O que
é desenvolver a mediunidade? Parte 1
(Estudo
do livro Missionários da Luz – Cap. 3)
Dando
continuidade ao estudo do livro Missionários da Luz realizado no Grupo Espírita
da Fraternidade na cidade de Araçatuba, iniciamos neste artigo a primeira parte
do capítulo 3 sobre desenvolvimento da mediunidade.
Existente
desde sempre sobre a Terra, a mediunidade com suas manifestações fenomênicas
mais se evidenciou, sem dúvida, com as mesas girantes em meados do século
dezenove.
Tal
ocorrência estava determinada desde a profecia bíblica registrada no Antigo
Testamento, no livro de Joel 2:28, e repetida no Novo Testamento pelo
apóstolo Pedro em Atos 2:17:
“E acontecerá, nos últimos
tempos, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as
filhas de vocês profetizarão, os seus velhos sonharão, e os seus jovens terão
visões."
É a
inequívoca constatação da vulgarização da mediunidade, que presentemente se
revela em indivíduos de todas as idades, de ambos os sexos e de todas as
condições. Isso, conforme está dito, acontecerá nos
últimos tempos; e devemos entender estas palavras como indicativas dos
últimos tempos do mundo moral que chega a seu termo.
Claramente,
observou-se um amadurecimento psíquico no espírito humano para possibilitar este
derramamento Divino sobre toda “carne” configurando a mediunidade.
Allan
Kardec, perfeitamente sincronizado com as revelações celestes codificadas na
Doutrina Espírita bem no início de O Livro dos Espíritos se refere à
mediunidade nos Prolegômenos e considera:
“As comunicações entre o mundo
espírita e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não
constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios
entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram
patentes a todos.”
Rara
é a família, hoje na Terra, que não apresenta alguém que alega ver, ouvir ou
pressentir algum familiar ou conhecido que já morreu ou mesmo, um rudimento de
intuição manifesta.
São
os sinais dos tempos.
Telésforo,
personagem do livro Os Mensageiros vem nos esclarecer dizendo que:
“A mente humana abre-se, cada
vez mais, para o contato com as expressões invisíveis, dentro das quais
funciona e se movimenta. Isto é uma fatalidade evolutiva.”
De lá para cá, a mediunidade,
em cada um de nós se desenvolve, porém para tanto, deve merecer do candidato
verdadeiro esforço. É o instrutor Alexandre que comenta com André Luiz sobre
esta necessidade, no livro Missionários da Luz.
“Alguns pretendem a
psicografia, outros tentam a mediunidade de incorporação. Infelizmente, porém, quase
todos confundem poderes psíquicos com funções fisiológicas. Acreditam no
mecanismo absoluto da realização e esperam o progresso eventual e problemático,
esquecidos de que toda edificação da alma requer disciplina, educação, esforço
e perseverança.”
Quer
dizer, na criatura humana, a mediunidade não se desenvolverá automaticamente,
obedecendo a um comando, digamos, genético ou hereditário.
A
faculdade mediúnica, em si, é neutra e seu emprego, pelo médium, é que
proporcionará seu aspecto sublime ou infeliz.
Em
duas frases, aprendemos com Alexandre a necessidade do médium investir no seu
desenvolvimento:
“Sem a
preparação necessária, a excursão dos que provocam o ingresso no reino
invisível é, quase sempre, uma viagem nos círculos de sombra”
“Ninguém
pode trair a lei impunemente e, para subir, Espírito algum dispensará o esforço
de si mesmo, no aprimoramento íntimo.”
Neste
importante capítulo do livro Missionários da Luz, nos são apresentados
três casos de médiuns indisciplinados que apresentam os vícios do sexo
desregrado, do alcoolismo e da gula. Em todos eles, encontramos o vampirismo
como fenômeno comum, sem que nossos irmãos apresentem a mínima noção desta
situação.
Assim
como já referido no livro Os Mensageiros, André Luiz sob a orientação de
Alexandre, aborda os bacilos psíquicos com agentes vampirizantes, não
conhecidos pela medicina da Terra, e que por falta de uma melhor terminologia
aos nossos conhecimentos, denomina-lhes de larvas, simplesmente.
Estas
larvas, demonstrado nos três casos, embora não sejam estruturadas em matéria
propriamente física, tal qual a conhecemos, atuam fortemente sobre as
estruturas físicas do organismo humano como refere-se Alexandre:
“Começavam - (as larvas) - as
movimentações sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão
espermático, formando colônias compac tas, nas vesículas seminais, na próstata,
nas massas mucosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as
células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras micros
cópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões
delicados da vida orgânica.”
Concretamente,
era a ação de “seres invisíveis” sobre o mundo visível a nível infinitesimal.
São
cultivadas por nós próprios, em função do desregramento de nossas emoções
calcadas por experiências de baixo teor de forma constante, assim como, pelo
próximo contato com entidades grosseiras atraídas pela esteira destes mesmas
emoções e pensamentos.
De
maneira inteligente, Alexandre justifica estas ações desequilibradas dos
médiuns, que o somos todos, como nos ensina Kardec, pela crença totalmente
dissociada da realidade, daqueles que supõem a alma absolutamente separada do
corpo físico, quando, de fato, todas as manifestações psicofísicas que atuam
sobre o cosmo orgânico, provém da influenciação espiritual.
Continuaremos
no próximo artigo.
(*) Todos os grifos são meus.
Referências
(2) Luiz,
André. Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido
Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.
(3) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado
por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.
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