segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

 

Tem que piorar para melhorar. Será?

 

É relativamente comum ouvirmos no meio espírita frases como estas:

“Depois que me tornei espírita, minha vida desandou. ”

“Antes eu era mais dono de mim, agora, estudando o Espiritismo, me sinto perdido. ”

“O Espiritismo impõe muitas regras, se não fizer isso ou aquilo não serei feliz. ”

“Meus amigos, ignorantes das questões espirituais, vivem vidas normais e mais tranquilas que a minha. ”

Eu creio que pessoas que assim se manifestam existem aos milhares pela vida afora, sendo muito mais comum do que pensamos.

Uma palavra no idioma alemão “verschlimmbessern” significa piorar alguma coisa na tentativa de melhorá-la.

Para algo melhorar é preciso que antes ela piore.

Você, caro leitor, acredita nisso como um dogma a que todos estejamos submetidos, uma necessidade cármica de todos nós, espíritos imperfeitos, ou que a frase seja resultado de nosso desalento e indiferença com as questões essenciais que, de fato, regem nossas vidas?

Nesta reflexão podemos afirmar que, em nosso imperfeito estado atual de evolução, o passado nosso, muito mais que o presente, dirige nossos atos presentemente. Afinal, penso que o que somos hoje seja resultado das diversas personalidades que, ao longo da trajetória evolutiva, vimos animando. O que você acha?

Para mim isso é muito coerente, claro e determinante.

Baseado neste raciocínio, o que fomos nas existências anteriores – e não deve ter sido coisa muito boa – surgem em nossa presente existência, como resultado do esquecimento relativo do passado e não absoluto, as tendências e inclinações com enorme tendência de serem repetidas. Ou seja, é grande a possibilidade de repisarmos os erros cometidos no passado. Quanto a isso não nos iludamos!

Ai está a parte do “piorar” na frase que intitula nosso artigo.

Qual o fiel que pode alterar, para melhor, esta possibilidade?

A resposta, em tese é simples, porém, nem tanto na prática.

Somente a Educação ou a Reeducação do ser, no sentido da formação de novos hábitos apropriados para as nossas necessidades de crescimento espiritual, podem anular e evitar que venhamos a cair pelos mesmos erros pretéritos.

Isto quer dizer, em bom português, que na ausência dos fatores renovadores, de novas ideias, sublimes e refazedoras, que embalem nosso espírito na carreira evolutiva, repetiremos sofrimentos anteriormente vivenciados e não raro, com os mesmos personagens.

 Fazemos aqui uma menção especial à infância e adolescência, que infelizmente, no mundo todo e com ênfase no Brasil, tem padecido de muitos descuidos dos pais e das autoridades envolvidas nos aspectos da educação e formação de hábitos cristãos. Os modelos, os ídolos e os heróis desta geração são sofríveis e deformadores de caráter em sua grande maioria. O que esperar para o futuro?

Alguns acham que o conceito de piorar para melhorar tem a ver com a tal Transição Planetária; outros afirmam que “o ver” tudo ruim e destruído, aceleraria na alma o desejo de mudança, instigando a criatura a olhar para dentro e aprender a escolher o que é de real valor.

Só sei que o Sol, por mais escuro que esteja o dia, está sempre por trás das nuvens, e ainda que demore, voltará a brilhar para nosso olhar.

E, na minha humilde opinião, podemos sim evitar o “piorar”.

Há como melhorar sem piorar.

O Espiritismo, como doutrina libertadora de consciências, traz na revivescência do Evangelho de Jesus, o roteiro seguro para logramos esse êxito. Pelo estímulo que nos enseja ao autoconhecimento, a vencer a si mesmo pela superação das nossas imperfeições com auxílio da vontade, do estudo, da oração e da prática do bem.

Quem não atender, pode piorar. Mas depois, quem sabe, pode melhorar.

 (*) Todos os grifos são meus.

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