segunda-feira, 30 de junho de 2025

 

Você leu? Você conhece? - I


Que o estudo da Doutrina espírita nos abre mais largo entendimento sobre a vida espiritual e, consequentemente, as repercussões e influências desta sobre a vida na Terra, é fato. Fenômeno interessante é que aquele que mais estuda e se aprofunda neste conhecimento, desenvolve uma sensação que nada sabe e reconhece cada vez mais e mais, sua pequenez frente à beleza da criação Divina. E note que me refiro à criação que, pelas mais diversas ciências humanas já nos foram reveladas e que representa ínfima parcela do que realmente existe em toda a criação divina.

Neste contexto, atendo-se somente à pequena parte da obra literária de Chico Xavier ditada pelo espírito André Luiz, conhecida como “A vida no mundo espiritual”, aproveito o artigo desta semana para sugerir alguns trechos ou capítulos que, dentre outros tantos, se destacam e para mim, são de leitura, estudo e reflexão indispensáveis aos interessados no conhecimento proporcionado pelo Espiritismo.

Vamos então a eles.

Você já leu o primeiro capítulo do livro Libertação, denominado “Ouvindo elucidações”? É uma na palestra do Ministro Flácus, que por si só já vale o livro todo, esclarecendo que o homem sobre a Terra lida com a razão há quarenta mil anos, além de explicar o processo de simbiose no regime de interdependência em que vivem encarnados e desencarnados, com destaque ao vampirismo. Referindo-se a um vasto império de seres desencarnados que vivem vizinhos a nós, encarnados, afirma o ministro:

 

“Aí se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham, com as criaturas terrenas, as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo. Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens”.

Refere-se aos espíritos desencarnados que, vivos, permanecem adjuntos aos encarnados, na Crosta terrestre em processo de intenso parasitismo.

 

“Um reino espiritual, dividido e atormentado, cerca a experiência humana, em todas as direções, intentando dilatar o domínio permanente da tirania e da força.”

 

        Como disse o apóstolo Paulo em Hebreus 12,1: “estamos cercados por tão grande nuvem de testemunhas” aludindo aos Espíritos que nos observam os passos e anotam nossas atitudes, onde estivermos, porque para eles não há barreiras físicas.

E o ministro Flácus, prossegue no esclarecimento:


“Rebelados filhos da Providência, tentam desacreditar a grandeza divina, estimulando o poder autocrático da inteligência insubmissa e orgulhosa e buscam preservar os círculos terrestres para a dilatação indefinida do ódio e da revolta, da vaidade e da criminalidade, como se o Planeta, em sua expressão inferior, lhes fosse paraíso único, ainda não integralmente submetido a seus caprichos, em vista da permanente discórdia reinante entre eles mesmos"


Tratando-se de um planeta com espíritos imperfeitos sujeitos a expiações e provas, isto é mais que esperado. Remete-nos ao ensinamento do Mestre Jesus sobre a “necessidade do escândalo” no capítulo oito do Evangelho Segundo o Espiritismo.

Somente um médium como Chico Xavier, poderia na Terra, desempenhando tão grandiosa missão, transmitir-nos  profundas revelações que, quando assimiladas pelos encarnados, serão verdadeiros antídotos às influenciações e obsessões dos espíritos desencarnados. 


Falando em mediunidade, você sabia por quais mecanismos da mente surgiram, nos homens primitivos de pensamentos elementares, os processos inconscientes da conjugação mediúnica? Em outras palavras, o fenômeno mediúnico enquanto instrumento de manifestação e força para influenciar e ser influenciado? No capítulo doze do livro Mecanismo da Mediunidade, encontramos substancioso esclarecimento a respeito do princípio desta atividade psíquica no homem, destacando os reflexos psíquicos condicionados, pelos quais se expande a vida mental do espírito humano. A mediunidade está na Terra desde que, sobre ela, os primeiros homens passaram a existir.

Sabia você que após a morte, o espírito pode dormir acalentando verdadeiros pesadelos que o atormentam por tempo indeterminado? Ao consultar o livro Os Mensageiros no capítulo 22, intitulado “Os que dormem”, saberemos de pavilhões que acolhem espíritos, que no dizer de André Luiz:

 

“São criaturas que nunca se entregaram ao bem ativo e renovador, em torno de si, e mormente os que acreditaram convictamente na morte, como sendo o nada, o fim de tudo, o sono eterno”.

 

E continua:

 

... as criaturas que perseveram em negação deliberada e absoluta, não obstante, por vezes, filiadas a cultos externos de atividade religiosa, que nada veem além da carne nem desejam qualquer conhecimento espiritual, são verdadeiramente infelizes.”

 

E finaliza:

 

“Dormem, porque estão magnetizados pelas próprias concepções negativistas; permanecem paralíticos, porque preferiram a rigidez ao entendimento; mas, dia virá em que deverão levantar-se e pagar os débitos contraídos”.

 

Somos filhos e herdeiros do que nos alimentamos no campo da fé, do pensamento e das atitudes e segundo essas concepções, especialmente as religiosas, guardaremos equilíbrio ou perturbação, ainda que seja na forma de ilusório sono.


Você leu, no livro Evolução em Dois Mundos, logo no início, mais precisamente no capítulo dois que trata do corpo espiritual, oportuna referência sobre morte e renascimento no mundo espiritual? Isso mesmo amigo leitor, para o espírito poder reencarnar em dimensão física, como a Terra, se faz necessário que ele perca o perispírito, na sua forma mais exterior, ou seja, é o fenômeno da segunda morte. Corroborando, encontramos também esta explicação nos ensinamentos de Heigorina Cunha no livro Imagens no Além, de autoria espiritual de Lucius. De acordo com o espírito de Mariano da Cunha Júnior, o espírito Lucius foi Camille Flammarion (1842/1925), cientista e astrônomo francês, o qual, por sua vez, segundo revelação de Chico Xavier, havia sido Galileu Galilei (1564/1642), físico e astrônomo italiano. É só conferir.

Voltando à obra de André Luiz, ele afirma:

 

“(o perispírito) ...pode também desgastar-se, na esfera imediata à esfera física, para nela se refazer, através do renascimento, segundo o molde mental preexistente, ou ainda restringir-se a fim de se reconstituir de novo, no vaso uterino, para a recapitulação dos ensinamentos e experiências de que se mostre necessitado..." 


É a tese da reencarnação no mundo espiritual, defendida, coerentemente, por Dr. Inácio Ferreira em suas mais de 50 obras, psicografadas pelo médium Carlos Baccelli.

Você conhece a obra Missionários da Luz em que André Luiz revela, por primeira vez na literatura espírita, a epífise e sua importante função, no organismo físico, no tocante à mediunidade? 

Considerada por Alexandre, instrutor espiritual na referida obra, como a glândula da vida mental, funcionando como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos do homem na Terra e se destaca como órgão de elevada expressão no corpo etéreo, ou seja, é o referendo do médico espiritual André Luiz, que há sim órgãos no corpo espiritual ou perispírito. Lembrando que a vida na Terra é cópia imperfeita da vida no mundo espiritual.

     Ainda neste livro, no capítulo seguinte, de número três, André Luiz apresenta um dos capítulos mais importantes de toda sua obra pela psicografia de Chico Xavier, abordando os bastidores espirituais de uma reunião mediúnica, esclarecendo o processo do desenvolvimento mediúnico. Registra a experiência de três médiuns com problemas relacionados ao campo sexual, ao consumo de álcool em excesso e à gula e suas implicações na mediunidade. Leitura indispensável para os candidatos aos trabalhos da mediunidade, aprendemos que:

 

“...mediunidade elevada ou percepção edificante não constituem atividades mecânicas da personalidade e sim conquistas do Espírito, para cuja consecução não se pode prescindir das iniciações dolorosas, dos trabalhos necessários, com a autoeducação sistemática e perseverante."

 

Retomaremos nossas reflexões na próxima semana.

 

(*) Todos os grifos são nossos

 

Referências

(1) Luiz, André. Libertação. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 17ª ed. Brasília. Editora FEB, 1949. 263p.

(2) Luiz, André. Mecanismos da mediunidade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1959. 188p.

(3) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

(4) Luiz, André. Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 8ª ed. Brasília. Editora FEB, 1985. 219p.

(5) Lucius. Imagens do além. Psicografado por Heigorina Cunha. 1ª ed. IDE, 1994. 94p.

(6) Luiz, André. Missionários da Luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 15ª ed. Brasília. Editora FEB, 1982. 347p.

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