segunda-feira, 2 de março de 2026

 

Suicídio no mundo espiritual *

           

Normalmente a leitura do título deste artigo provoca muito desconforto e descrença, quando não, desconhecimento de que tal possa ocorrer.

Sim caros leitores, no além os chamados “mortos” também se suicidam.

Aprendemos nas obras básicas da Doutrina com Kardec e também em Chico Xavier, principalmente nas obras de André Luiz, que a desencarnação não promove mudança significativa nos espíritos a não ser, é claro, a perda do corpo físico grosseiro com a consequente mudança de plano vibratório.

No mais, quase nada se altera.

Na Terra, os transtornos mentais (depressão, bipolaridade, esquizofrenia) e contextos sociais e econômicos estão entre as principais causas do suicídio. Normalmente, o espírito que comete suicídio aporta na dimensão espiritual vizinha com muitos problemas.

Estes problemas, se não tratados convenientemente podem sim ser causa do suicídio no mundo espiritual.

Para melhor entendermos esse assunto que, a princípio, pode ser polêmico e motivo de muito debate entre os estudiosos das lições espirituais, temos que partir do contexto legítimo que as dimensões espirituais adjacentes à crosta terrestre também são constituídas de matéria muito semelhante à que estamos acostumados aqui na Terra. Recordemos a questão 22 de O Livro dos Espíritos que nos esclarece que existem estados da matéria que são tão sutis e invisíveis ao olhar e à percepção humana, que é como se não existissem, porém existem e continuam sendo matéria.

Também do livro Nosso Lar, relembramos no capítulo 37, a preleção da ministra Veneranda, espírito de alta gabarito espiritual, em que, dissertando sobre o pensamento, interroga sobre a surpresa que muitos habitantes da esfera espiritual demonstram ao encontrarem no nova dimensão formas análogas às do planeta tais  como habitação, utensílios e até a linguagem terrestre, ou seja, diferente do que muitos pensam, após a desencarnação, continuaremos a utilizar a palavra articulada e residiremos em domicílios com os mesmos utensílios que adornam nossos lares aqui na Terra, quer queiram ou não os mais ortodoxos que não aceitam estas realidades.     

Somando todo o contexto acima descrito que os ensinamentos claros da codificação, bem como da complementação dos ensinos exarados nas obras de Chico Xavier nos certificam, entendemos que o fenômeno da morte além de não alterar a materialidade, de forma substancial, do que nos cercará na pátria espiritual, também não altera a essência do que somos e nem modifica nossas virtudes e vícios.

Quer dizer, as causas que levam uma pessoa a cometer o suicídio aqui na Terra, podem perfeitamente estar presentes no espírito desencarnado.

No além, os irmãos que apresentam transtornos psíquicos, como os daqui da Terra, também recebem devido tratamento, porém, lá como aqui, as causas profundas destas distonias pertencem ao espírito imortal e que, embora possam receber auxílio medicamentoso, reconhecemos que não será indo à farmácia que encontraremos a cura do nosso mal interior. A medicação auxilia, porém o que cura em sua raiz é o Evangelho aplicado de Jesus.

Encontramos na leitura do livro O Último Ceitil, do espirito Dr, Inácio Ferreira, pela psicografia de Carlos Baccelli, o relato de um espírito que tendo desencarnado na Terra pelas garras do suicídio, continuava no além padecendo do mesmo mal e intencionava repetir o erro. É o Dr. Inácio, reconhecido médico psiquiatra que laborou por mais de 50 anos como diretor e médico do Sanatório espírita da cidade de Uberaba, que nos traz importante conhecimento:

“O caso de Cláudio, realmente, era grave, porque ele poderia, sim, tornar a matar-se! O corpo espiritual na esfera que nos situamos, é suscetível de uma segunda morte. Episódios de suicídio costumam se repetir por aqui, principalmente, quando os que cometeram suicídio na Terra não se encontram impossibilitados de fazê-lo outra vez.” 

Tal ato, se executado, arrojaria este espírito a se precipitar profundamente em complexo estado psíquico de desequilíbrio muito difícil de ser revertido, quase como a desabar num abismo sem fim...

O caso descrito por Dr. Inácio Ferreira é de um espírito desencarnado que se encontrava consciente na vida espiritual. Revela-nos o eminente psiquiatra, que:

suicídios nas regiões espirituais inferiores são ainda mais frequentes e somente não se perpetuam porque o instinto de conservação acaba por se impor a inclinação sistemática de alto destruição.”

Em outras palavras, a deliberação de provocar a própria morte pelo Espírito pode, sem que ele perceba, tornar-se um hábito.

Casos assim demonstram que o espírito manifesta uma prevalência quase absoluta de atitude baseada no subconsciente evitando de viver o presente e nem pensar no futuro.  Calderaro, instrutor de André Luiz no livro No Mundo Maior em estudo que faz sobre o cérebro - capítulo 3, A casa mental - aponta que o nosso subconsciente simbolizando o porão da individualidade, nosso cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos é a zona da impulsividade manejada pelos instintos.

Sedimentando nossos conhecimentos, o instrutor Calderaro elucida:

“Importa reconhecer, porém, que a nossa mente aqui (mundo espiritual) age no organismo perispirítico, com poderes muito mais extensos, mercê da singular natureza e elasticidade da matéria que presentemente nos define a forma. Isto, contudo, em nossos círculos de ação, não nos evita as manifestações grosseiras, as quedas lastimáveis, as doenças complexas, porque a mente, o senhor do corpo, mesmo aqui, é acessível ao vício, ao relaxamento e às paixões arruinantes.”

O parágrafo acima requer muita reflexão. Na mente doentia e desequilibrada, o perispírito está sujeito às quedas e doenças complexas, afirma o instrutor. Que doenças podem ser essas? Não estão aí inclusas as de ordem psíquicas? As depressões, os transtornos, as profundas carências afetivas? O que você acha?

Por que, como agentes deflagradores do suicídio aqui na Terra, estes mesmos fatores, muitas vezes agindo sobre o ser desencarnado de maneira mais intensa no mundo espiritual, também não poderiam ser a origem das “quedas” a que se refere o instrutor e que dentre elas, estaria o suicídio?

Pensemos nestas questões.

Enquanto isso, compreendamos que uma das formas mais eficazes da terapêutica para estes casos é o regresso do espírito, pelas vias da reencarnação, ao mundo material. O esquecimento do passado nos possibilita reeducar os hábitos, ajustar e melhorar os pensamentos, estudar as más inclinações e procurarmos melhorar, enfim, ocupar nossa mente com novas e boas ideias. 

Concluindo, lembremos que a fonte de toda a saúde do corpo e da alma está no evangelho de Jesus Cristo. Ele é a vacina contra o mal que o espírito, desde o berço da sua jornada evolutiva, deveria tomar adquirindo indispensável imunidade de ordem espiritual.

Vamos nos vacinar?

 

(*) Prezado(a) amigo(a) e leitor(a) deste blog, concluímos com este post, a publicação de três artigos sobre o tema do suicídio. Falamos dos aspectos espirituais e sobre o suicídio indireto nos dois anteriores e esperamos que o assunto suicídio no mundo espiritual, hoje publicado, possa motivar a todos pela pesquisa e maior aprofundamento deste tema que a todos nos interessa.  

(**) Todos os grifos são meus.

Referências

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 67ª ed.  Brasília. Editora FEB, 1944. 494p.

(2) Luiz, André. Nosso Lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 45ª ed. Brasília. Editora FEB, 1944. 281p.

(3) Ferreira, Inácio. O último ceitil.     Psicografado por Carlos A. Baccelli. 1ª ed. Votuporanga. Editora DIDIER, 2016. 430p.

(4) Luiz, André. No mundo maior. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 1ª ed. Brasília. Editora FEB, 1947. 253p.


  Suicídio no mundo espiritual *             Normalmente a leitura do título deste artigo provoca muito desconforto e descrença, quando ...