segunda-feira, 30 de março de 2026

 

Planejamento Reencarnatório

 

Tenho lido e acompanhado muitas discussões e debates, a respeito do planejamento reencarnatório para os espíritos que reencarnam na Terra. Sobre este tema, muitos, principalmente os espíritas, afirmam que todo processo reencarnatório obedeça a prévio planejamento no mundo espiritual.

Creio que para aclararmos esta situação seja fundamental definir antes, o que os estudiosos acreditam que seja ou como conceituam o tema “planejamento reencarnatório”. Sem esta prévia definição, as discussões tornam-se inúteis e infrutíferas ao desenvolvimento da ideia a respeito de tão importante tema.

Defino o planejamento reencarnatório como sendo a planificação, de uma determinada reencarnação, realizada pela espiritualidade superior com a participação consciente do espírito reencarnante.

Na obra Missionários da Luz, psicografada por Chico Xavier pelo espírito André Luiz, ficamos conhecendo os casos de Segismundo e Silvério que atendem ao conceito acima.

Fica lógico deduzir que, além de certo mérito, os espíritos candidatos ao planejamento da reencarnação, devem ser portadores de alguma lucidez no que se refere à consciência de estarem desencarnados e pleiteando uma “intercessão” desta envergadura.

Em ambos os casos, tanto Segismundo quanto Silvério, participam de forma ativa, inclusive acatando sugestões, que embora amargas, lhes confeririam na existência carnal, poderoso auxílio no combate às imperfeições do espírito.  

Na questão 262 de O Livro dos Espíritos Kardec, sabiamente questiona:

“Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?

“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons Espíritos.

De que forma Deus supre a inexperiência, ignorância e simplicidade do início? Pergunto aos queridos leitores.

Claro que através da aplicação das Leis Soberanas ao qual todos estamos submetidos. No caso o determinismo biológico e espiritual. Ou seja, neste caso, não há indício algum de planejamento reencarnatório.

Reconhecemos que nada acontece à revelia dos desígnios superiores e tudo o que ocorre no Universo é supervisionado pelas soberanas leis divinas. Baseados nesta ação Divina universal, é que muitos companheiros entendam o planejamento reencarnatório.

Entendo que, neste sentido, podemos considerar que todos reencarnam sobre determinada programação, todavia a interpretação literal de que esta ação configure a planificação de uma existência é um equívoco, pois a volta do Espírito ao corpo de carne é cercada de cuidados consoantes os méritos que apresenta.

Para os casos onde o mérito não está consignado, o espírito, atendendo o determinismo da Lei Divina, reencarna com espontaneidade, qual limalha de ferro que se sentisse atraída pelo campo magnético de um imã.

Repetimos, para melhor entendimento, a lei tudo prevê, até mesmo para a manutenção da ordem, mas daí afirmar que todo o processo reencarnatório obedeça a um planejamento, vai uma grande distância.

Acompanhe a preciosidade do ensinamento do instrutor Alexandre do capítulo 12 – Preparando Esperiências – do livro Missionários da Luz, já citado:

“Grande percentagem de reencarnações na Crosta se processa em moldes padronizados para todos, no campo de manifestações puramente evolutivas. Mas outra percentagem não obedece ao mesmo programa. Elevando-se a alma em cultura, conhecimentos e, consequentemente, em responsabilidade, o processo reencarnacionista individual é mais complexo, fugindo à expressão geral, como é lógico. Em vista disso, as colônias espirituais mais elevadas mantêm serviços especiais para a reencarnação de trabalhadores e missionários.’

Repito: “grandes porcentangens reencarnam em moldes padronizados.”  Não há como entender, nesta frase, que exista planejamento para todos os espíritos que reencarnam na Terra. Aliás, afirma o contrário, somente para os espíritos que se elevam - olha o mérito - o processo da reencarnação foge ao geral, como é logico. Mais lógico impossível.

Notem ainda, que os chamados Institutos para Reencarnação onde são preparadas as reencarnações, à época em que o livro foi publicado (1945), estavam restritas às colônias espirituais mais avançadas, como é o caso de Nosso Lar. Será que passados 91 anos desta informação, os Institutos no mundo espiritual, se multiplicaram com o crescimento e desenvolvimento das cidades?

O que você pensa a respeito.  

Creio, de verdade, que tem faltado estudo mais aprofundado para os nossos irmãos de ideal. Além da fonte pura em Kardec, as obras valiosíssimas de Chico Xavier estão aguardando nossos estudos e pesquisas, como natural complementariedade das obras básicas.

Mas, avancemos um pouco mais.

Em Evolução em Dois Mundos, pelo espírito André Luiz e da reveladora psicografia de Chico Xavier, no capítulo Alma e Reencarnação, no sub-item - Particularidades da Reencarnação - o elevado autor nos esclarece, categorizando as “intercessões” da seguinte maneira:

Os Espíritos categoricamente superiores, quase sempre, em ligação sutil com a mente materna que lhes oferta guarida, podem plasmar por si mesmos e, não raro, com a colaboração de instrutores da Vida Maior, o corpo em que continuarão as futuras experiências, interferindo nas essências cromossômicas, com vistas às tarefas que lhes cabem desempenhar.

 

Vejamos agora, na lúcida palavra do autor espiritual como se dá o processo, para os espíritos categoricamente inferiores:

na maioria das ocasiões, padecendo monoideísmo tiranizante, entram em simbiose fluídica com as organizações femininas a que se agregam, experimentando o definhamento do corpo espiritual ou o fenômeno de “ovoidização”, sendo inelutavelmente atraídos ao vaso uterino, em circunstâncias adequadas, para a reencarnação que lhes toca, em moldes inteiramente dependentes da hereditariedade, como acontece à semente, que, após desligar-se do fruto seco, germina no solo, segundo os princípios organogênicos a que obedece, tão logo encontre o favor ambiencial.

Repetirei: “em moldes inteiramente dependentes da hereditariedade”. Como vimos acima, ação do determinismo Divino. São as leis agindo. Definitivamente, não há planejamento reencarnatório para estes casos.

Terminando a lição, André Luiz afirma, a respeito dos espíritos de mediana evolução:

“Entre ambas as classes, porém, contamos com milhões de Espíritos medianos na evolução, portadores de créditos apreciáveis e dívidas numerosas, cuja reencarnação exige cautela de preparo e esmero de previsão.”

 

Classificaria, nesta situação, o caso da reencarnação de Segismundo, do livro Missionários da Luz, o qual, não sendo um espírito elevado, mereceu um cuidado no planejamento de sua encarnação, como um exemplo dos meandros da ação espiritual, para nós, aprendizes encarnados.

Também na obra Nosso Lar, a dois casos emblemáticos de reencarnações que receberam planejamento das esferas superiores, que são o de Dona Laura, mãe de Lísias, que maternalmente, recebeu André Luiz como filho do coração e a própria mãe de André Luiz que reencarnou em serviço de missão auxiliando espíritos necessitados.

Bem, o assunto, é complexo e teríamos muitas outras referências para basear nossa afirmação que planejamento reencarnatório aqui na Terra não é para todos.

Entretanto, na conclusão de nossos achados, acrescentaríamos mais algumas questões para induzir nossos leitores a mais amplas reflexões e pesquisas.

- Haveria organização espiritual suficiente, na esfera vizinha da Crosta, onde vivem boa parte de nossos irmãos desencarnados, para dar conta de planejar aproximadamente 200 mil encarnações/dia (**) na Terra?

- Caso fossemos realizar o planejamento de um irmão da crença islâmica ou um judeu ortodoxo, que não aceitam, como tantas outras, a Reencarnação como princípio em suas religiões, como haveriam os técnicos da espiritualidade de proceder?

 E uma última, de tantas outras questões interessantes que poderíamos fazer para aguçar os raciocínios dos companheiros encarnados:

- Como ficariam os espíritos que, após a desencarnação, literalmente “dormem” até o momento de novo mergulho à carne, segundo nos esclarece Alfredo na obra Os mensageiros?

 Com a palavra, nossos amados e prezados leitores e demais simpatizantes que venham a ler este singelo artigo.

 

(*) Todos os grifos são nossos

 

(**) Número aproximado de nascimentos por dia na Terra.

 

 

Referências

 

1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

2) Ferreira, Inácio. Dr. Inácio Ferreira convida você a pensar. Editora LEEPP, 2015, 268p.

3) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

4) Ferreira, Inácio. No princípio era o verbo. Editora LEEPP, 2012, 334p.

5) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

6) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

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