segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

 

É preciso estudar um tanto mais.

 

Dando continuidade ao artigo anterior, permitam-me relembrar, reescrevendo, a premissa básica que estabelecemos para avançar nestes entendimentos.

A desencarnação, por si só, não dota o espírito de faculdades, conhecimentos e virtudes que ele, por seu próprio esforço não tenha adquirido. Se a pessoa encarnada não logrou transcendência, prosseguirá no mundo espiritual, quando desencarnada, com toda a humanidade possível.

E isto tanto no aspecto físico como moral.

Fácil entender o porquê, continuarem predominando, nas esferas espirituais mais próximas da Terra, todas as religiões aqui conhecidas.

Conclusão: o mundo espiritual adjacente não é espírita!

E se posso assim me expressar, nem o mundo espiritual superior o é. Desde que entendamos o Espiritismo como uma doutrina composta por um sistema de ideias que aclara e explica as Leis Divinas e que promana das Esferas Elevadas, perceberemos seu conteúdo como a Boa Nova anunciada pelos anjos por ocasião do nascimento de Jesus entre nós.

A famosa colônia espiritual descrita por André Luiz, Nosso Lar, em livro do mesmo nome, possui características ecumênicas. Os países, no mundo espiritual, continuam existindo com suas fronteiras e barreiras culturais, sociais, idiomáticas, etc. Enfim, não mudamos quase nada nossa concepção de Universalidade, que convenhamos, é extremamente precária em nossa realidade atual.

Entendemos que todos estes rótulos que exibimos aqui na Terra e continuaremos a manifestar nas esferas circunvizinhas, sejam necessários para nossa devida referenciação. São pontos de referências que ainda necessitamos para “enxergar” nossa individualidade, já que nossa personalidade se vai com a desencarnação. Por outro lado, também compreendemos que estes rótulos desaparecerão muito gradativamente, à medida que, pelo nosso desenvolvimento espiritual, merecermos habitar esferas mais elevadas, sejam elas físicas ou extrafísicas.

Isto posto, estranho a dificuldade de companheiros espíritas, muitos deles estudiosos e compenetrados, apresentarem dificuldade para entender que o corpo espiritual seja dotado de órgãos como o é o corpo físico.  Ora, se por definição o corpo espiritual ou perispírito é o organizador, o molde biológico sobre o qual o corpo físico se origina, pergunto como poderia ser ele este molde, sem portar as respectivas estruturas que existem no corpo físico?

Assim, também compreenderemos, que por ser constituído de matéria, embora em grau mais sutilizado, o corpo espiritual está sujeito a desgastes, contrair doenças, enfermar e até morrer. Alusivo a este tema, recorramos à obra Evolução em Dois Mundos da psicografia de Chico Xavier pelo espírito André Luiz, quando responde ao seguinte questionamento:

Em que condições o corpo espiritual de um desencarnado sofrerá compressões, escoriações ou ferimentos?

– Dentro do conceito de relatividade, isso se verifica nas mesmas condições em que o corpo físico é injuriado dessa ou daquela forma na Terra. Não dispomos, entretanto, presentemente, de terminologia adequada na linguagem terrestre para mais amplas definições do assunto.

Aliás, sobre isso questionaríamos, se uma doença contraída no perispírito de um espírito desencarnado pode passar para o corpo físico quando este espírito reencarnar? Pessoa que desencarna vítima de grave doença poderá despertar no mundo espiritual ainda com esta enfermidade? São questões para refletirmos e buscarmos respostas que já se encontram nas páginas dos bons livros espíritas.

 

O corpo espiritual, guardadas as devidas proporções da constituição e densidade material, possui coração, cérebro, pulmões, aparelho circulatório e claro, sangue, assim como aparelho reprodutor e órgãos reprodutores, as genitálias. E se reproduzem.

Claro, se reproduz o perispírito, que também é corpo, não o Espírito. E da mesma forma que acima dissemos, à medida que o espírito evolui, os órgãos através dos quais ele se manifesta afetivamente vão, gradativamente, sendo suprimidos até perderem a função. Até lá, são eles fundamentais para a aquisição das experiências emocionais e psíquicas pelas quais o espírito aprende, erra, acerta e por fim, evolui.

Para dar continuidade aos estudos dos conhecimentos contidos na obra básica da codificação, alargando nossa compreensão, é fundamental conhecer a obra de Chico Xavier, especialmente as da lavra do espírito André Luiz, lendo-as sem o espírito dos dogmas que nos influenciaram por séculos e ainda nos fazem pensar com a cabeça formatada pelas crenças que outrora abraçamos. Um estudo mais racional que nos possa conduzir a formar uma ideia mais precisa da Vida no além. Chico Xavier dizia que os espíritas estão muito enganados a respeito da vida no mundo espiritual.

O que muitos consideram por antidoutrinário é, de fato, falta de estudo mais profundo que venha acrescentar aos nossos limitadíssimos conhecimentos, melhor compreensão da realidade.

Por isso, bendigamos o contato com a Doutrina Espírita, na presente encarnação, a qual consideramos, ser a primeira de nossas incontáveis existências no corpo físico que, com maior lucidez, iniciamos na posse dos reais valores espirituais.

Aproveito a oportunidade para desejar aos leitores deste blog um Feliz Natal junto às pessoas amadas com muita concórdia e fraternidade como nos ensinou Jesus, o aniversariante do dia.

**** Publicaremos dia 25/12, dia do Natal, artigo especial.

(*) Todos os grifos são meus.

Referência

(1) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

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