Você conhece as reentrâncias do espírito mais do que as rugas do seu
rosto?
É correto afirmar que as ideias do homem estão na razão do que ele
sabe. Desse modo é natural que à medida que a Ciência e o conhecimento evoluam,
o homem mais se aproximará da verdade.
Um bom exemplo está na ideia que o homem faz do ensinamento de
Jesus “Há muitas moradas na casa de meu Pai”.
Os antigos acreditavam na existência de muitos céus superpostos, formando
esferas concêntricas e tendo a Terra por centro.
Ptolomeu, que viveu em Alexandria no Egito, no século II, na sua mais
conhecida obra, Almagesto, (que significa o grande tratado), apresenta um
sistema cosmológico geocêntrico, isto é, a Terra como centro do Universo, sendo
que os demais corpos celestes orbitavam ao seu redor. Vale destacar que nesta
época, os estudos tendiam a mesclar ciência com misticismo.
Interessante que cinco séculos antes, por volta de 300 a.C.,
Aristarco de Samos, propôs a teoria do Heliocentrismo (o Sol no centro do
Universo), mas só foi formalizada e popularizada no século XVI por Nicolau
Copérnico.
Hoje sabemos que ambas as teorias, em suas proposições iniciais,
estavam erradas no tocante a localizarem a Terra ou o Sol como centro do
Universo, respectivamente. A Terra não é o eixo do Universo, sendo de fato, um
dos menores astros que rolam na imensidade do Universo, ainda que isso possa
ferir o orgulho de muitos; e o próprio Sol mais não é do que o centro de um
turbilhão planetário; com outros tantos e inumeráveis sóis, em torno dos quais
circulam mundos sem conta, separados por distâncias apenas acessíveis ao
pensamento.
Aliás, esse mesmo pensamento, por dedução lógica, nos induz a
pensar que a vida está por toda parte e a Humanidade é infinita como o
Universo.
O Espiritismo, como doutrina libertadora de consciências,
informa-nos que existe o mundo corporal e o mundo espiritual. A expressão mundo
espiritual na cabeça das pessoas e mesmo nos adeptos e estudiosos da Doutrina
Espírita é muito vago e impreciso. Baseados nos conhecimentos científicos
atuais sobre a matéria, há necessidade de relativizarmos o termo mundo
espiritual.
Lembremos que na questão 22 de O Livro dos Espíritos
encontramos este científico ensinamento:
“Define-se
geralmente a matéria como sendo — o que tem extensão, o que é capaz de nos
impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições?
R. “Do vosso ponto
de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a
matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e
sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria.
Para vós, porém, não o seria.”
Há necessidade de estudar mais para melhor esclarecimento.
No livro O Céu e o Inferno, no capítulo II, em
interessantíssimo estudo sobre o Céu, encontramos a seguinte afirmativa de
Allan Kardec:
“Posto que os
Espíritos estejam por toda parte, os mundos são de preferência os seus centros
de atração, em virtude da analogia existente entre eles e os que os habitam. Em
torno dos mundos adiantados abundam Espíritos superiores, como em torno dos
atrasados pululam Espíritos inferiores. Cada globo tem, de alguma sorte, sua
população própria de Espíritos encarnados e desencarnados, alimentada em sua
maioria pela encarnação e desencarnação dos mesmos.”
Tomando por exemplo o planeta Terra, ela possui a sua população
encarnada e a desencarnada, e de acordo com a afirmativa acima, assim deve ser
com todos os globos habitados no Universo físico. Considerando, portanto, as 7
esferas (ou dimensões) que envolvem a Terra, podemos pensar que cada uma delas
possui sua população encarnada e a desencarnada.
Estudando com profundidade e reflexão o livro Libertação,
percebemos que o personagem Gregório, encontrava-se “encarnado” na dimensão das
Trevas. Isto pode assim ser deduzido, pois a equipe que foi resgatá-lo, formada
por Gúbio, André Luiz e Elói, passaram por um processo de materialização de
seus perispíritos, muito bem descrito no capítulo 4, Numa cidade estranha.
Recordemos um pequeno trecho, atribuído a Gúbio, para nossas
reflexões:
“Nossas
organizações perispiríticas, à maneira de escafandro estruturado em material
absorvente, por ato deliberado de nossa vontade, não devem reagir contra
as baixas vibrações deste plano. Estamos na posição de homens que, por amor,
descessem a operar num imenso lago de lodo; para socorrer eficientemente os que
se adaptaram a ele, são compelidos a cobrir-se com as substâncias do charco,
sofrendo-lhes, com paciência e coragem, a influenciação deprimente. Atravessamos
importantes limites vibratórios e cabe nos entregar a forma exterior ao meio
que nos recebe, a fim de sermos realmente úteis aos que nos propomos
auxiliar. Finda a nossa transformação transitória,
seremos vistos por qualquer dos habitantes desta região menos feliz.
Mais claro impossível! Adensaram seus corpos espirituais a ponto
de se tornarem visíveis aos habitantes da “cidade estranha” localizada no
“planeta das Trevas”. Sem a materialização, os três personagens da aludida
equipe, não seriam vistos nem percebidos por nenhum morador daquela cidade.
Ora, isto também não é o que acontece aqui na Terra?
Quantos irmãos desencarnados que nos rodeiam 24 horas por dia,
compondo a população da dimensão adjacente à Terra - que também podemos
denominar planeta Umbral - que somente seriam visualizados por nós, caso se
submetessem aos processos da materialização, os quais são muito bem
documentados na ciência espírita?
No livro Mundo Espiritual é Planeta, Dr. Inácio Ferreira,
pela psicografia de Carlos Bacelli, faz interessante colocação:
“Assim como a
maioria dos homens encarnados desconhece os fenômenos da Vida que os rodeia,
nós, os desencarnados, ainda não percebemos tudo do Mundo para o qual nos
transferimos – aliás, sabemos menos do Mundo Espiritual do que sabemos da
Terra!”
Bela síntese da nossa real ignorância, tanto do que aqui na Terra existe,
quanto muito mais, da nossa futura morada, o planeta espiritual que nos há de
acolher.
Concluo com este primor de citação de Dona Modesta no livro acima
referido.
“O homem, por
exemplo, sabe mais do seu corpo físico do que da sua própria essência – conhece
mais das rugas de seu rosto que das reentrâncias de seu espírito.”
É preciso pensar a respeito!
(*) Todos os grifos são meus.
Referências
(1) Kardec, Allan. O Livro dos
Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 494p.
(2) Kardec, Allan. O Céu e o
Inferno. Tradução de Manoel Justiniano Quintão, 35ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 425p.
(2) Luiz, André. Libertação. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 17ª ed. Brasília. Editora FEB, 1949. 263p.
(3) Ferreira,
Inácio. Mundo espiritual é planeta. Psicografado por Carlos A.
Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2015. 320p.
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