Sementes
de Destino
Eu
sempre me pus a perguntar, quais as formas pelas quais a Justiça Divina conhece,
de tantos bilhões de espíritos, todos os escaninhos da mente e pode tão bem
cuidar de cada um deles? Como se cumpre sua Lei magnânima para cada um de seus
filhos com tanta perfeição?
Assim
como pelo axioma que diz que a todo efeito inteligente, deve haver uma ação
inteligente, podemos logicamente concluir que se Deus é a inteligência máxima e
soberana do Universo, razão há para explicar o que acima questiono, somente
ainda não possuímos o conhecimento necessário para entende-lo em sua plenitude.
Mas um dia, quem sabe, nos será descortinado a dinâmica desta Lei. Aguardemos,
nos preparando.
De
qualquer forma, encontramos aqui e ali, garimpando (assim deve ser o
estudioso), em obras espíritas de espíritos e médiuns acima de qualquer
suspeita alguns indicativos de como a coisa deve funcionar. Nesse caso, então,
recorremos a André Luiz e Chico Xavier, respectivamente. Não há como
contestá-los, embora, infelizmente, há quem o faça dentro do próprio
Espiritismo. Triste.
Na
obra Evolução em Dois Mundos vamos aprender no capítulo XIX, - Alma e Reencarnação – que o Espírito desencarnado endividado, internado em zona
purgatorial criada por sua própria consciência, se reúne a outros tantos
espíritos endurecidos, fazendo uma comunidade dolorosa, lembrando o Inferno de
outras crenças, que à semelhança das penitenciárias e hospitais, recuperam e
auxiliam.
Nestes
locais, o mal é defrontado pelo próprio mal, como medicação purgativa que
convulsiona antes de recuperar. Entretanto, tão logo os irmãos enfermos revelem
os primeiros sinais de renovação para o bem, os benfeitores das Esferas
Superiores, registrando-lhe a dor do arrependimento, comparecem ao seu auxílio.
Resgatados,
passam por período de convalescença, revendo compromissos da encarnação que não
foram cumpridos e até piorados.
Por
mais que se esforcem tentando se reintegrar em novas tarefas, melhorando suas
condições, aperfeiçoando e aprimorando e combatendo, à custa de inaudito
esforço, antigos impulsos inferiores, restam-lhe as “Sementes de Destino”.
Mesmo
quando as suas vítimas tenham já superado todas as sequelas dos golpes sofridos
por estas equivocadas entidades espirituais, que agora colocam-se em posição de
recuperação, permanecem entranhado em sua intimidade as lembranças dos erros
voluntários.
Aniceto,
personagem do livro Os Mensageiros, a este respeito, tem uma frase muito
apropriada. Diz o mentor para André Luiz e Vicente que “a dívida, em toda
parte, anda com os devedores.”
Lembranças
dos erros voluntários, repito, a se constituírem em Sementes de Destino que
provocam no espírito endividado, a necessidade de rogar por novas
reencarnações com provas de que precisam para se quitarem consigo próprio, de
maneira consciente.
O
próprio algoz requer ao supremo juiz e Senhor, as oportunidades de
reconciliação com os irmãos vitimados, com sua própria e com a Consciência
Cósmica.
Para
estes casos, o planejamento reencarnatório é legítimo.
Estes cuidados
preparatórios da nova tarefa em vista, buscam reunir, em desafiadores
reencontros, quanto possível, os credores ou as circunstâncias imprescindíveis,
junto aos quais se redima perante a Lei.
Resumindo, estamos todos enlaçados a nossos próprios erros
pretéritos, inapelavelmente. As Sementes de Destino por mais que permaneçam
latentes, como que adormecidas no porão da nossa inconsciência, cedo ou tarde,
desabrocharão na forma de hastes espinhosas a requererem braços e mãos
operosas, que lhes auxiliem a regeneração.
Referências:
(1) Luiz, André. Evolução em
dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1958. 219p.
(2) Luiz, André. Os
Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.
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