segunda-feira, 9 de março de 2026

 

O Dimas que reside em nós.

           

A cura de dez leprosos:

Prosseguindo no seu caminho para Jerusalém, chegaram aos limites da Galileia com Samaria. Quando entraram numa aldeia, dez leprosos pararam à distância,  bradando: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!” Olhando para eles, Jesus disse: “Ide e mostrar-vos aos sacerdotes. Enquanto iam a caminho, constataram que a lepra desaparecera. Um deles voltou a procurar Jesus e, lançando-se diante de Jesus com o rosto em terra, dava em alta voz glória a Deus e agradecia o que lhe tinha feito. Este homem era samaritano. Então Jesus perguntou: “Não eram dez os homens que curei? Onde estão os outros nove? Só este estrangeiro é que volta para dar glória a Deus?” E disse ao homem: “Levanta-te, podes ir. A tua fé te salvou!”

Este conhecido relato consta no capítulo 17, versículos 11 a 19 do evangelho de Lucas.

A Hanseníase – naquela época conhecida como lepra – era vista como uma doença física e principalmente como um sinal de impureza espiritual. Representando isolamento e vergonha, provocava a marginalização e afastamento do doente da sociedade, obrigando-o a residir, em geral, em cavernas afastadas da cidade, distante de suas famílias e comunidades.

Notem que o leproso sofria física e emocionalmente, sendo a morte social estando ainda vivo.

Recentemente, o médium Carlos Baccelli, publicou uma obra, na qual, Dimas o leproso Samaritano (título do livro) à convite do Irmão José e do Dr. Inácio Ferreira, registra por suas próprias palavras, um momento fundamental de sua trajetória evolutiva.

Neste livro emocionante, através da mediunidade do Baccelli, somos brindados com sublimes informações. Filho único de família muito pobre, cedo tornou-se órfão, tendo que, desde os treze anos de idade, trabalhar com a terra e vender produtos para sobreviver.

Ainda criança, aprendera com seu pai sobre a vinda de um homem à Terra para libertar os judeus e que reinaria sobre o mundo inteiro. Mais tarde, adulto, recebeu informações sobre a “transmigração” da alma, conhecida na época pelos judeus como ressurreição e pelos gregos como palingenesia. Demonstrou vivo interesse pelo assunto, afirmando ser muito lógico, pois consagrava a ideia da imortalidade.

Casou e teve dois filhos e para sustentar a família abriu uma singela carpintaria tendo como auxiliar, por um tempo, um jovem chamado João, que mais tarde recebeu a incumbência de batizar Jesus nas águas do rio Jordão.

Quando mais tarde, percebeu em seu corpo os primeiros sinas da doença, foi aconselhado a afastar-se de sua esposa e dos dois filhos, o que lhe fez sangrar o coração em sofrimento.

Após a confirmação de ter contraído lepra, Dimas se afasta ainda mais dos seus e conhece um grupo de homens que também doentes, passam a conviver em afastada caverna, conhecida como a dos Dez leprosos. Sempre falando sobre a “transmigração” com seus companheiros de infortúnio, alegava que a alma ou a essência que animava o corpo devia vir ao mundo sucessivas vezes em resgate do passado. Acreditava firmemente, e isso o consolava, tornando-se, ao contrário dos demais doentes, que acreditavam estar sobre o mundo à mercê da morte e do azar de terem nascido, Dimas era uma criatura resignada à sua condição de enfermo.

Nos dias que se seguiram, Dimas conhece Joana de Cusa que passaria a ser benfeitora do grupo de leprosos a que pertencia. Algum tempo depois, será Joana, quem apresentará ao infortunado leproso, Maria, mãe de Jesus.

Certa tarde, acompanhando a pregação de um homem que a todos magnetizava com sua palavra, conhece André e o irmão Pedro, futuro discípulos de Jesus, os quais na oportunidade, seguiam João o Batista. E Pedro revela a Dimas:

“Eu sou Pedro, irmão de André, filhos de Bar-Jonas. João me pediu para lhe dizer que a vossa cura chegará, mas que ainda não hoje...Tende paciência.”

Segundo consta na obra referida, Dimas vê Jesus pela primeira vez quando Ele realiza o sermão das Bem-aventuranças. Ao contemplá-lo, Dimas diz:

“Uma figura que parecia condensar em torno de si todos os raios do Sol; Jesus, do cume do Monte, abriu os braços fazendo com que a emoção tomasse conta de todos os presentes pacificando a multidão de mais de cinco mil pessoas. Com este simples gesto, a tempestade das dores que explodiam naquele oceano humano se fez calmaria, e muitos se entregaram a incontidas lágrimas” (....) Ali, existia algo diferente – comparou Dimas, lembrando-se de João – aquele homem, Jesus, não podia ser da Terra e não podia ser igual aos outros homens”

O episódio da cura dos leprosos é muito significativo e contou com o auxílio direto de Joana de Cusa e Pedro, o discípulo, que ao informar por onde Jesus passaria naquela dia, orientou-os o local em que deveriam se posicionar para vÊ-lo e acrescentou:

“Se vós tiverdes que ser curados, bastar-vos-á que o toquem, ou que estejam em posição que Ele vos consiga tocar. Às vezes, o toque nem é necessário, basta que Ele vos olhe...Ultimamente, por desconfiarmos sejam as últimas curas que Ele esta fazendo, quase todos ficam curados, ou obtém melhoras significativas, se tocados até pela sua sombra, quando passa....”

Atendendo a Pedro, os dez leprosos aguardaram e quando Jesus por ali passou, Maria, sua mãe apontou para o grupo e disse:

“Meu filho, ei-los.”

Jesus aproximou-se e disse somente:

“Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.”

Todos os dez, ainda com as feridas no corpo, atordoados, saem à procura de uma sinagoga para atenderem à lei de Moisés (Levítico 14:2-32) que mandava os doentes curados se mostrarem ao sacerdote para que confirmasse a cura e o curado pudesse ser reintegrado à sociedade. Ao se aproximarem da sinagoga, todos os dez, se perceberam curados sem mais nenhuma lesão. Alguns dias após esta passagem evangélica, registrada somente por Lucas que deve tê-la conhecido através de Maria ou João o Evangelista, Dimas vai ao encontro do Mestre para agradecer.

Convidamos à leitura da obra que nos oferece tantas preciosas lições para nossas reflexões, narrando a vida deste importante personagem que muito tem a nos ensinar.

Todos temos nossa “lepra” que, invariavelmente, nos conduzirá a Jesus. Será que se não fôssemos enfermos estaríamos procurando por Ele?

Bendita seja a doença que, cedo ou tarde, deve nos levar aos pés do Senhor.

(**) Todos os grifos são meus.

Referência

(1) Irmão José; Ferreira, Inácio. Dimas o leproso samaritano.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. LEEPP Editora, 2025. 428p.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  O Dimas que reside em nós.             A cura de dez leprosos: Prosseguindo no seu caminho para Jerusalém, chegaram aos limites da G...