segunda-feira, 24 de agosto de 2026

 

Um Pastor fala aos Espíritas.    

Para apresentar o tema desta semana em nosso Blog, faz-se necessário uma breve apresentação de valoroso irmão que no séculos dezenove e parte do vinte, serviu a Jesus na crença Reformada.

O reverendo Álvaro Emygdio Gonçalves dos Reis (1864-1925), atuou por muitos anos como pastor da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Liderou o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e em 1910 foi eleito seu primeiro moderador da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Interessante registrar que, nos anos de 1894 e 1915, ocorreu um confronto polêmico entre o pastor Álvaro Reis e, respectivamente, o Dr. Augusto José da Silva e Frederico Figner, ambos espíritas.  Tal fato teria se dado em razão dos espíritas referidos terem afirmado que os profetas, os apóstolos e outros líderes bíblicos eram autênticos médiuns espíritas da antiguidade.

Em sua refutação, o pastor Álvaro Reis, conclama aos adversários que nas próprias escrituras provaria, de um modo incontestável, a divindade de Jesus Cristo e a falsidade das reencarnações e que o Espiritismo não era doutrina Bíblica. Esta polêmica, que se estendeu por volta de dois anos, trouxe como consequência a redação de um livro, escrito pelo pastor, e que foi editado em 1916, sob o título de O Espiritismo.

Alguns anos depois, na noite de 25 de março de 1954, no “Grupo Meimei”, na cidade de Pedro Leopoldo, durante reunião mediúnica, comparecem vários irmãos desencarnados, procedentes das Igrejas Reformadas. Tais reuniões eram assiduamente frequentadas por Chico Xavier, onde ao final, exercendo a psicofonia sonambúlica, dava voz a vários instrutores e benfeitores desencarnados portadores de valiosos ensinamentos. Na referida data desta reunião, manifestou-se justamente o irmão Álvaro Reis, que havia sido eminente pastor da igreja presbiteriana do Brasil.

Muito interessante. Tendo desencarnado no ano de 1925, comparece 29 anos após, para focalizar elevado tema evangélico, destacando a responsabilidade dos espíritas, como detentores das interpretações mais avançadas do ensinamento de Jesus.

Destacando somente alguns trechos da fala do pastor, conclamamos nossos irmãos espíritas à oportunidade de elevada reflexão. Diz-nos ele:

“Não sabemos de outra felicidade maior que a vossa, porque ainda na carne sois preparados para a senda do Espírito, de maneira a que não vos desvieis do roteiro de luz.”

Grande verdade, nem tanto aproveitada pelos espíritas.

Prossegue Álvaro:

“O Espiritismo funciona em vossas experiências como intérprete das lições divinas, oferecendo soluções simples aos problemas complicados, satisfazendo indagações e decifrando enigmas...”

Acrescemos, aliás que, referida tarefa, a Doutrina Espírita realiza como nenhuma outra crença atualmente no Planeta.

Continuando, destaca a grande responsabilidade que pesa sobre nossos ombros, em comparação com irmãos de outras crenças:

“Crede que muito maior é a responsabilidade que vos pesa nos ombros, porquanto o nosso irmão católico romano, em transpondo o limiar do túmulo, poderá referir-se às peias mentais a que foi escravizado no culto externo, e o companheiro da Igreja Reformada alegará com justiça o insulamento a que foi constrangido na clausura da letra.”

Como nos ensina Emmanuel, orientador espiritual de Chico Xavier, o Espiritismo é doutrina libertadora de consciências.

Diz na continuidade, que os espíritas, “guardam conhecimentos evangélicos mais suscetíveis de plena identificação com a Verdade”;

A concepção real da justiça nos favorece a “mais clara visão do Universo, sabendo, como ninguém, que o Paraíso deve ser edificado gradativamente em nós mesmos, todos os dias.”

Concordando, portanto, com Kardec que nos esclarece na obra básica O Céu e o Inferno, que ambos podem habitar dentro de nós, cabendo a cada um realizá-lo, de acordo com nossas atitudes.

Ao final, enfatiza o trabalho que cabe aos espíritas e reafirma a real necessidade de vivenciar os ensinos de Jesus:

“Ainda assim, não obstante os prejuízos do passado, rejubilamo-nos com a formação da vanguarda espírita-cristã, valoroso e pacífico exército de almas fervorosas que, pelos méritos da oração e do arrependimento, da boa-vontade e do serviço aos semelhantes, vem construindo no mundo precioso trilho de acesso a comunhão com Jesus. (...) Eis o padrão que nos deve inspirar as atividades, porque não nos bastará crer acertadamente e ensinar com brilho, mas, acima de tudo, viver as lições.”

Os ensinos no Espiritismo transcendem seitas e crenças. São lições de natureza universal. Felizes daqueles que a recebem e compreendem seu alcance para a aplicação constante e crescente nas próprias vidas.

 

Referência:

(1) Diversos Espíritos. Instruções Psicofônicas. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6ª ed. Brasília. Editora FEB, 1955. 289p.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  Um Pastor fala aos Espíritas.      Para apresentar o tema desta semana em nosso Blog, faz-se necessário uma breve apresentação de valoro...