamento Reencarnatório
Tenho lido e acompanhado muitas
discussões e debates, a respeito do planejamento reencarnatório para os espíritos
que reencarnam na Terra. Sobre este tema, muitos, principalmente os espíritas, afirmam
que todo processo reencarnatório obedeça a prévio planejamento no mundo
espiritual.
Creio que para aclararmos esta
situação seja fundamental definir antes, o que os estudiosos acreditam que seja
ou como conceituam o tema “planejamento reencarnatório”. Sem esta prévia definição,
as discussões tornam-se inúteis e infrutíferas ao desenvolvimento da ideia a
respeito de tão importante tema.
Defino o planejamento reencarnatório
como sendo a planificação, de uma determinada reencarnação, realizada pela
espiritualidade superior com a participação consciente do espírito reencarnante.
Na obra Missionários da Luz,
psicografada por Chico Xavier pelo espírito André Luiz, ficamos conhecendo os
casos de Segismundo e Silvério que atendem ao conceito acima.
Fica lógico deduzir que, além de
certo mérito, os espíritos candidatos ao planejamento da reencarnação, devem
ser portadores de alguma lucidez no que se refere à consciência de estarem
desencarnados e pleiteando uma “intercessão” desta envergadura.
Em ambos os casos, tanto Segismundo
quanto Silvério, participam de forma ativa, inclusive acatando sugestões, que
embora amargas, lhes confeririam na existência carnal, poderoso auxílio no
combate às imperfeições do espírito.
Na questão 262 de O Livro dos Espíritos
Kardec, sabiamente questiona:
“Como
pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de
experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser
responsável por essa escolha?
“Deus
lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis
com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio
se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes
lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos
dos bons Espíritos.
De que forma Deus supre a
inexperiência, ignorância e simplicidade do início? Pergunto aos queridos
leitores.
Claro que através da aplicação
das Leis Soberanas ao qual todos estamos submetidos. No caso o determinismo
biológico e espiritual. Ou seja, neste caso, não há indício algum de planejamento
reencarnatório.
Reconhecemos que nada
acontece à revelia dos desígnios superiores e tudo o que ocorre no Universo é
supervisionado pelas soberanas leis divinas. Baseados nesta ação Divina
universal, é que muitos companheiros entendam o planejamento reencarnatório.
Entendo
que, neste sentido, podemos considerar que todos reencarnam sobre determinada
programação, todavia a interpretação literal de que esta ação configure a
planificação de uma existência é um equívoco, pois a volta do Espírito ao corpo
de carne é cercada de cuidados consoantes os méritos que apresenta.
Para
os casos onde o mérito não está consignado, o espírito, atendendo o determinismo
da Lei Divina, reencarna com espontaneidade, qual limalha de ferro que se
sentisse atraída pelo campo magnético de um imã.
Repetimos,
para melhor entendimento, a lei tudo prevê, até mesmo para a manutenção da
ordem, mas daí afirmar que todo o processo reencarnatório obedeça a um
planejamento, vai uma grande distância.
Acompanhe a preciosidade do
ensinamento do instrutor Alexandre do capítulo 12 – Preparando Esperiências –
do livro Missionários
da Luz, já
citado:
“Grande percentagem de reencarnações na Crosta se
processa em moldes padronizados para todos, no campo de manifestações puramente
evolutivas. Mas outra percentagem não obedece ao mesmo programa. Elevando-se a
alma em cultura, conhecimentos e, consequentemente, em responsabilidade, o
processo reencarnacionista individual é mais complexo, fugindo à expressão
geral, como é lógico. Em vista disso, as colônias espirituais mais elevadas
mantêm serviços especiais para a reencarnação de trabalhadores e missionários.’
Repito: “grandes
porcentangens reencarnam em moldes padronizados.” Não há como entender, nesta frase, que exista
planejamento para todos os espíritos que reencarnam na Terra. Aliás, afirma o
contrário, somente para os espíritos que se elevam - olha o mérito - o processo
da reencarnação foge ao geral, como é logico. Mais lógico impossível.
Notem ainda, que
os chamados Institutos para Reencarnação onde são preparadas as reencarnações,
à época em que o livro foi publicado (1945), estavam restritas às colônias espirituais
mais avançadas, como é o caso de Nosso Lar. Será que passados 91 anos desta
informação, os Institutos no mundo espiritual, se multiplicaram com o
crescimento e desenvolvimento das cidades?
O que você pensa
a respeito.
Creio, de
verdade, que tem faltado estudo mais aprofundado para os nossos irmãos de
ideal. Além da fonte pura em Kardec, as obras valiosíssimas de Chico Xavier
estão aguardando nossos estudos e pesquisas, como natural complementariedade
das obras básicas.
Mas, avancemos um
pouco mais.
Em Evolução em Dois Mundos, pelo espírito André Luiz e da reveladora
psicografia de Chico Xavier, no capítulo Alma e Reencarnação, no sub-item - Particularidades
da Reencarnação - o elevado autor nos esclarece, categorizando as “intercessões”
da seguinte maneira:
Os Espíritos categoricamente superiores,
quase sempre, em ligação sutil com a mente materna que lhes oferta guarida, podem
plasmar por si mesmos e, não raro, com a colaboração de instrutores da Vida
Maior, o corpo em que continuarão as futuras experiências, interferindo nas
essências cromossômicas, com vistas às tarefas que lhes cabem desempenhar.
Vejamos agora, na
lúcida palavra do autor espiritual como se dá o processo, para os espíritos
categoricamente inferiores:
na maioria das ocasiões, padecendo monoideísmo
tiranizante, entram em simbiose fluídica com as organizações femininas a que se
agregam, experimentando o definhamento do corpo espiritual ou o fenômeno de
“ovoidização”, sendo inelutavelmente atraídos ao vaso uterino, em
circunstâncias adequadas, para a reencarnação que lhes toca, em moldes
inteiramente dependentes da hereditariedade, como acontece à semente, que,
após desligar-se do fruto seco, germina no solo, segundo os princípios
organogênicos a que obedece, tão logo encontre o favor ambiencial.
Repetirei: “em moldes inteiramente
dependentes da hereditariedade”. Como vimos acima, ação do determinismo
Divino. São as leis agindo. Definitivamente, não há planejamento reencarnatório
para estes casos.
Terminando a lição, André Luiz afirma,
a respeito dos espíritos de mediana evolução:
“Entre ambas as classes, porém, contamos com milhões
de Espíritos medianos na evolução, portadores de créditos apreciáveis e dívidas
numerosas, cuja reencarnação exige cautela de preparo e esmero de previsão.”
Classificaria,
nesta situação, o caso da reencarnação de Segismundo, do livro Missionários da
Luz, o qual, não sendo um espírito elevado, mereceu um cuidado no planejamento
de sua encarnação, como um exemplo dos meandros da ação espiritual, para nós,
aprendizes encarnados.
Também na obra Nosso Lar, a dois casos emblemáticos de reencarnações
que receberam planejamento das esferas superiores, que são o de Dona Laura, mãe
de Lísias, que maternalmente, recebeu André Luiz como filho do coração e a própria
mãe de André Luiz que reencarnou em serviço de missão auxiliando espíritos
necessitados.
Bem, o assunto,
é complexo e teríamos muitas outras referências para basear nossa afirmação que
planejamento reencarnatório aqui na Terra não é para todos.
Entretanto, na
conclusão de nossos achados, acrescentaríamos mais algumas questões para
induzir nossos leitores a mais amplas reflexões e pesquisas.
- Haveria organização espiritual suficiente, na
esfera vizinha da Crosta, onde vivem boa parte de nossos irmãos desencarnados,
para dar conta de planejar aproximadamente 200 mil encarnações/dia (**) na
Terra?
- Caso fossemos realizar o planejamento de um irmão
da crença islâmica ou um judeu ortodoxo, que não aceitam, como tantas outras, a
Reencarnação como princípio em suas religiões, como haveriam os técnicos da
espiritualidade de proceder?
- Como ficariam os espíritos que, após a
desencarnação, literalmente “dormem” até o momento de novo mergulho à carne,
segundo nos esclarece Alfredo na obra Os mensageiros?
(*) Todos os grifos são nossos
(**) Número aproximado de nascimentos por dia
na Terra.
Referências
1) Kardec, Allan. O Livro dos
Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 494p.
2) Ferreira, Inácio. Dr.
Inácio Ferreira convida você a pensar. Editora LEEPP, 2015, 268p.
3) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.
4) Ferreira, Inácio. No princípio
era o verbo. Editora LEEPP, 2012, 334p.
5) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.
6) Luiz, André. Evolução em
dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.
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