segunda-feira, 18 de maio de 2026

 

Como reconhecer um povo civilizado.

Eminentemente perfectivel, há no espirito humano permanente inquietação, um anseio incontido de buscar novos horizontes, de superar limitações. Algo como um impulso do Criador estimulando a criatura a seguir adiante, rumo à sua gloriosa destinação.

Cumpre-se nessa eterna procura a Lei do Progresso, lei Divina magistralmente estudada por Allan Kardec na terceira parte de O Livro dos Espíritos.

Questionado se a civilização representa um progresso para a Humanidade, os espíritos superiores responderam, à questão 790 de O Livro dos Espíritos, que se trata de um progresso sim, porém incompleto. Ou seja, pelo prisma do entendimento atual do que seja civilização, apenas ela não bastará para estabelecer o progresso da Humanidade.

Como se vê, há que se apurar, aperfeiçoar a civilização, de modo a fazer que desapareçam os males que haja produzido, e isso somente ocorrerá quando o moral estiver tão desenvolvido quanto a inteligência.

Afirmar que alguém é civilizado, remete-se à pessoa bem-educada, que cultiva boas maneiras e é socialmente integrado ao que se pode considerar como normal no convencionalismo estabelecido para determinado período da sociedade.

Vejamos o conceito que a espiritualidade nos apresenta à questão 793 da obra básica primeira da codificação:

 Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?

R. “Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização.”

A civilização é, portanto, um processo.

Processo sem volta, que visa tornar a sociedade, cada vez maior e mais complexa, melhor.

Nesse estado que podemos considerar uma civilização incompleta, embora como um estado transitório, ela é capaz de grandes avanços, assim como, produzir grandes males.

Somente com o progresso moral, poderá a humanidade inteirar-se de seu status de completa civilidade, fazendo cessar os males que gerou.

Conheçamos as características de uma sociedade que demonstra flagrante processo de civilização em suas bases:

          - aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho;

- onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais;

- onde a inteligência possa se desenvolver com maior liberdade;

- onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas;

- onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, por isso que tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo;

- onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro;

- onde com menos parcialidade se exerça a justiça;

- onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte;

- onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam melhormente respeitadas;

- onde exista menor número de desgraçados;

- enfim, onde todo homem de boa vontade esteja certo de lhe não faltar o necessário.

Querido leitor, quão distante estamos de preencher os requisitos desta lista?

É necessário que nos compenetremos que a Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. Quando estes preponderam pelo número, tornarão líderes e arrastarão muitos.

É por isso que Jesus na missão de implantar o Reino de Deus no coração do homem, serviu e ensinou até o derradeiro sacrifício, exaltando a importância da individualidade, no aperfeiçoamento comum. O homem modificado, modifica a sociedade.

Espíritos puros e perfeitos, verdadeiros prepostos do Criador, com largas responsabilidades que envolvem o progresso de imensas coletividades, orientam-nas em experiências compatíveis com suas necessidades evolutivas.

Na Revista Espírita de Janeiro de 1863, Um Espírito Protetor, traz-nos luz sobre este aspecto:

“Em certas épocas, e podemos dizer em momentos previstos, designados, surge um homem que abre um caminho novo, que escarpa os rochedos áridos de que se acha semeado o mundo conhecido da inteligência. Arma-se de coragem, pois esta lhe é necessária para lutar corpo-a-corpo contra os preconceitos, contra os usos que lhe foram transmitidos. (...) Chegado a este ponto, em que a luz escapa bastante forte do círculo do qual é o centro, todos os olhares se voltam para ele; ele assimila todo o princípio inteligente e bom; reforma e regenera o princípio contrário, a despeito dos prejuízos, apesar da má-fé e malgrado as necessidades; chega ao seu objetivo, faz a Humanidade transpor um grau e conhecer o que não era conhecido.”

 

São os gênios na Humanidade. Gênios da espiritualidade.

Fazemos aqui um destaque para a justiça da reencarnação que é amplamente realçada pelo progresso dos povos. Por ela, todos, indistintamente, possuem igual direito à felicidade, porque ninguém fica privado do progresso. Os espíritos que viveram em tempos primitivos de civilização, podem regressar no seio do mesmo povo, ou de outro, em tempos de maior modernidade, tirando proveito da marcha ascensional.

Outras crenças que defendem o sistema da unicidade da existência, apresentam neste tema, extrema dificuldade de explicar como se pode verificar o progresso dos povos ao longo dos séculos.

Segundo nos ensina o Espiritismo, das conquistas atuais, os espíritos que compuseram as gerações passadas, são beneficiados pelas melhores condições do planeta e podem assim aperfeiçoar-se no foco da civilização.

Daí fundamental que trabalhemos hoje com muita responsabilidade e afinco para construirmos uma sociedade e um mundo mais justo e melhor em todos os aspectos.

Ele, o planeta Terra, será no futuro, como espíritos reencarnados, nossa moradia novamente, e, a menos que muito nos dediquemos e lutemos para sua melhora, será grande a chance de encontrarmos a casa em ruína e termos que recomeçar tudo de novo.

 

(*) Todos os grifos são nossos

Referências

1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Kardec, Allan. Revista Espírita. Lei do Progresso. Janeiro de 1863. 4ª ed.  Brasília. Editora FEB, 2004. 519p.


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