Um
Pastor fala aos Espíritas.
Para
apresentar o tema desta semana em nosso Blog, faz-se necessário uma breve apresentação
de valoroso irmão que no séculos dezenove e parte do vinte, serviu a Jesus na
crença Reformada.
O
reverendo Álvaro Emygdio Gonçalves dos Reis (1864-1925), atuou por muitos anos como
pastor da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Liderou o Supremo Concílio da
Igreja Presbiteriana do Brasil e em 1910 foi eleito seu primeiro moderador da Assembleia
Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Interessante registrar
que, nos anos de 1894 e 1915, ocorreu um confronto polêmico entre o pastor
Álvaro Reis e, respectivamente, o Dr. Augusto José da Silva e Frederico Figner,
ambos espíritas. Tal fato teria se dado em
razão dos espíritas referidos terem afirmado que os profetas, os apóstolos e
outros líderes bíblicos eram autênticos médiuns espíritas da antiguidade.
Em sua refutação, o
pastor Álvaro Reis, conclama aos adversários que nas próprias escrituras provaria,
de um modo incontestável, a divindade de Jesus Cristo e a falsidade das
reencarnações e que o Espiritismo não era doutrina Bíblica. Esta polêmica, que
se estendeu por volta de dois anos, trouxe como consequência a redação de um
livro, escrito pelo pastor, e que foi editado em 1916, sob o título de O
Espiritismo.
Alguns anos depois, na
noite de 25 de março de 1954, no “Grupo Meimei”, na cidade de Pedro Leopoldo, durante
reunião mediúnica, comparecem vários irmãos desencarnados, procedentes das
Igrejas Reformadas. Tais reuniões eram assiduamente frequentadas por Chico
Xavier, onde ao final, exercendo a psicofonia sonambúlica, dava voz a vários instrutores
e benfeitores desencarnados portadores de valiosos ensinamentos. Na referida data
desta reunião, manifestou-se justamente o irmão Álvaro Reis, que havia sido eminente
pastor da igreja presbiteriana do Brasil.
Muito interessante. Tendo
desencarnado no ano de 1925, comparece 29 anos após, para focalizar elevado
tema evangélico, destacando a responsabilidade dos espíritas, como
detentores das interpretações mais avançadas do ensinamento de Jesus.
Destacando somente
alguns trechos da fala do pastor, conclamamos nossos irmãos espíritas à oportunidade
de elevada reflexão. Diz-nos ele:
“Não sabemos de outra
felicidade maior que a vossa, porque ainda na carne sois preparados para a
senda do Espírito, de maneira a que não vos desvieis do roteiro de luz.”
Grande verdade, nem tanto aproveitada pelos
espíritas.
Prossegue Álvaro:
“O Espiritismo funciona
em vossas experiências como intérprete das lições divinas, oferecendo soluções
simples aos problemas complicados, satisfazendo indagações e decifrando enigmas...”
Acrescemos, aliás que, referida tarefa, a Doutrina Espírita
realiza como nenhuma outra crença atualmente no Planeta.
Continuando, destaca a grande responsabilidade que pesa sobre
nossos ombros, em comparação com irmãos de outras crenças:
“Crede que muito maior é
a responsabilidade que vos pesa nos ombros, porquanto o nosso irmão católico
romano, em transpondo o limiar do túmulo, poderá referir-se às peias
mentais a que foi escravizado no culto externo, e o companheiro da Igreja
Reformada alegará com justiça o insulamento a que foi constrangido na
clausura da letra.”
Como nos ensina Emmanuel, orientador espiritual de Chico Xavier, o
Espiritismo é doutrina libertadora de consciências.
Diz na continuidade, que os espíritas, “guardam
conhecimentos evangélicos mais suscetíveis de plena identificação com a Verdade”;
A concepção real da justiça nos favorece a “mais
clara visão do Universo, sabendo, como ninguém, que o Paraíso deve ser
edificado gradativamente em nós mesmos, todos os dias.”
Concordando, portanto, com Kardec que nos
esclarece na obra básica O Céu e o Inferno, que ambos podem habitar dentro
de nós, cabendo a cada um realizá-lo, de acordo com nossas atitudes.
Ao final, enfatiza o trabalho que cabe aos
espíritas e reafirma a real necessidade de vivenciar os ensinos de Jesus:
“Ainda assim, não
obstante os prejuízos do passado, rejubilamo-nos com a formação da
vanguarda espírita-cristã, valoroso e pacífico exército de almas fervorosas
que, pelos méritos da oração e do arrependimento, da boa-vontade e do serviço
aos semelhantes, vem construindo no mundo precioso trilho de acesso a comunhão
com Jesus. (...) Eis o padrão que nos deve inspirar as atividades, porque não
nos bastará crer acertadamente e ensinar com brilho, mas, acima de tudo, viver
as lições.”
Os ensinos no Espiritismo transcendem seitas e
crenças. São lições de natureza universal. Felizes daqueles que a recebem e
compreendem seu alcance para a aplicação constante e crescente nas próprias
vidas.
Referência:
(1) Diversos Espíritos. Instruções
Psicofônicas. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª
ed. Brasília. Editora FEB, 1955. 289p.
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