Sentinela
vigilante.
Falando
sobre a presença de Deus em cada um de nós, um Espírito Protetor (1860), em o Evangelho
Segundo o Espiritismo explica como isso pode ser possível. E vejam que está
se referindo aos espíritos em todo o Universo. Ele assim se expressa:
“Ora! somos tão numerosos na
Terra, que Deus não nos pode ver a todos.” Escutai bem isto, meus amigos:
Quando estais no cume da montanha, não abrangeis com o olhar os bilhões de
grãos de areia que a cobrem? Pois bem: do mesmo modo vos vê Deus.”
Uma
maravilhosa comparação! Somos todos grãos de areia sob o complacente olhar
Divino. E da mesma maneira que os grãos de areia (nós) se movem ao sabor do
vento que os mistura, Deus nos deixa assim livres, com o uso do livre-arbítrio
para agirmos.
Para
nos proteger, principalmente de nós mesmos, ele concede à sua criatura, a “sentinela
vigilante”, mais conhecida como consciência.
Sobre
como essa sentinela age sobre nós, elucida:
“Somente bons conselhos ela
vos dará. Às vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal. Ela,
então, se cala. Mas, ficai certos de que a pobre escorraçada se fará ouvir,
logo que lhe deixardes aperceber-se da sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a
e com frequência vos achareis consolados com o conselho que dela houverdes
recebido.”
Vamos
repetir com nossas palavras, para auxiliar no entendimento: por incrível que
pareça, conseguimos fazer calar a consciência com nossas impensadas atitudes
que ferem as leis Divinas. Desses erros, às vezes mais ou menos graves, advém o
sofrimento e quando, tomados de alguma lucidez, nos arrependemos.
Deste
movimento, qual uma pequena fresta luminosa que se esforça para romper a
escuridão de nossos corações, pela forja de abençoado remorso, o espírito
emerge para nova e santa oportunidade. Criamos então, ambiente psíquico
propício para ouvirmos nossa vigilante sentinela, a qual, na representação do
Divino no íntimo de cada um de nós, se manifesta. Basta queiramos ouvi-la.
Paira,
assim, muito acima das leis humanas, transitórias e imperfeitas, a Legislação
Divina, que independe de sistemas e autoridades policiais e jurídicas,
porquanto vige na intimidade de nossa própria consciência, premiando-nos com
a felicidade quando a observamos ou corrigindo-nos com o sofrimento, quando
dela nos distanciamos.
Espíritos
mais evoluídos, expressando uma consciência isenta de remorsos, caminham com
mais segurança em direção ao nobre destino que a todos nos aguarda: a pureza do
Espírito.
André
Luiz, em Evolução em Dois Mundos, estabelece claramente a relação da
presença da consciência desperta com a deflagração no ser, dos princípios da
Lei de Ação e Reação, Vejamos:
“Incorporando a
responsabilidade, a consciência vibra desperta e, pela consciência
desperta, os princípios de ação e reação funcionam, exatos, dentro do próprio
ser, assegurando-lhe a liberdade de escolha e impondo-lhe,
mecanicamente, os resultados respectivos, tanto na Esfera física quanto no
Mundo Espiritual”.
Quanto
mais nos esclarecemos com a luz dos postulados espíritas, mais nos tornamos
responsáveis. Nossa percepção da “consciência” indicando para onde devemos
seguir, se dilata à medida que crescemos em valores espirituais nobres.
Vamos
concluindo nosso humilde raciocínio trazendo às nossas reflexões, do livro Emmanuel,
psicografado por Chico Xavier e ditado pelo espírito Emmanuel, a seguinte
pérola espiritual sobre a consciência:
“Na história de todos os
povos, observar-se a tendência religiosa da Humanidade; é que, em toda
personalidade existe uma fagulha divina – a consciência, que estereotipa em
cada espírito a grandeza e a sublimidade de sua origem; no embrião, a princípio
rude nas suas menores manifestações, a consciência se vai despindo dos véus de
imperfeição e bruteza que rodeiam, debaixo de muitas vidas do seu ciclo evolutivo,
em diferentes círculos de existência, até que atinja a plenitude do
aperfeiçoamento psíquico e o conhecimento integral do seu próprio “eu”, que,
então, se unirá ao centro criador do Universo, no qual se encontram todas as
causas reunidas e de onde irradiará o seu poema eterno de sabedoria e amor. É
a consciência, centelha de luz divina, que faz nascer em cada individualidade a
ideia da verdade, relativamente aos problemas espirituais, fazendo-lhe
sentir a realidade positiva da vida imortal, atributo de todos os seres da
criação”.
Muito
bem!
Aprendamos,
à vista disso, que se encontra latente em nosso íntimo tudo o de que
necessitamos para crescer em plenitude. Reconhecer que todo dia poderemos
avançar, mesmo com todos os problemas que nos cerquem, porque, de certa forma,
em nós próprios está a resolução, basta que nos adequemos aos valores sublimes
do Evangelho de Jesus.
Referências:
(1) Kardec, Allan. O Evangelho
Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília.
Editora FEB, 1944. 410p.
(2) Luiz, André. Evolução em
dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.
(3) Emmanuel. Emmanuel. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 28ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1938. 208 p.
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