segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 

O que é desenvolver a mediunidade?            Parte 1

(Estudo do livro Missionários da Luz – Cap. 3)

 

Dando continuidade ao estudo do livro Missionários da Luz realizado no Grupo Espírita da Fraternidade na cidade de Araçatuba, iniciamos neste artigo a primeira parte do capítulo 3 sobre desenvolvimento da mediunidade.

Existente desde sempre sobre a Terra, a mediunidade com suas manifestações fenomênicas mais se evidenciou, sem dúvida, com as mesas girantes em meados do século dezenove.

Tal ocorrência estava determinada desde a profecia bíblica registrada no Antigo Testamento, no livro de Joel 2:28, e repetida no Novo Testamento pelo apóstolo Pedro em Atos 2:17:

“E acontecerá, nos últimos tempos, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus velhos sonharão, e os seus jovens terão visões."

É a inequívoca constatação da vulgarização da mediunidade, que presentemente se revela em indivíduos de todas as idades, de ambos os sexos e de todas as condições. Isso, conforme está dito, acontecerá nos últimos tempos; e devemos entender estas palavras como indicativas dos últimos tempos do mundo moral que chega a seu termo.

Claramente, observou-se um amadurecimento psíquico no espírito humano para possibilitar este derramamento Divino sobre toda “carne” configurando a mediunidade.

Allan Kardec, perfeitamente sincronizado com as revelações celestes codificadas na Doutrina Espírita bem no início de O Livro dos Espíritos se refere à mediunidade nos Prolegômenos e considera:

“As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.”

 

Rara é a família, hoje na Terra, que não apresenta alguém que alega ver, ouvir ou pressentir algum familiar ou conhecido que já morreu ou mesmo, um rudimento de intuição manifesta.

São os sinais dos tempos.

Telésforo, personagem do livro Os Mensageiros vem nos esclarecer dizendo que:

“A mente humana abre-se, cada vez mais, para o contato com as expressões invisíveis, dentro das quais funciona e se movimenta. Isto é uma fatalidade evolutiva.”

De lá para cá, a mediunidade, em cada um de nós se desenvolve, porém para tanto, deve merecer do candidato verdadeiro esforço. É o instrutor Alexandre que comenta com André Luiz sobre esta necessidade, no livro Missionários da Luz.

“Alguns pretendem a psicografia, outros tentam a mediunidade de incorporação. Infelizmente, porém, quase todos confundem poderes psíquicos com funções fisiológicas. Acreditam no mecanismo absoluto da realização e esperam o progresso eventual e problemático, esquecidos de que toda edificação da alma requer disciplina, educação, esforço e perseverança.”

Quer dizer, na criatura humana, a mediunidade não se desenvolverá automaticamente, obedecendo a um comando, digamos, genético ou hereditário.

A faculdade mediúnica, em si, é neutra e seu emprego, pelo médium, é que proporcionará seu aspecto sublime ou infeliz.

Em duas frases, aprendemos com Alexandre a necessidade do médium investir no seu desenvolvimento:

“Sem a preparação necessária, a excursão dos que provocam o ingresso no reino invisível é, quase sempre, uma viagem nos círculos de sombra”

“Ninguém pode trair a lei impunemente e, para subir, Espírito algum dispensará o esforço de si mesmo, no aprimoramento íntimo.”

Neste importante capítulo do livro Missionários da Luz, nos são apresentados três casos de médiuns indisciplinados que apresentam os vícios do sexo desregrado, do alcoolismo e da gula. Em todos eles, encontramos o vampirismo como fenômeno comum, sem que nossos irmãos apresentem a mínima noção desta situação.

Assim como já referido no livro Os Mensageiros, André Luiz sob a orientação de Alexandre, aborda os bacilos psíquicos com agentes vampirizantes, não conhecidos pela medicina da Terra, e que por falta de uma melhor terminologia aos nossos conhecimentos, denomina-lhes de larvas, simplesmente.

Estas larvas, demonstrado nos três casos, embora não sejam estruturadas em matéria propriamente física, tal qual a conhecemos, atuam fortemente sobre as estruturas físicas do organismo humano como refere-se Alexandre:

“Começavam - (as larvas) - as movimentações sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compac tas, nas vesículas seminais, na próstata, nas massas mucosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras micros cópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica.”

Concretamente, era a ação de “seres invisíveis” sobre o mundo visível a nível infinitesimal.

São cultivadas por nós próprios, em função do desregramento de nossas emoções calcadas por experiências de baixo teor de forma constante, assim como, pelo próximo contato com entidades grosseiras atraídas pela esteira destes mesmas emoções e pensamentos.

De maneira inteligente, Alexandre justifica estas ações desequilibradas dos médiuns, que o somos todos, como nos ensina Kardec, pela crença totalmente dissociada da realidade, daqueles que supõem a alma absolutamente separada do corpo físico, quando, de fato, todas as manifestações psicofísicas que atuam sobre o cosmo orgânico, provém da influenciação espiritual.

Continuaremos no próximo artigo.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

(3) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

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