segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

 

De que adianta saber de tudo isso?

 

O espírito é imortal, não eterno. Deus é eterno.

Jesus Cristo, Governador espiritual do Planeta Terra.

Reencarnação no mundo espiritual.

Dimensões espirituais superiores e inferiores.

Trevas, Abismo.

Umbral, Nosso Lar.

Comunicação entre “vivos e mortos”.

Evolução do princípio inteligente desde os reinos inferiores.

Animais no mundo espiritual.

Crianças que nascem no mundo espiritual.

Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec.

Esquecimento do passado.

Erraticidade.

Ao desencarnar, viveremos num outro planeta ainda material.   Plano Espiritual mesmo, ainda se encontra muito distante de nós.

O Tempo e o Espaço, estão em nossa mente.

O meio em que vivemos é resultado de nossa projeção mental, consequentemente, é o pensamento que situa o espírito no Universo.

Me encontrava, fazendo estas reflexões num certo domingo de manhã e me veio à mente um questionamento:

Para que saber de tudo isso? Sem pestanejar me veio à cabeça:

- O despertar da consciência é fundamental para a evolução do espírito.

- Para entrar na posse de nós mesmos e não sermos mais joguetes do destino, vivendo à mercê das circunstâncias.

- Cada vez mais gerar carmas positivos e reduzir ao máximo os negativos.

- Criar mérito na prática do bem, para merecer auxílio.

- Ascender com consciência, descartando a ilusão milenária que nos guiou e ainda, muitas vezes nos guia os destinos.

Por fim,

- Para viver em equilíbrio e melhor junto aos que nos cercam, feliz, porém inquieto, com o que sou e como sou, fazendo-me seguro, embasado na Fé raciocinada, crendo em Jesus como modelo e guia e em Deus como nosso Pai amoroso.

Assim começarei meu ano de 2026.

Feliz Ano Novo!  

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

 

Natal Especial

 

A jornada de Jesus tem muito a ensinar. Até em seu nascimento conseguimos enxergar lições, como humildade, amor e esperança.

O Natal, considerado seu nascimento, remete a esses sentimentos. Também significa a (re)união em família a fim de celebrar com alegria.

A muitos é custoso aprender que a comemoração do Natal, acima de tudo, significa uma oportunidade de (re)encontro mais íntimo com a mensagem de Jesus a nos concitar ao serviço no bem.

Nesta data, que normalmente nos sensibiliza e deslumbra, recordamos, ainda que não quiséssemos, velhas afeições. Pai, mãe, irmãos, amigos. Antigos natais que nos trazem inefáveis lembranças.

Se certa vez, foram dias de alegrias e festas, cânticos e muitos presentes, hoje não há quem não seja atingido de certa melancolia íntima.

Esse é o mistério da magia do Natal. É Jesus falando ao nosso coração.

Em qualquer parte, é a esperança renovada de que cada coração alcance um dia a compreensão da solidariedade humana.

Ao renascer em nossos corações, Ele deseja que estendamos as mãos para derramarmos bênçãos aos irmãos infortunados. Assim auxiliemos com:

um sorriso sincero,

a benção do perdão,

a caridade em ação,

o tempo doado a irmãos enfermos,

a mensagem de fé e esperança.

Ansiando por acompanhar e servir a Jesus, ninguém deve crer-se livre ou dispensado de realizar mínimo esforço de renovação pessoal, porque através dele, constantemente, exercitaremos o “amai-vos uns aos outros”.

E mergulhados nas alegrias que o natalício do Mestre nos enseja, logo mais quando a grande transformação nos visitar, à maneira do velho Simeão que ao vislumbrar o menino Jesus, possamos também dizer:

Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação”

Jesus, a esperança da paz e a luz do mundo!

FELIZ NATAL!


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

 

É preciso estudar um tanto mais.

 

Dando continuidade ao artigo anterior, permitam-me relembrar, reescrevendo, a premissa básica que estabelecemos para avançar nestes entendimentos.

A desencarnação, por si só, não dota o espírito de faculdades, conhecimentos e virtudes que ele, por seu próprio esforço não tenha adquirido. Se a pessoa encarnada não logrou transcendência, prosseguirá no mundo espiritual, quando desencarnada, com toda a humanidade possível.

E isto tanto no aspecto físico como moral.

Fácil entender o porquê, continuarem predominando, nas esferas espirituais mais próximas da Terra, todas as religiões aqui conhecidas.

Conclusão: o mundo espiritual adjacente não é espírita!

E se posso assim me expressar, nem o mundo espiritual superior o é. Desde que entendamos o Espiritismo como uma doutrina composta por um sistema de ideias que aclara e explica as Leis Divinas e que promana das Esferas Elevadas, perceberemos seu conteúdo como a Boa Nova anunciada pelos anjos por ocasião do nascimento de Jesus entre nós.

A famosa colônia espiritual descrita por André Luiz, Nosso Lar, em livro do mesmo nome, possui características ecumênicas. Os países, no mundo espiritual, continuam existindo com suas fronteiras e barreiras culturais, sociais, idiomáticas, etc. Enfim, não mudamos quase nada nossa concepção de Universalidade, que convenhamos, é extremamente precária em nossa realidade atual.

Entendemos que todos estes rótulos que exibimos aqui na Terra e continuaremos a manifestar nas esferas circunvizinhas, sejam necessários para nossa devida referenciação. São pontos de referências que ainda necessitamos para “enxergar” nossa individualidade, já que nossa personalidade se vai com a desencarnação. Por outro lado, também compreendemos que estes rótulos desaparecerão muito gradativamente, à medida que, pelo nosso desenvolvimento espiritual, merecermos habitar esferas mais elevadas, sejam elas físicas ou extrafísicas.

Isto posto, estranho a dificuldade de companheiros espíritas, muitos deles estudiosos e compenetrados, apresentarem dificuldade para entender que o corpo espiritual seja dotado de órgãos como o é o corpo físico.  Ora, se por definição o corpo espiritual ou perispírito é o organizador, o molde biológico sobre o qual o corpo físico se origina, pergunto como poderia ser ele este molde, sem portar as respectivas estruturas que existem no corpo físico?

Assim, também compreenderemos, que por ser constituído de matéria, embora em grau mais sutilizado, o corpo espiritual está sujeito a desgastes, contrair doenças, enfermar e até morrer. Alusivo a este tema, recorramos à obra Evolução em Dois Mundos da psicografia de Chico Xavier pelo espírito André Luiz, quando responde ao seguinte questionamento:

Em que condições o corpo espiritual de um desencarnado sofrerá compressões, escoriações ou ferimentos?

– Dentro do conceito de relatividade, isso se verifica nas mesmas condições em que o corpo físico é injuriado dessa ou daquela forma na Terra. Não dispomos, entretanto, presentemente, de terminologia adequada na linguagem terrestre para mais amplas definições do assunto.

Aliás, sobre isso questionaríamos, se uma doença contraída no perispírito de um espírito desencarnado pode passar para o corpo físico quando este espírito reencarnar? Pessoa que desencarna vítima de grave doença poderá despertar no mundo espiritual ainda com esta enfermidade? São questões para refletirmos e buscarmos respostas que já se encontram nas páginas dos bons livros espíritas.

 

O corpo espiritual, guardadas as devidas proporções da constituição e densidade material, possui coração, cérebro, pulmões, aparelho circulatório e claro, sangue, assim como aparelho reprodutor e órgãos reprodutores, as genitálias. E se reproduzem.

Claro, se reproduz o perispírito, que também é corpo, não o Espírito. E da mesma forma que acima dissemos, à medida que o espírito evolui, os órgãos através dos quais ele se manifesta afetivamente vão, gradativamente, sendo suprimidos até perderem a função. Até lá, são eles fundamentais para a aquisição das experiências emocionais e psíquicas pelas quais o espírito aprende, erra, acerta e por fim, evolui.

Para dar continuidade aos estudos dos conhecimentos contidos na obra básica da codificação, alargando nossa compreensão, é fundamental conhecer a obra de Chico Xavier, especialmente as da lavra do espírito André Luiz, lendo-as sem o espírito dos dogmas que nos influenciaram por séculos e ainda nos fazem pensar com a cabeça formatada pelas crenças que outrora abraçamos. Um estudo mais racional que nos possa conduzir a formar uma ideia mais precisa da Vida no além. Chico Xavier dizia que os espíritas estão muito enganados a respeito da vida no mundo espiritual.

O que muitos consideram por antidoutrinário é, de fato, falta de estudo mais profundo que venha acrescentar aos nossos limitadíssimos conhecimentos, melhor compreensão da realidade.

Por isso, bendigamos o contato com a Doutrina Espírita, na presente encarnação, a qual consideramos, ser a primeira de nossas incontáveis existências no corpo físico que, com maior lucidez, iniciamos na posse dos reais valores espirituais.

Aproveito a oportunidade para desejar aos leitores deste blog um Feliz Natal junto às pessoas amadas com muita concórdia e fraternidade como nos ensinou Jesus, o aniversariante do dia.

**** Publicaremos dia 25/12, dia do Natal, artigo especial.

(*) Todos os grifos são meus.

Referência

(1) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

 

É preciso estudar mais.

 

Mesmo na dimensão espiritual, o espírito desencarnado não gozará, em plenitude, de todas as faculdades e potencialidades que tão somente as teremos quando exibirmos superiores condições evolutivas.

Nesse contexto, podemos refletir sobre algumas destas faculdades por nós conhecidas, dentre outras tantas que ainda permanecem latentes e somente despertarão no grande futuro.

A premissa básica, embora para muitos ainda não pareça, é que a desencarnação, por si só, não dota o espírito de faculdades, conhecimentos e virtudes que ele, por seu próprio esforço não tenha adquirido. Trocando em miúdos, a pessoa que encarnada não logrou transcendência, quando desencarnada prosseguirá no mundo espiritual, com toda a humanidade possível. A morte, para este, representará um pequeno passo (para frente, para o lado ou para trás) que somente o despojará de sua vestimenta física.  

Não esqueça disso. Esse saber é fundamental!

Vamos às mais conhecidas e que muitos companheiros espíritas ou simpatizantes da doutrina imaginam, de maneira equivocada, sua manifestação.

Considerando os que desencarnam na Terra em retorno à pátria espiritual, a maioria não conseguirá volitar. A volitação é a capacidade dos espíritos de se deslocarem pelo espaço sem precisar de esforço físico, movendo-se com a força do pensamento e da vontade.

Essa faculdade diz respeito à leveza manifesta pelo perispírito e à sua condição mental. Fica claro ao leitor, que ambas as situações requeridas para o ato de volitar em plenitude, é característico de uma enorme minoria dos habitantes da Terra. Leveza perispiritual e condição mental são fatores que estão diretamente relacionados à evolução espiritual nos seus aspectos intelectual e moral.  

Nós, terráqueos, espíritos de pouca evolução, nem durante o sono logramos nos afastar do corpo físico com tanta facilidade, fazendo jus à afirmativa de que o corpo físico para o espírito, representa uma prisão. Não há referência no livro Nosso Lar, de que André Luiz tenha volitado, aliás, por longo tempo, antes de ser recolhido ao ministério do Auxílio, se locomovia com dificuldade no Umbral. Concordamos, portanto, com Dr. Inácio quando afirma que numerosos de nós, ao desencarnarmos, sairemos de maca, muitos arrastando-se e poucos caminhando.

Avançando, reflitamos sobre a comunicação telepática. Recorramos às lições de André Luiz do livro Evolução em Dois Mundos, na segunda parte, sobre a linguagem dos desencarnados ao responder como se caracteriza a linguagem entre os Espíritos.

Incontestavelmente, a linguagem do Espírito é, acima de tudo, a imagem que exterioriza de si próprio. (...) . Círculos espirituais existem, em planos de grande sublimação, nos quais os desencarnados, sustentando consigo mais elevados recursos de riqueza interior, pela cultura e pela grandeza moral, conseguem plasmar, com as próprias ideias, quadros vivos que lhes confirmem a mensagem ou o ensinamento, seja em silêncio, seja com a despesa mínima de suprimento verbal, em livres circuitos mentais de arte e beleza, tanto quanto muitas Inteligências infelizes, treinadas na ciência da reflexão, conseguem formar telas aflitivas em circuitos mentais fechados e obsessivos, sobre as mentes que magneticamente jugulam.

Aprendemos que nem só os espíritos evoluídos comunicam-se telepaticamente. Assim como o corpo físico “fala”, o Espírito, nas suas diversas expressões, também se manifesta, sendo a imagem que dele naturalmente flui, sua mais forte forma de comunicação. Por este mesmo princípio, os Espíritos desencarnados durante o transe, agem sobre os médiuns, à base das imagens positivas ou negativas (os ideogramas), que transmitem com suas próprias palavras ou recursos disponíveis.

André Luiz, porém, finaliza a resposta com importante ressalva, que nos atinge naturalmente:

Todavia, não obstante reconhecermos que a imagem está na base de todo intercâmbio entre as criaturas encarnadas ou não, é forçoso observar que a linguagem articulada, no chamado espaço das nações, ainda possui fundamental importância nas regiões a que o homem comum será transferido imediatamente após desligar-se do corpo físico.

O espaço das nações representa o duplo, no mundo espiritual de cada nação, ou seja, no mundo espiritual acima ao Brasil, a maioria dos espíritos desencarnados que ali habitarem, utilizarão a linguagem verbal como recurso de comunicação e o idioma, é claro, será o português, assim como na dimensão espiritual referente a Alemanha, o idioma será o alemão e assim por diante.

Não podemos deixar de remeter nosso assíduo leitor deste blog, ao profundo ensinamento da Ministra Veneranda, no capítulo 37 do livro Nosso Lar quando faz reflexões sobre a surpresa que muitos espíritos desencarnados experimentam sobre este tema. Vejamos:

Não haviam aprendido que o pensamento é a linguagem universal? Não foram informados de que a criação mental é quase tudo em nossa vida? São numerosos os irmãos que formulam semelhantes perguntas. Todavia, encontraram aqui a habitação, o utensílio e a linguagem terrestres. (...).

O pensamento é a base das relações espirituais dos seres entre si, mas não olvidemos que somos milhões de almas dentro do Universo, algo insubmissas ainda às leis universais. (...).

Os grandes instrutores da humanidade carnal ensinam princípios divinos, expõem verdades eternas e profundas, nos círculos do globo. Em geral, porém, nas atividades terrenas, recebemos notícias dessas leis sem nos submetermos a elas e tomamos conhecimento dessas verdades sem lhes consagrarmos nossas vidas. Será crível que, somente por admitir o poder do pensamento, ficasse o homem liberto de toda a condição inferior? Impossível!

Informamo-nos a respeito da força mental no aprendizado mundano, mas esquecemos que toda a nossa energia, nesse particular, tem sido empregada por nós, em milênios sucessivos, nas criações mentais destrutivas ou prejudiciais a nós mesmos. (...).

“Todos sabemos que o pensamento é força essencial, mas não admitimos nossa milenária viciação no desvio dessa força.

Maravilha de lições em tão poucas palavras. Dignas de um Espírito altamente evoluído, que se propõe a sacrificar-se para nosso aprendizado. Reflitamos demoradamente sobre os aspectos que Veneranda nos alerta quando se trata de levarmos à prática nosso conhecimento sobre as realidades e verdades espirituais. A nossa limitação espiritual, nos diversos campos de ação do espírito imortal, devemos exclusivamente à nossa lentidão, preguiça e falta de vontade de transformação genuína.

Comunicação exclusiva pelo pensamento ainda é conquista a ser efetuada por nós e nesse sentido, a oração e a reflexão são o melhor exercício para o desenvolvimento da telepatia.

Pergunta que se impõe: quantos na Terra tem o hábito frequente, assíduo e disciplinado da oração e da reflexão sublimada? Da sua resposta, que imagino tenha sido “raros irmãos”, podemos concluir que, nas dimensões espirituais adjacentes do orbe terrestre (espaço das nações), nós, espíritos desencarnados, falaremos com a boca e escutaremos com os ouvidos.  

Voltaremos a este interessante assunto, no próximo artigo.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

(2) Ferreira, Inácio. Espírito é gente!. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2014. 282p.

(3) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

 

A Reencarnação e a Doutrina Espírita

 

    Vamos partir de algumas premissas, que jugamos necessárias para o desenvolvimento de nossa reflexão neste artigo.

1. A reencarnação, embora seja um dos princípios espíritas, não é patrimônio do Espiritismo, não tendo sido elaborada por Allan Kardec e nem pelos Espíritos Superiores. Ela é uma das perfeitas leis Divinas que equilibram a vida no Universo.

2. A reencarnação não é privilégio dos seres humanos habitantes do planeta Terra. Ela é princípio Universal e como tal, apresenta diferentes nuances em sua manifestação, ou seja, há sim reencarnação no mundo dito espiritual.

3. O que já sabemos sobre a reencarnação ou palingenesia, é muito, mais muito menos do que o que dela realmente existe e conhecemos.  

4. A codificação espírita para a Terra no-la revelou em um de seus aspectos mais primitivos.

5. Em síntese, ela é o mecanismo de transposição do corpo, seja ele qual for que envolve o Espírito (e são muitos), de uma dimensão para outra, atendendo à necessária adequação, em relação à composição, do envoltório do espírito ao orbe em que irá habitar. Por outra, para ingressarmos em um mundo ou uma dimensão diferente da que habitamos, sem a reencarnação, isso não será possível.

6. Quer queiram ou não, acreditem ou não, todos reencarnam. Uns com mais consciência, outros com menos e outros ainda com nenhuma consciência do fenômeno. Esta consciência faz muita diferença, visando o melhor aproveitamento da encarnação.

7. Todas as reencarnações estão sob o olhar onipresente de Deus, porém nem todas são planejadas. Há, portanto, reencarnações compulsórias e alheias à vontade e consciência do espírito. Neste caso, funciona o automatismo da lei.

     Acima, há muito material para nossas reflexões. Haveriam outras premissas, porém vamos ao desenvolvimento do nosso texto.

Porém, antes, desejo transcrever a resposta do irmão Alexandre a André Luiz, sobre os processos da reencarnação, que consta no livro Missionários da Luz, em seu capítulo 13, chamado Reencarnação. O autor espiritual da obra, ao acompanhar o desvelo com que os amigos espirituais envolvem o processo de reencarnação de Segismundo, se mostra muito surpreso e questiona:

O que vimos, porém, com Segismundo – perguntei – é regra geral para todos os casos?

– De modo algum – respondeu o instrutor, atencioso –. Os processos de reencarnação, tanto quanto os da morte física, diferem ao infinito, não existindo, segundo cremos, dois absolutamente iguais.

Julgo fundamental o conhecimento desta resposta do instrutor Alexandre. Ela, bem compreendida, passa a alterar todo pretenso conhecimento que julguemos possuir sobre a reencarnação e, tolos, acreditamo-nos em donos completos deste processo que, por ser Universal, se manifesta de formas e métodos que fogem completamente ao nosso alcance atual de entendimento.

No livro Anjos Decaídos, do espírito Dr. Inácio Ferreira, pela psicografia de Carlos Baccelli há o relato de um caso muito interessante, envolvendo um processo de reencarnação. Trata-se do caso de Estela, segunda filha de um casal, cuja gestação já era de quatro semanas e meia. Ela era uma das tuteladas do Instituto de Reencarnação Gabriel Delanne, localizada no mundo espiritual.

Esta instituição, como outras que existem na dimensão espiritual do Brasil, objetiva, ao planejar o processo reencarnatório de espíritos aptos a tanto, favorecer o melhor aproveitamento possível para os espíritos que ocuparão novos corpos na Terra.

Sob este aspecto é importante destacar que os cientistas do mundo espiritual realizam estudos e pesquisas cooperando com as leis da evolução para efetuar intervenções positivas, dentre outras, no campo da genética, assim como, de forma mais incipiente, se faz aqui na Terra. Relembrando que, em todos os níveis, a Ciência na vida espiritual está muito adiante da Ciência em nosso planeta.

No caso que registramos, os técnicos do referido instituto, informam que existe grande probabilidade de que o corpo em formação de Estela, caso a reencarnação se concretizasse, correria desnecessário risco de ser incompatível com seus méritos e necessidades de aprendizagem atual, pois seu futuro genitor apresentava, em sua carga hereditária, os genes responsáveis pelo desencadear de certa patologia de natureza psíquica - a esquizofrenia.

O embrião, embora com quase 5 semanas de desenvolvimento, quando acusava três semanas e meia passou a degenerar-se, pois Estela, em seu inconsciente, registrou que herdaria um corpo inadequado e com veemência passou a repeli-lo.

Esclarece ainda que, a não ser nos casos em que o espírito candidato a reencarnação seja adotado de suficiente força mental para interferir na disposição dos genes, a combinação cromossômica, como fenômeno biológico, dificilmente deixaria de cumprir-se.

O assunto realmente é delicado e complexo.

 A equipe espiritual do instituto, ao se deslocar para a Terra na casa da família de Estela, enquanto os futuros pais dormiam, deram início a uma complicada operação magnética concentrando-se em desfazer os filamentos que uniam o perispírito de Estela ao novo corpo em formação que estava prestes a sucumbir.

Interrogado por Domingas, sobre como Estela, cuja gestação ainda não completara dois meses, teria conseguido a percepção de que renasceria em um corpo deficiente, Dr. Inácio respondeu que a intuição e a profunda insegurança que a acometeu foram fatores essenciais; esclareceu ainda que desde o ventre materno os embriões pressentem, por exemplo, se serão amados ou não e alguns até se renascerão ou não, com alguma limitação de natureza física.

Importante observação feita por um dos técnicos é que Estela estava demasiadamente alterada, muito agitada, enquanto espírito reencarnante e se não viessem intervir, de qualquer maneira sua gestação não se consumaria

Convido caros leitores a consultarmos a questão de número 345 do Livro dos Espíritos:

É definitiva a união do Espírito com o corpo desde o momento da concepção? Durante esta primeira fase, poderia o Espírito renunciar a habitar o corpo que lhe está destinado?

R. “É definitiva a união, no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que está designado para aquele corpo. Mas, como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não vinga. ”

 

 No caso em pauta, a prova que se desenhava para a Estela, não havia sido previamente escolhida por ela.

Consultemos também a questão 346-a) do Livro dos Espíritos para melhorar o entendimento do caso apresentado:

          Qual a utilidade dessas mortes prematuras?

R. “Dão-lhes causa, as mais das vezes, as imperfeições da matéria.”

Vejam, “...os laços (...) podem romper-se por vontade do Espírito”  e  “as imperfeições da matéria” podem, em parte, explicar estas gestações frustradas. Vivendo em um planeta de expiações e provas, e ao meu ver, muito mais de expiação que de prova, acredito que estas ocorrências sejam mais comuns que imaginamos.

É claro que no livro referido, o caso contém mais aprofundamento e outros aspectos alusivos às questões da reencarnação, como, por exemplo, o que acontecerá no mundo espiritual, com este espírito que desencarnou quando ainda era gerado no útero materno. Por isso, sugiro a leitura do livro para ampliamos, um pouquinho que seja, nossas ínfimas noções sobre a reencarnação como lei Universal.

 

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

 (2) Ferreira, Inácio. Anjos Decaídos. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2014. 350p.

 (3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

 

Médium e Mediunidade

 

Questionados sobre que definição se pode dar dos Espíritos, na questão 76 de O Livro dos Espíritos, Kardec obteve a seguinte resposta da espiritualidade superior:

“Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.”

Para habitar mundos físicos, os Espíritos necessitam de corpos cuja matéria seja apropriada para habitar este ou aquele mundo. São as várias moradas da casa de meu Pai, a que se referiu Jesus. A Humanidade terrena se constitui, portanto, de Espíritos que habitam corpos estruturados em matéria mais densa.

Da mesma forma que os homens encarnados se comunicam entre si até mesmo estando em meios diversos, como o fundo do oceano, no espaço ou nos mais longínquos rincões terrestres, os Espíritos (entenda-se aqui, os seres desencarnados, habitantes das dimensões fora da Terra, porém ainda providos de corpos de menor densidade material), também podem comunicar-se.

Não estranhe esta possibilidade de comunicação entre os considerados “mortos” e os “vivos”. Basta entender que, como filhos de Deus, um único Pai, estamos todos conectados, quer seja de maneira consciente ou inconsciente.

Para clarear o pensamento, André Luiz tem interessante ensinamento que diz que Deus auxilia a criatura, através das próprias criaturas, sejam eles encarnados ou desencarnados. Quer dizer que ao se fazer atuante na Criação pelas criaturas, Deus institui que todos nós sejamos intérpretes da Sua vontade.

Daí surge o médium!

Em qualquer planeta ou dimensão, com maior ou menor densidade material, que o Espírito esteja encarnado (revestido por alguma espécie de corpo) ele será médium e haverá a mediunidade. Ou seja, mediunidade não é fenômeno restrito ao planeta Terra. Chico Xavier dizia que, se Deus permitisse, após desencarnar, ele gostaria de continuar a ser médium.  

Os mais evoluídos, sábios e superiores Espíritos, são melhores intérpretes, portanto melhores médiuns. Jesus é o sublime intérprete de Deus. Jesus é médium de Deus.

Lembram-se? “Eu e meu Pai somos um”, é uma clara referência de que o Cristo viveu e agiu entre nós, rigorosamente, conforme a Lei Divina, nos deixando exemplos de como agir para redimirmo-nos e também sermos um com o Pai, um dia, sabe-se lá Deus quando.    

Os menos evoluídos, ignorantes e inferiores, independentes de sua vontade, são também médiuns, porém ainda imperfeitos e falíveis. Disse independente de sua vontade, mas acrescento de sua religião, cultura, nacionalidade, etc. Temos médiuns católicos, evangélicos, testemunhas de Jeová, ateus, materialistas, muçulmanos, budistas, umbandistas e claro, espíritas e etc.

Onde há Espírito, haverá médium e mediunidade.

A mediunidade na Terra, é tão antiga quanto o aparecimento do homem sobre ela.

Neste particular é lícito dizer que a mediunidade não pertence ao Espiritismo, muito embora, de forma profunda e pioneira, Allan Kardec a tenha magistralmente estudado, com auxílio dos Espíritos superiores, em O Livro dos Médiuns e demais obras básicas da codificação Espírita.

Por ser a mediunidade uma condição psíquica do Espírito imortal, ela pode se desenvolver e evoluir, assim como os sentidos físicos do homem ainda se encontram em evolução. Desta afirmação resulta que diferentes médiuns manifestarão diferentes graus de mediunidade com aptidões distintas no campo da percepção, desde de que esta, se situe acima de sua condição evolutiva.

Leiamos atentamente este pequeno texto:

“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra do conhecimento;

E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;

E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.

Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.”

 

Para o leitor distraído, o texto acima pertencerá a um autor espírita da modernidade ou talvez a uma obra de psicográfica em que o espírito desejou falar dos aspectos da mediunidade e suas faculdades. Contudo, estas afirmações são das próprias mãos do apóstolo Paulo, registradas há vinte séculos, e constam no capitulo doze de sua primeira carta aos coríntios.

Cada pessoa, esteja onde estiver, poderá agir na obra do bem, em favor de si próprio e de acordo com suas possibilidades, glorificando o privilégio de aprender e de servir.

 (*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) BÍBLIA. Português. Bíblia sagradaTradução de Padre Antônio Pereira de Figueredo. Rio de Janeiro: Encyclopaedia Britannica, 1980. Edição Ecumênica.

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