É
preciso estudar um tanto mais.
Dando
continuidade ao artigo anterior, permitam-me relembrar, reescrevendo, a
premissa básica que estabelecemos para avançar nestes entendimentos.
A desencarnação, por si só, não dota o espírito de
faculdades, conhecimentos e virtudes que ele, por seu próprio esforço não tenha
adquirido. Se a pessoa encarnada não
logrou transcendência, prosseguirá no mundo espiritual, quando desencarnada,
com toda a humanidade possível.
E
isto tanto no aspecto físico como moral.
Fácil
entender o porquê, continuarem predominando, nas esferas espirituais mais
próximas da Terra, todas as religiões aqui conhecidas.
Conclusão: o mundo espiritual adjacente não é espírita!
E
se posso assim me expressar, nem o mundo espiritual superior o é. Desde que
entendamos o Espiritismo como uma doutrina composta por um sistema de ideias
que aclara e explica as Leis Divinas e que promana das Esferas Elevadas,
perceberemos seu conteúdo como a Boa Nova anunciada pelos anjos por ocasião do
nascimento de Jesus entre nós.
A
famosa colônia espiritual descrita por André Luiz, Nosso Lar, em livro do mesmo
nome, possui características ecumênicas. Os países, no mundo espiritual,
continuam existindo com suas fronteiras e barreiras culturais, sociais, idiomáticas,
etc. Enfim, não mudamos quase nada nossa concepção de Universalidade, que
convenhamos, é extremamente precária em nossa realidade atual.
Entendemos
que todos estes rótulos que exibimos aqui na Terra e continuaremos a manifestar
nas esferas circunvizinhas, sejam necessários para nossa devida referenciação.
São pontos de referências que ainda necessitamos para “enxergar” nossa
individualidade, já que nossa personalidade se vai com a desencarnação. Por
outro lado, também compreendemos que estes rótulos desaparecerão muito
gradativamente, à medida que, pelo nosso desenvolvimento espiritual, merecermos
habitar esferas mais elevadas, sejam elas físicas ou extrafísicas.
Isto
posto, estranho a dificuldade de companheiros espíritas, muitos deles
estudiosos e compenetrados, apresentarem dificuldade para entender que o corpo
espiritual seja dotado de órgãos como o é o corpo físico. Ora, se por definição o corpo espiritual ou
perispírito é o organizador, o molde biológico sobre o qual o corpo físico se
origina, pergunto como poderia ser ele este molde, sem portar as respectivas
estruturas que existem no corpo físico?
Assim,
também compreenderemos, que por ser constituído de matéria, embora em grau mais
sutilizado, o corpo espiritual está sujeito a desgastes, contrair doenças,
enfermar e até morrer. Alusivo a este tema, recorramos à obra Evolução em Dois
Mundos da psicografia de Chico Xavier pelo espírito André Luiz, quando responde
ao seguinte questionamento:
Em
que condições o corpo espiritual de um desencarnado sofrerá compressões,
escoriações ou ferimentos?
–
Dentro do conceito de relatividade, isso se verifica nas mesmas condições em
que o corpo físico é injuriado dessa ou daquela forma na Terra. Não
dispomos, entretanto, presentemente, de terminologia adequada na linguagem
terrestre para mais amplas definições do assunto.
Aliás,
sobre isso questionaríamos, se uma doença contraída no perispírito de um
espírito desencarnado pode passar para o corpo físico quando este espírito
reencarnar? Pessoa que desencarna vítima de grave doença poderá despertar no
mundo espiritual ainda com esta enfermidade? São questões para refletirmos e
buscarmos respostas que já se encontram nas páginas dos bons livros espíritas.
O
corpo espiritual, guardadas as devidas proporções da constituição e densidade
material, possui coração, cérebro, pulmões, aparelho circulatório e claro,
sangue, assim como aparelho reprodutor e órgãos reprodutores, as genitálias. E
se reproduzem.
Claro,
se reproduz o perispírito, que também é corpo, não o Espírito. E da
mesma forma que acima dissemos, à medida que o espírito evolui, os órgãos
através dos quais ele se manifesta afetivamente vão, gradativamente, sendo
suprimidos até perderem a função. Até lá, são eles fundamentais para a
aquisição das experiências emocionais e psíquicas pelas quais o espírito
aprende, erra, acerta e por fim, evolui.
Para
dar continuidade aos estudos dos conhecimentos contidos na obra básica da
codificação, alargando nossa compreensão, é fundamental conhecer a obra de
Chico Xavier, especialmente as da lavra do espírito André Luiz, lendo-as sem o
espírito dos dogmas que nos influenciaram por séculos e ainda nos fazem pensar
com a cabeça formatada pelas crenças que outrora abraçamos. Um estudo mais
racional que nos possa conduzir a formar uma ideia mais precisa da Vida no além.
Chico Xavier dizia que os espíritas estão muito enganados a respeito da vida no
mundo espiritual.
O
que muitos consideram por antidoutrinário é, de fato, falta de estudo mais
profundo que venha acrescentar aos nossos limitadíssimos conhecimentos, melhor
compreensão da realidade.
Por
isso, bendigamos o contato com a Doutrina Espírita, na presente encarnação, a
qual consideramos, ser a primeira de nossas incontáveis existências no corpo
físico que, com maior lucidez, iniciamos na posse dos reais valores
espirituais.
Aproveito a oportunidade para desejar aos leitores deste blog um Feliz Natal junto às pessoas amadas com muita concórdia e fraternidade como nos ensinou Jesus, o aniversariante do dia.
**** Publicaremos dia 25/12, dia do Natal, artigo especial.
(*) Todos os grifos são meus.
Referência
(1) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.
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