segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

 

Alzheimer

 

Uma paciente com 51 anos de idade que apresentava o quadro de perda de memória, alterações comportamentais, desorientação e alucinação. Ao sair de casa, esta jovem senhora, não encontrava o caminho para voltar e se perdia nas ruas do bairro, acreditando, invariavelmente, que estava sendo perseguida e às vezes gritava imaginando que alguém queria matá-la.

Em pouco tempo, o estado de demência desta paciente evoluiu significativamente e já na fase final da doença encontrava-se acamada e totalmente dependente dos cuidados de enfermagem. Premida por uma série de outras sequelas e consequências que lhe perturbavam o ser, veio a falecer após 5 anos de internação. 

O psiquiatra alemão Alois Alzheimer, que acompanhou esta paciente durante todo este tempo, descobriu na autópsia as características placas amiloides e emaranhados neurofibrilares que definem a doença até hoje, marcando o início da compreensão dessa condição neurodegenerativa. A doença, que até então era desconhecida, no ano de 1906, recebeu o nome do pesquisador que a descreveu, tornando-se conhecida como Doença de Alzheimer. 

A doença de Alzheimer, que não deve ser considerada parte normal do envelhecimento, é um tipo de demência que causa problemas de memória, linguagem, pensamento e comportamento. É a causa mais comum de demência, sendo responsável por 60% a 80% dos casos.

Os sintomas geralmente se desenvolvem lentamente e pioram com o tempo, tornando-se graves o suficiente para interferir nas tarefas diárias.

Embora a doença ocorra nas pessoas com 65 anos ou mais, pode manifestar-se antes, como no caso que a deu origem, conhecida com a doença de Alzheimer de início precoce.

Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer, representando cerca de 0,5% da população mundial. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

As doenças do cérebro de natureza degenerativas, apresentam, de ordinário, sua gênese no espírito imortal. Destacamos frase de Calderaro do livro No Mundo Maior, pelo espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier:

“A cegueira do espírito é fruto da espessa ignorância em manifestações primárias ou do obnubilamento da razão nos estados de aviltamento do ser. Nosso interesse, no socorro à mente desequilibrada, é analisar este último aspecto da sombra que pesa sobre as almas; assim sendo, faz-se mister saberes alguma coisa da loucura no âmbito da civilização. Para isto, convém estudarmos, mais detidamente, o cérebro do homem encarnado e o do homem desencarnado em posição desarmônica, por situarmos aí o órgão de manifestação da atividade espiritual.”

E mais adiante, acrescenta:

“O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente, em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana.”

Embora observemos muitos avanços, o estudo do cérebro físico hoje na Terra, ainda se encontra em fase extremamente inicial. Imaginemos, portanto, o conhecimento profundo de sua duplicata espiritual no perispírito.  

No livro, Diálogos com o Dr. Inácio, pela psicografia de Carlos Baccelli, o médico psiquiatra, Dr. Inácio Ferreira afirma que o gene desencadeante do Alzheimer, cedo ou tarde, será descoberto pela ciência, embora tenha no espírito a sua origem. Defende a tese que a referida enfermidade:

“...longe de ser causa de prejuízo para o espírito reencarnado surge justamente em seu auxílio, pois a maioria são espíritos vitimados por processos de auto-obsessão necessitados de ajuste com a consciência em níveis que nos escapam a qualquer tentativa de apreciação imediata.”

Por outra, afirma:

“...que o doente total ou parcialmente desmemoriado está entregue a si mesmo para um ajuste de contas com o cristalizado personalismo de outras eras - às vezes não tão distante assim - com o seu despotismo inconsciente, com o seu excessivo moralismo.”

Pedimos desculpas aos nossos leitores, porém iremos alongar a descrição da opinião deste importante médico que, desde o mundo espiritual, continua trabalhando com paciente psiquiátricos, tendo a oportunidade de acompanhar a muitos espíritos que se retiram do corpo pela desencarnação, mostrando-se completamente alheios a si mesmos. Desta forma, conhecer sua opinião sobre o assunto é demasiado importante para as nossas reflexões e futuros estudos. Continuemos, portanto.

Afirma o Dr. Inácio: 

“Estes espíritos encarnados, por ação da misericórdia divina, mergulhados no esquecimento, terão oportunidade de recomeçar alhures com a mente não mais obsessivamente fixada nas ideias equivocadas que vêm ruminando a muitas existências, vivendo em um círculo vicioso difícil de ser rompido.

Se, por um lado, o Alzheimer desmorona o espírito intelectualmente, por outro, o faz ressurgir dos escombros de si mesmo com uma nova perspectiva existencial. É uma benção - afirma o Dr. Inácio - da qual alguns lustros de alienação do espírito, mergulhado em semelhante processo de reconstrução íntima, nada significam.

Quanto a causa desta enfermidade, no livro Egos em conflito, do mesmo autor espiritual e do mesmo médium, podemos encontrar:

“Conversando com diversos especialistas da área, quase todos são unânimes em dizer que o Alzheimer, possuindo efeitos de natureza física, tem a sua causa no inconsciente - o processo quase sempre é desencadeado por remoto processo de culpa, pelos desarranjos provocados nos arquivos da memória. O Alzheimer, caracteristicamente, reflexo da culpa consciencial, vencendo os bloqueios do cérebro, vem à tona, disputando o controle da vida com o consciente, e, como não falam a mesma linguagem, despertos, passam a influenciar a personalidade.”

E finaliza:

“Urgente portador do mal encontra meio psíquico propício ao seu desenvolvimento isto porque o Alzheimer é doença mais ligada ao espírito que é o corpo.  doentes de Alzheimer não se curam apenas porque deixam o corpo carnal alguns deles exigem longo tratamento na harmonização das ideias em conflito mesmo após desencarnados.” 

Ao finalizar, destacamos que o tema requer estudo mais aprofundado tanto por parte dos pesquisadores do campo da ciência como também do Espiritismo. Integrando o contexto de provas e expiações, o Alzheimer, sem dúvida, vem, na forma da Lei, oportunizar a nós, espíritos ainda muito comprometidos com os débitos que contraímos no pretérito, abençoado canal de reconciliação.

(*) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Luiz, André. No mundo maior. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 1ª ed. Brasília. Editora FEB, 1947. 253p.

(2) Ferreira, Inácio. Diálogos com Dr. Inácio. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora DIDIER, 2014. 260p.

(3) Ferreira, Inácio. Egos em conflito. Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2016. 339p.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

 

Tem que piorar para melhorar. Será?

 

É relativamente comum ouvirmos no meio espírita frases como estas:

“Depois que me tornei espírita, minha vida desandou. ”

“Antes eu era mais dono de mim, agora, estudando o Espiritismo, me sinto perdido. ”

“O Espiritismo impõe muitas regras, se não fizer isso ou aquilo não serei feliz. ”

“Meus amigos, ignorantes das questões espirituais, vivem vidas normais e mais tranquilas que a minha. ”

Eu creio que pessoas que assim se manifestam existem aos milhares pela vida afora, sendo muito mais comum do que pensamos.

Uma palavra no idioma alemão “verschlimmbessern” significa piorar alguma coisa na tentativa de melhorá-la.

Para algo melhorar é preciso que antes ela piore.

Você, caro leitor, acredita nisso como um dogma a que todos estejamos submetidos, uma necessidade cármica de todos nós, espíritos imperfeitos, ou que a frase seja resultado de nosso desalento e indiferença com as questões essenciais que, de fato, regem nossas vidas?

Nesta reflexão podemos afirmar que, em nosso imperfeito estado atual de evolução, o passado nosso, muito mais que o presente, dirige nossos atos presentemente. Afinal, penso que o que somos hoje seja resultado das diversas personalidades que, ao longo da trajetória evolutiva, vimos animando. O que você acha?

Para mim isso é muito coerente, claro e determinante.

Baseado neste raciocínio, o que fomos nas existências anteriores – e não deve ter sido coisa muito boa – surgem em nossa presente existência, como resultado do esquecimento relativo do passado e não absoluto, as tendências e inclinações com enorme tendência de serem repetidas. Ou seja, é grande a possibilidade de repisarmos os erros cometidos no passado. Quanto a isso não nos iludamos!

Ai está a parte do “piorar” na frase que intitula nosso artigo.

Qual o fiel que pode alterar, para melhor, esta possibilidade?

A resposta, em tese é simples, porém, nem tanto na prática.

Somente a Educação ou a Reeducação do ser, no sentido da formação de novos hábitos apropriados para as nossas necessidades de crescimento espiritual, podem anular e evitar que venhamos a cair pelos mesmos erros pretéritos.

Isto quer dizer, em bom português, que na ausência dos fatores renovadores, de novas ideias, sublimes e refazedoras, que embalem nosso espírito na carreira evolutiva, repetiremos sofrimentos anteriormente vivenciados e não raro, com os mesmos personagens.

 Fazemos aqui uma menção especial à infância e adolescência, que infelizmente, no mundo todo e com ênfase no Brasil, tem padecido de muitos descuidos dos pais e das autoridades envolvidas nos aspectos da educação e formação de hábitos cristãos. Os modelos, os ídolos e os heróis desta geração são sofríveis e deformadores de caráter em sua grande maioria. O que esperar para o futuro?

Alguns acham que o conceito de piorar para melhorar tem a ver com a tal Transição Planetária; outros afirmam que “o ver” tudo ruim e destruído, aceleraria na alma o desejo de mudança, instigando a criatura a olhar para dentro e aprender a escolher o que é de real valor.

Só sei que o Sol, por mais escuro que esteja o dia, está sempre por trás das nuvens, e ainda que demore, voltará a brilhar para nosso olhar.

E, na minha humilde opinião, podemos sim evitar o “piorar”.

Há como melhorar sem piorar.

O Espiritismo, como doutrina libertadora de consciências, traz na revivescência do Evangelho de Jesus, o roteiro seguro para logramos esse êxito. Pelo estímulo que nos enseja ao autoconhecimento, a vencer a si mesmo pela superação das nossas imperfeições com auxílio da vontade, do estudo, da oração e da prática do bem.

Quem não atender, pode piorar. Mas depois, quem sabe, pode melhorar.

 (*) Todos os grifos são meus.

  Alzheimer   Uma paciente com 51 anos de idade que apresentava o quadro de perda de memória, alterações comportamentais, desorientação ...