Suicídio no mundo espiritual *
Normalmente a leitura do título deste artigo provoca muito
desconforto e descrença, quando não, desconhecimento de que tal possa ocorrer.
Sim caros leitores, no além os chamados “mortos” também se
suicidam.
Aprendemos nas obras básicas da Doutrina com Kardec e também em
Chico Xavier, principalmente nas obras de André Luiz, que a desencarnação não
promove mudança significativa nos espíritos a não ser, é claro, a perda do
corpo físico grosseiro com a consequente mudança de plano vibratório.
No mais, quase nada se altera.
Na Terra, os transtornos mentais (depressão, bipolaridade,
esquizofrenia) e contextos sociais e econômicos estão entre as principais
causas do suicídio. Normalmente, o espírito que comete suicídio aporta na
dimensão espiritual vizinha com muitos problemas.
Estes problemas, se não tratados convenientemente podem sim ser
causa do suicídio no mundo espiritual.
Para melhor entendermos esse assunto que, a princípio, pode ser
polêmico e motivo de muito debate entre os estudiosos das lições espirituais,
temos que partir do contexto legítimo que as dimensões espirituais adjacentes à
crosta terrestre também são constituídas de matéria muito semelhante à que
estamos acostumados aqui na Terra. Recordemos a questão 22 de O Livro dos
Espíritos que nos esclarece que existem estados da matéria que são tão
sutis e invisíveis ao olhar e à percepção humana, que é como se não existissem,
porém existem e continuam sendo matéria.
Também do livro Nosso Lar, relembramos no capítulo 37, a
preleção da ministra Veneranda, espírito de alta gabarito espiritual, em que,
dissertando sobre o pensamento, interroga sobre a surpresa que muitos
habitantes da esfera espiritual demonstram ao encontrarem no nova dimensão
formas análogas às do planeta tais como
habitação, utensílios e até a linguagem terrestre, ou seja, diferente do que
muitos pensam, após a desencarnação, continuaremos a utilizar a palavra
articulada e residiremos em domicílios com os mesmos utensílios que adornam
nossos lares aqui na Terra, quer queiram ou não os mais ortodoxos que não
aceitam estas realidades.
Somando todo o contexto acima descrito que os ensinamentos claros
da codificação, bem como da complementação dos ensinos exarados nas obras de
Chico Xavier nos certificam, entendemos que o fenômeno da morte além de não
alterar a materialidade, de forma substancial, do que nos cercará na pátria
espiritual, também não altera a essência do que somos e nem modifica nossas
virtudes e vícios.
Quer dizer, as causas que levam uma pessoa a cometer o suicídio
aqui na Terra, podem perfeitamente estar presentes no espírito desencarnado.
No além, os irmãos que apresentam transtornos psíquicos, como os daqui
da Terra, também recebem devido tratamento, porém, lá como aqui, as causas
profundas destas distonias pertencem ao espírito imortal e que, embora possam
receber auxílio medicamentoso, reconhecemos que não será indo à farmácia que
encontraremos a cura do nosso mal interior. A medicação auxilia, porém o que
cura em sua raiz é o Evangelho aplicado de Jesus.
Encontramos na leitura do livro O Último Ceitil, do
espirito Dr, Inácio Ferreira, pela psicografia de Carlos Baccelli, o relato de
um espírito que tendo desencarnado na Terra pelas garras do suicídio,
continuava no além padecendo do mesmo mal e intencionava repetir o erro. É o
Dr. Inácio, reconhecido médico psiquiatra que laborou por mais de 50 anos como
diretor e médico do Sanatório espírita da cidade de Uberaba, que nos traz
importante conhecimento:
“O caso de Cláudio, realmente, era grave, porque ele poderia, sim,
tornar a matar-se! O corpo espiritual na esfera que nos situamos, é suscetível
de uma segunda morte. Episódios de suicídio costumam se repetir por aqui,
principalmente, quando os que cometeram suicídio na Terra não se encontram
impossibilitados de fazê-lo outra vez.”
Tal ato, se executado, arrojaria
este espírito a se precipitar profundamente em complexo estado psíquico de
desequilíbrio muito difícil de ser revertido, quase como a desabar num abismo
sem fim...
O caso descrito por Dr. Inácio
Ferreira é de um espírito desencarnado que se encontrava consciente na vida
espiritual. Revela-nos o eminente psiquiatra, que:
“suicídios nas regiões espirituais inferiores são ainda mais
frequentes e somente não se perpetuam porque o instinto de conservação acaba
por se impor a inclinação sistemática de alto destruição.”
Em outras palavras, a deliberação
de provocar a própria morte pelo Espírito pode, sem que ele perceba, tornar-se
um hábito.
Casos assim demonstram que o
espírito manifesta uma prevalência quase absoluta de atitude baseada no
subconsciente evitando de viver o presente e nem pensar no futuro. Calderaro,
instrutor de André Luiz no livro No Mundo Maior em estudo que faz sobre
o cérebro - capítulo 3, A casa mental - aponta que o nosso subconsciente
simbolizando o porão da individualidade, nosso cérebro inicial, repositório dos
movimentos instintivos é a zona da impulsividade manejada pelos instintos.
Sedimentando nossos conhecimentos,
o instrutor Calderaro elucida:
“Importa reconhecer, porém, que a nossa mente aqui (mundo
espiritual) age no organismo perispirítico, com poderes muito mais extensos,
mercê da singular natureza e elasticidade da matéria que presentemente nos
define a forma. Isto, contudo, em nossos círculos de ação, não nos evita as
manifestações grosseiras, as quedas lastimáveis, as doenças complexas, porque a
mente, o senhor do corpo, mesmo aqui, é acessível ao vício, ao relaxamento e às
paixões arruinantes.”
O parágrafo acima requer muita
reflexão. Na mente doentia e desequilibrada, o perispírito está sujeito às
quedas e doenças complexas, afirma o instrutor. Que doenças podem ser essas?
Não estão aí inclusas as de ordem psíquicas? As depressões, os transtornos, as
profundas carências afetivas? O que você acha?
Por que, como agentes deflagradores
do suicídio aqui na Terra, estes mesmos fatores, muitas vezes agindo sobre o
ser desencarnado de maneira mais intensa no mundo espiritual, também não
poderiam ser a origem das “quedas” a que se refere o instrutor e que dentre
elas, estaria o suicídio?
Pensemos nestas questões.
Enquanto isso, compreendamos que uma
das formas mais eficazes da terapêutica para estes casos é o regresso do
espírito, pelas vias da reencarnação, ao mundo material. O esquecimento do
passado nos possibilita reeducar os hábitos, ajustar e melhorar os pensamentos,
estudar as más inclinações e procurarmos melhorar, enfim, ocupar nossa mente
com novas e boas ideias.
Concluindo, lembremos que a fonte
de toda a saúde do corpo e da alma está no evangelho de Jesus Cristo. Ele é a
vacina contra o mal que o espírito, desde o berço da sua jornada evolutiva,
deveria tomar adquirindo indispensável imunidade de ordem espiritual.
Vamos nos vacinar?
(*) Prezado(a) amigo(a) e leitor(a) deste blog, concluímos com
este post, a publicação de três artigos sobre o tema do suicídio. Falamos dos
aspectos espirituais e sobre o suicídio indireto nos dois anteriores e
esperamos que o assunto suicídio no mundo espiritual, hoje publicado, possa
motivar a todos pela pesquisa e maior aprofundamento deste tema que a todos nos
interessa.
(**) Todos os grifos são meus.
Referências
(1) Kardec, Allan. O Livro dos
Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 494p.
(2) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.
(3) Ferreira, Inácio. O último
ceitil. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Votuporanga.
Editora DIDIER, 2016. 430p.
(4) Luiz, André. No mundo maior. Psicografado por
Francisco Cândido Xavier. 1ª ed. Brasília. Editora FEB, 1947. 253p.
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