segunda-feira, 6 de abril de 2026

                          Anda faltando estudo, cérebro                                    ou  intenção desinteressada. 

                                       

     No prefácio do segundo livro da série A Vida no Mundo Espiritual, - Os Mensageiros (*) - o preclaro mentor que supervisiona a série, Emmanuel, faz referência ao aspecto da materialidade no mundo espiritual que causou e ainda continua causando espécie em inúmeros espíritas e demais leitores, quando da leitura de Nosso Lar, primeira obra do espírito André Luiz, pela mediunidade de Chico Xavier da referida série.

O registro do benfeitor realizado logo no primeiro parágrafo do prefácio, percebe-se de imediato, a preocupação do mentor em estabelecer clareza sobre o tema. Afirma Emmanuel:

“Lendo este livro, que relaciona algumas experiências de mensageiros espirituais, certamente muitos leitores concluirão, com os velhos conceitos da Filosofia, que “tudo está no cérebro do homem”, em virtude da materialidade relativa das paisagens, observações, serviços e acontecimentos.”    

Procurando entender o desafiador parágrafo acima, nos é lícito deduzir que muitos que lerem esta obra, assim como a anterior, Nosso Lar, se espantem e se surpreendam com os aspectos materiais muito bem registrados. Casas, móveis, instrumentos musicais, paisagens, presença de animais, serviços (lembram-se, dentre muitos outros informes, das fábricas de sucos, tecidos e artefatos em geral que empregam mais de 100 mil habitantes em Nosso Lar???).

Os críticos contumazes e mesmos os que não conseguem entender o recado de Emmanuel, certamente questionarão assombrados, se os espíritos também trabalham? Se os espíritos para se deslocarem necessitam tomar veículos que os transportem? Eles, os espíritos desenarnados, também se alimentam? Estudam? Os espíritos tem e realizam necessidades fisiológicas? E se as possuem, onde é que as realizam? Em qualquer lugar ou em lugar apropriado como temos em nossas residências aqui na Terra? 

Afirmarão, categoricamente, os contraditores e os críticos da análise superficial, que tudo está na cabeça do homem e que não existe o mundo espiritual. Que as obras que trazem estas informações não passam de projeções da mente criativa do autor encarnado, Chico Xavier. São, portanto, obras de ficção e como tal devem ser consideradas. Defende a Filosofia, que se morre e tudo se aniquila no túmulo.

Imaginemos nas décadas de 1940 e 1950, quando a maior parte das obras de André Luiz foi psicografada, a grandeza e superioridade do médium Chico Xavier que tendo sofrido duras críticas e perseguições, principalmente de espíritas, permaneceu perseverante em seu trabalho para dar continuidade, como Allan Kardec reencarnado, à obra que iniciara em meados do século dezenove.

O trecho do prefácio de Emmanuel destacado, trata-se de um verdadeiro alerta para que cuidemos e pensemos mais apropriadamente, sobre este e outros temas, baseados nos próprios conceitos que a Doutrina Espírita apresenta.

Abrindo um parêntese, oportuníssimo trazermos a este nosso estudo o texto contido no Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo dezessete – Sede Perfeitos – no item 4, Os Bons espíritas. Diz assim:

A doutrina não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo. Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.

 Da oportunidade e clareza deste texto, no que se refere aos ensinos espíritas, acreditamos que tem faltado estudo, detida reflexão e, além da certa maturidade do senso moral, infelizmente podemos suspeitar daqueles que, interessada e deliberadamente desejam se opor às obras e informações contidas em André Luiz.

Fechando o parêntese, na continuidade, mas ainda dentro desta temática, vai dizer Emmanuel - sugiro a leitura de todo o prefácio – que a simples circunstância da morte física somente guinda o homem a outro campo vibratório, não lhe conferindo, a menos que para isto tenha feito por onde, o ingresso nos domínios angélicos.

Ninguém se tornará anjo somente porque morreu. Sabiamente, diz o Dr. Inácio em obra de sua lavra, que “o mundo espiritual que rodeia o orbe terrestre é habitado por homens e não por anjos.” 

Raciocinemos, portanto, em torno do porquê Emmanuel faz este alerta no início da obra Os Mensageiros. Essa advertência do mentor não foi por acaso. Suas escolhas, para comporem os prefácios de todos os livros desta série, ditadas por André Luiz, foram escolhidas a dedo. Tudo que ali se encontra registrado tem um profundo ensinamento e lúcida explicação que somente aguarda nossa capacidade de extrair da letra a lição, o esclarecimento.

   Este assunto, referente à materialidade que ainda encontraremos no mundo espiritual adjacente à dimensão que habitamos, é muito claro e profundamente lógico. Consultem a obra Nosso Lar, no capítulo 37 - A Preleção da Ministra – que elucida sublimemente:

“Será crível que, somente por admitir o poder do pensamento, ficasse o homem liberto de toda a condição inferior? Impossível! Uma existência secular, na carne terrestre, representa período demasiadamente curto para aspirarmos à posição de cooperadores essencialmente divinos. Informamo-nos a respeito da força mental no aprendizado mundano, mas esquecemos que toda a nossa energia, nesse particular, tem sido empregada por nós, em milênios sucessivos, nas criações mentais destrutivas ou prejudiciais a nós mesmos.”

O poder mental, nas almas sublimes e purificadas sim, pode plasmar e construir projetos também superiores. Em A Caminho da Luz, Emmanuel, autor espiritual, designa Jesus como o Escultor Divino “operando a escultura geológica do orbe terreno.” No âmbito espiritual, o Evangelho é a ação plasmadora do pensamento de Jesus sobre o psiquismo dos homens.

Sobra para nós o que afirma o Ministro Flácus no livro Libertação: “não passamos, por enquanto, de bactérias, controladas pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor.”

Para aqueles irmãos que gostariam de viver em mundos mais sutis e diáfanos, se assim podemos nos expressar, onde a força mental é capaz de operar maravilhas, que ao desencarnar, peguem um elevador que os conduzam para mundos espirituais mais elevados. Mas cuidado!!!

Cuidado para não serem pegos pelo Rei que, vigilante e que a tudo vê, o surpreenderá sem trajar a túnica nupcial e, no cumprimento da soberana justiça, ordenará aos seus humildes servos “Amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes.”   

 

 

(*) O estudo sistematizado das obras de André Luiz conhecida como “A vida no Mundo Espiritual”, é realizado às quintas-feiras na sede do Grupo Espírita da Fraternidade na cidade de Araçatuba – SP

 

(**) Todos os grifos são nossos

 

Referências

 1) Luiz, André.  Os Mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 33ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 268p.

2) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 410p.

3) Ferreira, Inácio. Dr. Inácio, ele mesmo!     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Uberaba. Editora LEEPP, 2016. 374p.

4) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p



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