segunda-feira, 11 de maio de 2026

 

Sentinela vigilante.

Falando sobre a presença de Deus em cada um de nós, um Espírito Protetor (1860), em o Evangelho Segundo o Espiritismo explica como isso pode ser possível. E vejam que está se referindo aos espíritos em todo o Universo. Ele assim se expressa:

“Ora! somos tão numerosos na Terra, que Deus não nos pode ver a todos.” Escutai bem isto, meus amigos: Quando estais no cume da montanha, não abrangeis com o olhar os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: do mesmo modo vos vê Deus.”

Uma maravilhosa comparação! Somos todos grãos de areia sob o complacente olhar Divino. E da mesma maneira que os grãos de areia (nós) se movem ao sabor do vento que os mistura, Deus nos deixa assim livres, com o uso do livre-arbítrio para agirmos.

Para nos proteger, principalmente de nós mesmos, ele concede à sua criatura, a “sentinela vigilante”, mais conhecida como consciência.

Sobre como essa sentinela age sobre nós, elucida:

“Somente bons conselhos ela vos dará. Às vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal. Ela, então, se cala. Mas, ficai certos de que a pobre escorraçada se fará ouvir, logo que lhe deixardes aperceber-se da sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a e com frequência vos achareis consolados com o conselho que dela houverdes recebido.”

 

Vamos repetir com nossas palavras, para auxiliar no entendimento: por incrível que pareça, conseguimos fazer calar a consciência com nossas impensadas atitudes que ferem as leis Divinas. Desses erros, às vezes mais ou menos graves, advém o sofrimento e quando, tomados de alguma lucidez, nos arrependemos.

Deste movimento, qual uma pequena fresta luminosa que se esforça para romper a escuridão de nossos corações, pela forja de abençoado remorso, o espírito emerge para nova e santa oportunidade. Criamos então, ambiente psíquico propício para ouvirmos nossa vigilante sentinela, a qual, na representação do Divino no íntimo de cada um de nós, se manifesta. Basta queiramos ouvi-la.

Paira, assim, muito acima das leis humanas, transitórias e imperfeitas, a Legislação Divina, que independe de sistemas e autoridades policiais e jurídicas, porquanto vige na intimidade de nossa própria consciência, premiando-nos com a felicidade quando a observamos ou corrigindo-nos com o sofrimento, quando dela nos distanciamos.

Espíritos mais evoluídos, expressando uma consciência isenta de remorsos, caminham com mais segurança em direção ao nobre destino que a todos nos aguarda: a pureza do Espírito.

André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, estabelece claramente a relação da presença da consciência desperta com a deflagração no ser, dos princípios da Lei de Ação e Reação, Vejamos:

“Incorporando a responsabilidade, a consciência vibra desperta e, pela consciência desperta, os princípios de ação e reação funcionam, exatos, dentro do próprio ser, assegurando-lhe a liberdade de escolha e impondo-lhe, mecanicamente, os resultados respectivos, tanto na Esfera física quanto no Mundo Espiritual”.

Quanto mais nos esclarecemos com a luz dos postulados espíritas, mais nos tornamos responsáveis. Nossa percepção da “consciência” indicando para onde devemos seguir, se dilata à medida que crescemos em valores espirituais nobres.

Vamos concluindo nosso humilde raciocínio trazendo às nossas reflexões, do livro Emmanuel, psicografado por Chico Xavier e ditado pelo espírito Emmanuel, a seguinte pérola espiritual sobre a consciência:

“Na história de todos os povos, observar-se a tendência religiosa da Humanidade; é que, em toda personalidade existe uma fagulha divina – a consciência, que estereotipa em cada espírito a grandeza e a sublimidade de sua origem; no embrião, a princípio rude nas suas menores manifestações, a consciência se vai despindo dos véus de imperfeição e bruteza que rodeiam, debaixo de muitas vidas do seu ciclo evolutivo, em diferentes círculos de existência, até que atinja a plenitude do aperfeiçoamento psíquico e o conhecimento integral do seu próprio “eu”, que, então, se unirá ao centro criador do Universo, no qual se encontram todas as causas reunidas e de onde irradiará o seu poema eterno de sabedoria e amor. É a consciência, centelha de luz divina, que faz nascer em cada individualidade a ideia da verdade, relativamente aos problemas espirituais, fazendo-lhe sentir a realidade positiva da vida imortal, atributo de todos os seres da criação”.

Muito bem!

Aprendamos, à vista disso, que se encontra latente em nosso íntimo tudo o de que necessitamos para crescer em plenitude. Reconhecer que todo dia poderemos avançar, mesmo com todos os problemas que nos cerquem, porque, de certa forma, em nós próprios está a resolução, basta que nos adequemos aos valores sublimes do Evangelho de Jesus.

Referências:

(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

(2) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

(3) Emmanuel. Emmanuel. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 28ª ed. Brasília. Editora FEB, 1938. 208 p.

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