segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 

Aspectos espirituais do Suicídio 

 

Dados estatísticos recentes apontam que, anualmente, 720 mil pessoas perecem pelo suicídio no Mundo, sendo 73% cometidos em países de baixa e média renda. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é considerado a terceira principal causa de morte.

As pesquisas nesta área também apontam que para cada suicídio há muitas outras pessoas que tentam o suicídio e que uma tentativa de suicídio anterior é um importante fator de risco para o suicídio na população em geral.

Sem dúvida, estes são dados deveras preocupantes para as áreas de saúde que trabalham nestas difíceis situações.

Acreditamos que estes dados sejam subestimados, pois os próprios dados globais registrados pela OMS, que os consideram precários quanto à sua disponibilidade e qualidade, abrangem apenas cerca de 80 países (40%) dos 194 inscritos nesta organização. Argumentam que a subnotificação e a classificação incorreta sejam problemas maiores no caso do suicídio do que para a maioria das outras causas de morte.

Não resta dúvida que isto pode ser um forte empecilho quando o objetivo seja aumentar a conscientização sobre a importância do suicídio e das tentativas de suicídio a fim de torná-los de alta prioridade na agenda global de saúde pública. 

A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida.

A Bíblia menciona algumas pessoas que cometeram o auto extermínio: Abimeleque (Juízes 9:54); Sansão (Juízes 16:29-31); Saul e o escudeiro (1 Samuel 31:3-6); Aitofel (2 Samuel 17:23); Zinri (1 Reis 16:18) e o mais conhecido de todos, Judas o discípulo de Jesus (Mateus 27:5).

Belos ensinamentos encontramos na obra básica do Espiritismo, O Livro dos Espíritos. Na questão 944, Kardec questiona:

“Tem o homem o direito de dispor da sua vida?

R. “Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.”

 

Aprendemos nesta obra que os espíritos sensivelmente perturbados, apresentam uma sobre excitação cerebral, principalmente provocadas pelas decepções, pelos infortúnios e afeições contrariadas, constituindo-se nas causas mais frequentes de suicídio.

Falando sobre as consequências sofridas pelo espírito cuja desencarnação foi provocado pelo suicídio, os Espíritos da codificação, na questão 957 de O Livro dos Espíritos, nos esclarecem:

 Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”

Outro aprendizado importante é que no espírito de alguns suicidas se produz uma espécie de repercussão que o Espírito, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição do corpo físico, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que pode perdurar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção.

Exemplificando, se eu entendi bem, uma pessoa que deveria viver sobre a Terra, aproximadamente 70 anos e cometeu o suicídio aos 40 anos de vida, permanecerá neste estado perturbatório algo em torno de 30 anos.

Isto explica porque, quando comparecem às reuniões mediúnicas, dos espíritos que desencarnaram pelo suicídio, a maioria fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele.

Fruto de uma desorientação religiosa, estes irmãos foram ensinados a considerar a morte como sinônimo de destruição ou de aniquilamento. Aproximam-se de seus familiares que o velam nos serviços funerários, falam-lhes e por eles não são percebidos nem ouvidos. Tal ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito do corpo físico hirto. Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao número dos encarnados sobre a Terra.

Nos dias de hoje temos assistidos, lamentavelmente, a violência facilmente praticada por cônjuges que, descontentes com as vacilações e fraquezas do(a) parceiro(a) de matrimônio, se veem no direito de tirar-lhe a vida e, posteriormente se suicidando, encetando séculos de sofrimento pelos crimes cometidos.

André Luiz, no magistral livro Evolução em Dois Mundos nos explica a razão destes cruéis desatinos d’alma.

“Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as mulheres sofrem-lhe ainda as sugestões animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades da tarefa a que foram chamados, costumam desertar dos postos de serviço em que a vida os situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços, quase sempre simplesmente atribuíveis ao desregrado narcisismo de que são portadores. E com isso exercem viciosa tirania sobre o sistema psíquico do companheiro ou da companheira mutilados ou doentes, necessitados ou ignorantes, após explorar-lhes o mundo emotivo, quando não se internam pelas aventuras do homicídio ou do suicídio, espetaculares, com a fuga voluntária de obrigações preciosas.”

 

Diga-se de passagem, fuga esta da qual não irão se safar enquanto não houver pago ceitil por ceitil, no sublime ensinamento de Jesus.

Aliás, o próprio Jesus, há mais de vinte séculos ensinou-nos que “todo aquele que comete o mal é escravo do mal” (João, 8:34)

O assunto é complexo e instigante, cabendo à Doutrina Espírita demonstrar, pelo exemplo dos próprios espíritos que a ele sucumbiram, que o suicídio constitui infração de uma lei moral e um ato tanto infeliz quanto ineficaz, pois em nada ganha quem o pratica, não atinge seu verdadeiro objetivo e ainda se complica severamente, perante a Lei Divina.

Voltaremos ao tema!  Enquanto isso, reflitamos a respeito.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Suicide. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide. Acesso em 15 Fevereiro 2026.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(3) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

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