segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 

Suicídio indireto  

 

Na obra Vozes do Grande Além, em mensagem psicografada por Chico Xavier, o espírito Dias da Cruz nos esclarece sobre a ascendência da autoflagelação, na forma de nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, de cólera ou crueldade. Essas tristes ocorrências fruto da nossa milenar imperfeição exterioriza correntes de enfermidade e de morte, provocando sobre nós próprios, verdadeira tempestade magnética que desorganiza nossa vestimenta física e perispiritual, mais particularmente, o mundo cerebral, em que essas vibrações desvairadas criam doenças neuropsíquicas, de difícil diagnose, quando então andamos pelos consultórios médicos sem encontrar as causas destas distonias.

Toda esta situação acima descrita, quase sempre nos conduz às trevas do suicídio indireto. Ou seja, vamos aos poucos nos infligindo sofrimentos que enfraquecem e fragilizam o carro físico, tornando-o mais vulneráveis à degradação e à morte.

Do livro Harmonização, Emmanuel, pelo lápis abençoado de Chico Xavier, afirma na mensagem “Problemas da morte”, que das milhares de criaturas que regressam à vida espiritual, raras atendem ao cumprimento das próprias obrigações; o que André Luiz, na obra Missionários da Luz, vai definir como completista, ou seja, raros irmãos que aproveitam todas as possibilidades construtivas que o corpo terrestre lhes oferece na existência física.”

E pasmem, Emmanuel, surpreende-nos ao afirmar que quase todas as criaturas deixam o corpo denso pelo suicídio indireto.”

Muitos se matam na Terra. Poucos morrem para que outros possam viver dignamente, pontua Emmanuel.

Na obra Nosso Lar no capítulo 4, denominado “O Médico Espiritual”, ao receber a informação que havia desencarnado pelo suicídio indireto, André Luiz se surpreende e rechaça a informação transmitida pelo Dr. Henrique de Luna após examiná-lo:

– É de lamentar que tenha vindo pelo suicídio.

E nosso amigo André Luiz responde se defendendo:

“Creio haja engano, meu regresso do mundo não teve essa causa. Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a oclusão intestinal.”

Ao que o médico esclarece:

Sim, mas a oclusão radicava-se em causas profundas.

Vejamos bem a afirmação: “radicava-se em causas profundas”.

A argumentação de André Luiz foi, é e será a mesma que outros tantos milhões de espíritos devem sustentar quando aportam, com mínimo de lucidez, na pátria espiritual. Desconhecendo por completo as leis espirituais que regem o cosmo orgânico, restringem a análise aos parâmetros físicos da questão que, perpetuando vícios de ordem mental, não atinam para as causas outras que somente o conhecimento espiritual pode propiciar.

Para melhor entendimento, transcrevemos abaixo trecho em que o médico espiritual Henrique de Luna explica a André os aspectos reais que culminaram com sua desencarnação:

“Vejamos a zona intestinal – exclamou – A oclusão derivava de elementos cancerosos, e estes, por sua vez, de algumas leviandades do meu estimado irmão, no campo da sífilis.”

É flagrante, na afirmação acima, o ascendente das questões comportamentais sobre o binômio saúde/doença da criatura humana. Esta ascendência fica muito mais evidente na afirmação seguinte:  

A moléstia talvez não assumisse características tão graves, se o seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da temperança. Entretanto, seu modo especial de conviver, muita vez exasperado e sombrio, captava destruidoras vibrações naqueles que o ouviam. Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para nós mesmos? A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com os semelhantes, aos quais muitas vezes ofendeu sem refletir, conduziam-no frequentemente à esfera dos seres doentes e inferiores. Tal circunstância agravou, de muito, o seu estado físico. (...) Todo o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável.

Como visto, desperdiçamos mananciais de energia vital e espiritual em nossos hábitos corriqueiros, tomados à conta de situações naturais. Diariamente, milhões de criaturas desperdiçam energias valiosas em atritos e polêmicas que não atendem à Construção Divina em nós.

Quantas horas gastas em contendas que terminam pelo ódio destruidor? Quantos recursos preciosos desbaratados pelo espírito na discussão azeda, cujo ponto final pode ser a desencarnação prematura?

É o próprio André que, conscientizando-se de suas fraquezas, nos esclarece:

“Não poderia supor, noutro tempo, que me seriam pedidas contas de episódios simples, que costumava considerar como fatos sem maior significação. Conceituara, até ali, os erros humanos, segundo os preceitos da criminologia. Todo acontecimento insignificante, estranho aos códigos, entraria na relação de fenômenos naturais. Deparava-se-me, porém, agora, outro sistema de verificação das faltas cometidas.  

Todos haveremos de ter uma “causa mortis” que constará em nosso atestado de óbito devidamente assinado por um médico. Entretanto, a causa profunda e verdadeira muito poucas vezes será registrada, porque pertencerá tanto à avaliação mais cuidadosa, criteriosa e acima de tudo, justa, dos médicos e agentes de saúde da espiritualidade maior, quanto à nossa conscientização.

Assim como ocorreu a André Luiz, iremos nos deparar com outro sistema de verificação das faltas cometidas. Espero que não seja do lado de lá.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Espíritos diversos. Vozes do Grande Além. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª ed. Brasília. Editora FEB, 2024. 322p.

(2) Emmanuel. Harmonização. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Editora GEEM, 1990. 112 p.

(3) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

(4) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

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